
Eu Quero Tudo

                   Gossip Girl


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Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!


O Natal em Nova York  realmente mgico, em especial no uptown. O ar cheira a neve
caindo, a lenha queimando e a bolos assando. De nossas coberturas, o Central Park parece
um reino encantado de prata, a ParkAvenue  um desfile de luzes de Natal e o tamanho da
rvore do Rockefeller Center parece prometer que este ser o Natal mais maravilhoso de
todos - embora a maioria de ns v estar bebendo champanha demais para perceber. Ao
longo da Quinta Avenida, todas as vitrines das lojas de departamentos esto decoradas para
as festas e todas as meninas que saem para fazer compras usam lindos casacos de cashmere
azul-celeste Marc Jacobs que compraram em outubro e mal viam a hora de usar. E  noite
todos saem para curtir, curtir, curtir. Nada de estudar para os exames de meio de ano; nada
daquelas tentativas de ltima hora de entrar para a faculdade; nada de ajudar a mame a
comprar presentes para as empregadas, as cozinheiras, os motoristas e as moas da
lavanderia. Peguem seu vestido drapeado de cetim preto Prada, os sapatos de salto agulha
de puro acrlico Christian Louboutin, a bolsa Hermes Birkin laranja, o cara mais lindinho
que conhecerem e venham comigo!

Flagra

D e V com os lbios grudados no per da 79.  meio trgico o tempo que eles levaram para
perceber que se gostavam. N comprando rosas vermelhas para J - e no pense que ele tem
um corao mole naquele lindo corpinho chapado. B e S indo  Bendel's para pegar os
vestidos para a noite do baile Black-and-White. Soube que Flow - ex-modelo e agora lindo
vocalista e guitarrista, cuja banda, a 45, acaba de ganhar o MTV Music Award de melhor
disco por seu lbum de estria, Komunik8 - vai fazer a honra de anunciar quanto dinheiro
arrecadou. O baile  em benefcio de Be Kind, um grupo que milita pelos direitos dos
animais, do qual Flow  porta-voz. Mas quem liga para isso? Todos sabemos que s vamos
l para dar uma olhada na carinha perfeita dele. Vejo vocs l!

SER QUE ELAS REALMENTE SO AMIGAS AGORA?

 isso mesmo: Se B decidiram reatar a amizade, e j no era sem tempo. Quer dizer, quanto
tempo voc pode ficar furiosa com algum com quem tomou banho na escola primria?
B pode no ser to loura nem to magra nem to "vivida" quanto S, mas isso no quer dizer
que tenha de odi-la. E S nunca ser to desonesta nem to ensimesmada quanto B, mas
isso no quer dizer que tenha de ter medo dela. Ento as duas decidiram deixar as
diferenas de lado e serem agradveis uma com a outra, pelo menos por enquanto. A
questo , agora que elas voltaram, que tipo de besteira maluca elas vo aprontar?
Podem acreditar, serei a primeira a descobrir e vocs sabero logo depois. Eu no sou
exatamente boa em guardar segredos.

Pra voc que me ama,
gossip girl

as gatas do baile

- Se ela fosse, tipo assim, uns quinze centmetros mais alta, ele podia apoiar o queixo no
colo dela - observou Blair Waldorf enquanto via o ex-namorado, Nate Archibald, danando
com Jenny Humphrey, a aluna da oitava srie baixinha e peitudona que foi o motivo de
Nate inexplicavelmente dar o fora em Blair algumas semanas antes. - Mas a ele ia ter
dificuldade para respirar.
Felizmente, Blair tinha dispensado o jantar naquela noite; seno, teria ido direto para o
banheiro das mulheres para vomitar de nojo.
Serena van der Woodsen, a mais antiga e mais recente amiga de Blair, respondeu sacudindo
os cabelos claros.
- No entendi - disse ela. - No tenho nada contra a Jenny, mas sempre achei que voc e
Nate eram, tipo assim, o casal perfeito. Vocs estavam totalmente destinados a passar o
resto da vida juntos.
Era estranho ouvir Serena dizer isso. Afinal, ela e Nate tinham perdido a virgindade juntos,
sem o conhecimento de Blair, quando terminaram a oitava srie. Se duas pessoas estavam
destinadas uma  outra, s podiam ser eles. Mas, como acontece em qualquer
relacionamento em que Serena tenha se envolvido, sua farrinha com Nate tinha sido s uma
ficada rpida. Blair e Nate eram coisa sria. E eles sempre foram uma presena to
confivel- como o porteiro no saguo do prdio de Serena na Quinta Avenida - que era
impossvel imaginar como seria o futuro sem eles como casal. Por causa deles, Serena
sentiu como seria fazer parte de um relacionamento
srio, e era meio assustador ver como as coisas tinham ficado ruins.
Blair bebeu sofregamente de sua taa de champanha Cristal. As duas meninas estavam
sentadas sozinhas a uma mesa redonda e grande, coberta com uma toalha de musselina
branca e tafet preto, no opulento salo de baile do St. Claire Hotel,
onde o baile anual Black-and-White estava bom bando. Meninas de tomara-que-caia longos
e pretos de Versace e Dolce & Gabbana, com plumas brancas nos cabelos, danavam com
meninos em cintilantes smokings preto-e-brancos Tom Ford para a Gucci, e uma bola
gigante feita de rosas pretas e brancas pendia do teto. Blair teve um forte dj vu.
A me dela tinha se casado um ms antes com um man, suarento e gordo chamado Cyrus
Rose e a recepo do casamento aconteceu nesse mesmo salo. O casamento tambm
ocorreu no dia do aniversrio de 17 anos de Blair, o dia em que ela planejava ir at o fim
com Nate. Ela passou horas se arrumando e ensaiou repetidamente na cabea cada
momento do que seria. Mas depois ela esbarrou em Nate se agarrando com aquela
garotinha no saguo do hotel e percebeu que, no fim, no importava o quanto estivesse
gostosa em seu vestido de dama de honra Chlo marrom, ou como seu cabelo estava teatral,
ou a altura dos saltos de seu stiletto Manolo Blahnik, Nate
estava ocupado demais apalpando os peitos de balo daquela cabea felpuda de 14 anos
para perceber alguma coisa.
Foi o pior aniversrio que Blair j teve. Mas ela no ia ficar martelando isso. Ela no era
desse tipo.
Ah, , ento t.
- No acredito mais no destino - disse ela a Serena, baixando a flte de cristal com um
baque na mesa e quase quebrando a haste. Blair passou os dedos nos longos cabelos
castanho-escuros que tinham sido aparados naquele dia por Antoine, seu novo cabeleireiro
favorito do Elizabeth Arden Red Door Salon.
Serena riu e revirou os olhos azuis.
- Ento, como  que voc sempre disse que seu destino era Yale?
- Isso  diferente - insistiu Blair.
O pai de Blair tinha ido para Yale e Blair sempre sonhou em ir para l tambm. Ela era a
primeira da turma na Constance Billard e tinha atividades extracurriculares saindo pela
tampa, ento tentar a admisso cedo parecia uma opo bvia. Mas, durante a entrevista,
ela desmoronou e virou Blair a Rainha do Drama no Cinema. Contou ao entrevistador uma
histria comovente de como a me tinha se divorciado de seu pai gay e estava prestes a se
casar com um homem que ela mal conhecia, e como estava louca para entrar na faculdade e
comear uma vida totalmente nova. E depois ela beijou o entrevistador - na verdade, ficou
na ponta dos ps e o beijou na bochecha
encovada e eriada de plos!
Blair sempre se imaginou a herona de algum filme preto-e-branco da dcada de 1950, no
estilo Audrey Hepburn, seu dolo. Aquela vez tinha sido sua runa. Agora ela era obrigada a
se candidatar  admisso regular de Yale com todos os outros, e chegou a falar com o pai
para doar um programa de estudos a Yalena Frana como uma forma de dar uma forcinha
para ela. Mas suas chances de conseguir entrar l ainda eram,
no mximo, magrinhas.
Blair pegou a garrafa de Cristal no balde de prata no meio da mesa e encheu a taa.
- Destino  para mans - disse ela. -  s uma desculpa idiota para deixar as coisas
acontecerem em vez defazer com que elas aconteam.
Se ao menos ela soubesse exatamente como fazer com que as coisas que ela queria
acontecessem mesmo, sem ferrar completamente com elas.
A ateno de Serena era mais curta do que a de um cachorrinho recm-nascido e elaj havia
bebido demais para ter uma conversa sria.
- No vamos mais falardo futuro, t bem? - Ela acendeu um cigarro e soprou a fumaa no ar
acima da cabea de Blair.Sabe o que ,aquele cara louro que est conversando com oAaron
est te encarando total h uns dez minutos. - Ela cobriu a boca com os dedos longos e
esbeltos e riu. - Epa. L vm eles.
Blair se virou e deu com seu meio-irmo vegetariano de trancinhas, Aaron Rose, e um cara
muito alto com cabelo louro espigado e olhos castanho-claros, vestindo um smoking
Armani maravilhosamente bem-feito, andando para a mesa delas. O garoto batia os dedos
nervosamente nas pernas supercompridas e olhava para os sapatos Christian Dior pretos e
brilhantes como se estivesse preocupado em tropear neles ou
coisa parecida. Atrs dos dois garotos, a pista de dana inchava de belas meninas
lindamente vestidas e rapazes adoravelmente elegantes, os braos de um no pescoo de
outro, balanando com uma msica de Beck.
- Diga alguma coisa legal para a Blair - disse Serena a Aaron. - Ela est se estressando com
o futuro.
Blair revirou os olhos.
- E quem no est?
Os lbios finos e vermelhos de Aaron se curvaram para baixo numa careta de quem pede
desculpas. Ele, Blair e Serena tinham vindo ao baile juntos e, desde que chegaram, Aaron
deixou as duas meninas bebendo e fumando cigarros enquanto ele ia encontrar os amigos.
Mas Blair andava meio ansiosa e sentimental ultimamente com o casamento dos pais, a
entrevista repulsiva em Yale e tudo o mais. Ela precisava de todo o apoio moral que
pudesse conseguir.
- Desculpe. No tenho sido um bom acompanhante. Quer danar ou coisa assim?
Blair o ignorou. Ela estava com cara de quem queria danar? Ela olhou para o amigo alto e
louro de Aaron.
- Quem  voc?
O louro deu uma risadinha. Os dentes dele eram ainda mais brancos do que a camisa.
- Sou o Miles. Miles Ingram.
Filho de Danny Ingram, o famoso proprietrio de restaurantes e clubs, dono de lugares da
moda, como o Gorgon em Nova York e o Trixie em Los Angeles, para citar apenas alguns.
- Ele  meu colega de turma na Bronxdale - acrescentou Aaron. - Estamos montando uma
banda. Miles toca bateria.
Blair bebericou o champanha, esperando que eles dissessem alguma coisa que no fosse
completamente entediante.
Miles deu uma risadinha para Blair e tamborilou os dedos nas costas de uma cadeira vazia.
- Voc  muito mais bonita do que eu pensava - disse ele.
Ele era bonitinho, mas aquele negcio dos dedos batucantes podia ser seriamente irritante.
Blair no retribuiu o sorriso. Pegou a bebida. Aaron provavelmente disse a Miles que ela
era uma bruxa total, e ele esperava que ela tivesse verrugas no nariz e uma vassoura na
bunda.
No exatamente. Aaron no gostava de falar de sua nova meia-irm porque queria guard-
la para si mesmo. Mas no puxe a rede ainda - vamos chegar l depois.
Aaron empurrou as trancinhas para trs das orelhas.
- E essa  Serena - disse ele a Miles. Miles deu s uma olhadinha rpida no rosto
perfeitamente cinzelado, nos profundos olhos azuis, no corpo longo e magro e no fantstico
vestido preto Gucci de Serena. Os olhos dele caram nela por um momento - era difcil no
cair-, antes de se virarem para Aaron.
- Que esquisito. Voc no me disse que Blair era to bonita.
Aaron deu de ombros e pareceu pouco  vontade.
- Desculpe.
Blair e Serena acenderam novos cigarros, ainda esperando que alguma coisa louca
acontecesse. Considerando a observao que Blair acabara de fazer sobre o destino, cabia a
elas fazer acontecer.
Aaron pigarreou.
- Tem certeza de que no quer danar? - perguntou ele a Blair novamente.
Blair percebeu que ele no estava usando gravata-borboleta
e que a camisa do smoking estava desdobrada e desabotoada
no colarinho. Aparentemente, ele estava declarando
alguma coisa. Ela deu um longo trago no cigarro e soprou a
fumaa na cara dele.
- No, obrigada.
A msica de Beck terminou e as pessoas voltaram aos bandos para as mesas para se
embebedar mais.
- Meus ps esto morrendo! - gemeu Kati Farkas, atirando-se em uma cadeira na frente de
Blair e tirando os sapatos.
- Os meus j esto mortos-ecoou Isabel Coates, afundando na cadeira ao lado da dela.
Nos ltimos dois anos, enquanto Serena estava na Hanover Academy, em New Hampshire,
Isabel e Kati tinham colado em Blair. Elas compravam maquiagem na Sephora juntas,
bebiam cappuccino no Le Canardjuntas e, sim, elas at iam ao banheirojuntas. Blair
dominava o cenrio social. Ento, quando as duas estavam com ela, elas se sentiam quase
famosas, aproveitando o tapete vermelho em toda parte. Mas, pouco antes do Dia do
Descobrimento da Amrica, Serena foi expulsa do internato e reapareceu na cidade para
roubar Blair das duas, e Kati e Isabel voltaram a ser as velhas e reles Kati e Isabel de
sempre.
- Como  que vocs no esto danando? - perguntou Kati.
Blair deu de ombros.
- No estou com humor pra isso.
Isabel suspirou.
- S vamos ter de fazer as provas na semana que vem disse ela, confundindo com cansao o
toque de tdio na voz de Blair. -E depois, vamos ter uma folga por causa do Natal.
- Vocs tm tanta sorte de ir a um lugar que  demais acrescentou Kati. - Eu vou ter de
fazer aquele esqui idiota na porcaria de Aspen, de novo.
- Bem, no  to ruim quanto minha casa de campo chatrrima em Connecticut -replicou
Isabel.
- Vai ser sensacional - soltou Serena com um sorriso animado.
Blair e Serena iam passar o Natal juntas em St. Barts. A me de Blair e o pai de Aaron
estavam em lua-de-mel num cruzeiro pelo Caribe, e arranjaram para que Blair, Aaron e o
irmozinho de Blair, Tyler, passassem as festas no exclusivo resort Isle de La Paix, em St.
Barts. Cada um deles podia levar um amigo, se quisesse. Assim, depois de se reconciliarem
no banheiro durante a recepo de casamento da me, Blair convidou
Serena.
 claro que estariam de volta  cidade para o Ano-novo. Nenhuma garota de respeito com
mais de 12 anos que goste de uma balada passa o Ano-novo com os pais.
- Vai ser uma loucura - concordou Blair com um sorriso presunoso. Ela podia se imaginar
perfeitamente, escorregadia de bronzeador, com o novo biquni Missoni em uma praia
rstica de areias brancas, o rosto mascarado por enormes culos de sol Chanel, enquanto
uns gatos de calo de surfe traziam drinques exticos em cascas de coco. Ela ia se
esquecer de Yale, de Nate, da me e de Cyrus e assar at ficar marrom como caf com leite
sob o sol quente da ilha.  claro que ela sabia que Kati e Isabel estavam numa inveja total
porque ela no havia convidado nenhuma das duas para ir a St. Barts com ela, mas, para ser
sincera, Blair no dava a mnima. S mais um semana.
Chuck Bass apareceu por trs de Blair e colocou suas mos quentes e grandes nos ombros
nus dela, tonificados pela prtica de tnis.
- Acabo de ver o Nate e aquela garotinha da Constance dando uns amassos no canto -
anunciou ele, como se todos quisessem saber.
Chuck era bonito de um jeito meio obscuro, de comerial de loo ps-barba. Tambm era o
cara mais galinha de toda Nova York. Ele tentou molestar Serena quando ela desabou de
bbada no quarto de hotel da famlia dele no Tribeca Star em outubro e quase conseguiu
que a pequena Jenny Humphrey tirasse o vestido para ele no banheiro das mulheres na festa
Beijo na Boca na mesma semana. Chuck era o pior
tipo de galinha, mas todos ainda o toleravam porque ele era um deles: freqentava uma
pequena escola privativa de meninos; no primrio, ele foi para a escola de dana na Arthur
Murray e tomou aulas de tnis na Asphalt Green, e cantou na igreja do hotel em frente 
praia no sul da Frana. Era convidado para as melhores festas e para as vendas privativas
mais exclusivas, como todos os outros do grupo. Mesmo quando era rejeitado, Chuck ainda
voltava. Ele era impiedosamente inespantvel.
Blair tentou afastar as mos dele.
- E da?
Chuck continuou com as mos onde estavam.
- Nate nunca conseguiu fazer voc ceder, n? - Ele comeou a massagear os ombros dela. -
Estava pensando que talvez a honra deva ser minha.
Todo o corpo de Blair enrijeceu. At aquele momento, ela nunca teve muitos problemas
com Chuck, mas agora entendia por que Serena o odiava tanto. Ela empurrou a cadeira para
trs, expulsando violentamente as mos dele de seus ombros e se levantou.
- Tenho de ir ao banheiro-anunciou ela  mesa, ignorando Chuck completamente. - Depois,
vamos dar o fora daqui. Podemos continuar a festa na minha casa ou coisa parecida.
Aaron se levantou e deu um passo na direo dela, enfiando as trancinhas atrs da orelha,
meio constrangido.
- Voc est bem? - perguntou ele, parecendo preocupado.
Nesse momento, todo aquele ato do Sr. Sensvel irritou Blair quase tanto quanto a
galinhagem de Chuck.
- Estou tima.
Ela se virou e marchou pela sala da melhor maneira que pde no salto agulha de acrlico
Christian Louboutin e no vestido Gucci preto superapertado, olhando diretamente para a
frente a fim de evitar ver Nate com aquela garotinha Ginny, ou sei l que diabos  o nome
dela.
As pessoas estavam se reunindo na pista, num murmrio excitado. Parecia que Flow - o
vocalista mais gostoso do mundo da msica - estava prestes a aparecer. Mas Blair no se
importou. Ela no ficava babando para gente famosa, como a maioria das garotas. No
precisava disso: ela era a estrela constante do filme que rodava em sua cabea, a pessoa
mais famosa que conhecia.

o gato do rock vira a cabea de todas

Jenny estava numa espcie de transe abenoado a noite toda. Antes de acompanh-la ao
baile Black-and-White, Nate vestira um smoking Donna Karan novo, pegara Jenny de txi,
levara-a para comer sushi e beber muito saqu no Bond e dera-lhe um pequeno pingente
turquesa Jade Jagger em forma de estrela. Os olhos verdes dele faiscavam  luz das velas e
seus cabelos dourados estavam to perfeitamente desgrenhados que Jenny ficou tirando
polarides mentais dele para que pudesse
pintar um retrato novinho de manh e aumentar sua coleo.
O melhor de tudo foi que, depois que eles chegaram ao baile, Nate no a arrastou para falar
com pessoas que ela no conhecia. At os amigos turbulentos de Nate, Jeremy Scott
Tompkinson, Anthony Avuldsen e Charlie Dem, deixaram os dois em paz. Nessa noite
Nate era s dela, feliz por abra-la enquanto se beijavam silenciosamente no canto.
- Conhece a tela O beijo, de Gustave Klimt? - disse
Jenny entusiasmada, enquanto olhava para o rosto adorvel de Nate.
Nate fez uma careta.
- Na verdade no.
- Conhece.  famosa pra caramba. De qualquer forma,  o que isto me lembra.
Ele deu de ombros e olhou para o palco.
- Acho que o cara do 45 vai aparecer daqui a pouco e falar alguma coisa.
Jenny encostou na parede. Antes de Nate, ela teria molhado a calcinha de excitao por ver
uma celebridade como Flow, mas agora s o que queria era continuar beijando Nate.
- E da? - Ela deu uma risadinha e bateu de leve na boca com as costas da mo, com o
cuidado de no borrar o brilho MAC cor-de-rosa. - Isso foi demais - acrescentou ela
baixinho.
- O qu? - perguntou Nate, olhando distrado para o salo.
- Nunca beijei por tanto tempo assim -admitiu Jenny.
Nate se virou para ela e sorriu. Tinha fumado um baseado no caminho para peg-la e ainda
estava meio chapado. Ele gostava do vestido que Jenny estava usando. Era longo e preto, de
decote baixo na frente e nas costas, com um franzido branco dramtico que se agitava nos
tornozelos minsculos.
Jenny tinha comprado o vestido na Century 21, uma ponta de estoque de roupas de grife
freqentada por caadores de pechinchas e por uma gente desesperadamente sem noo que
comprava qualquer coisa que tivesse etiqueta, mesmo que fosse
obviamente imperfeita ou fosse s uma idia ruim do estilista que no venderia em lugar
nenhum, exceto na Century 21.
Ela devia exatamente quatro mesadas ao pai pelo vestido, mas Nate no sabia disso. Ele
achava que ela parecia um anjinho em preto-e-branco. Um anjo com o melhor par de
peites que ele j vira. Ele passou as mos pelos braos claros e macios como de beb de
Jenny. Ela tambm era delicada e quente, como pezinhos frescos de um restaurante cinco-
estrelas.
O DJ comeou a tocar o sucesso do 45, Korrupt Me, e depois Flow apareceu arrogante na
pista vindo do nada, usando um palet de smoking sobre uma camiseta vermelha com BE
KIND em grandes caracteres brancos e rindo como quem sabe que  um dos caras mais
gostosos do mundo. Flow era filho de uma modelo dinamarquesa de lingerie e de um
magnata jamaicano do caf, e parecia uma verso bronzeada e de olhos azuis de Jim
Morrison, da clssica banda da dcada de 1960, The Doors. Ele subiu por trs de um pdio
de vidro, a msica parou e todos uivaram e aplaudiram. Jenny passou a mozinha pelo
dedo de Nate e deu um aperto enquanto eles saam do canto para ver.
- Eu s queria saudar todos vocs por se produzirem e virem aqui esta noite para levantar
dinheiro para ... - Flow abriu o palet de smoking para apontar a camiseta e alguns dos
convidados entusiasmados e atrevidos do baile, uma gente que no tinha vergonha de pagar
mico, gritaram: "Be Kind!"
No mesmo instante, Blair abriu a porta do banheiro das mulheres para encontrar Nate e
Jenny de mos dadas bem no caminho dela. Jenny usava um vestido berrante de grife dbia
estilo vovozinha que era grande demais embaixo e pequeno demais em cima. Ela e Nate
pareciam uns suburbanos bregas em sua noite de baile.
Blair ajeitou as alas do vestido e estalou os lbios laqueados de vermelho-rubi. Quanto
mais cedo sasse dali, melhor. Mas ela no podia escapulir como uma pobre ex-namorada
rejeitada. Tinha de mostrar mais orgulho de merda do que isso.
Bem, muito mais.
- Gostaria de agradecer ao comit organizador do baile, chefiado por Blair Waldorf e
Serena van der Woodsen - continuou Flow, lendo um cartozinho que estava em sua mo.
- Ei, por que as duas garotas no vm aqui e me ajudam a anunciar quanto dinheiro
arrecadamos?
Todos esticaram o pescoo para procurar por Serena e Blair.
Em seu jeito tipicamente exuberante, Serena soltou um uivo alto e deslizou sem esforo
pela pista de dana, subindo ao pdio com os cabelos claros esvoaantes. Flow deu um
passo para trs, emudecido com a beleza dela, e Serena se inclinou
para o microfone.
- Venha, Blair - gritou ela, procurando pelo salo abarrotado. - Suba aqui!
Blair podia sentir que as pessoas a encaravam. Ela tentou dar um sorriso e deixou seu posto
na porta do banheiro, andando diante do nariz de Nate e ]enny enquanto abria caminho para
a frente do salo.
A boca de Nate se abriu quando Blair zuniu por ele. Ela parecia mais alta do que ele se
lembrava e sua bunda estava mais definida. Os longos cabelos brilhavam e a pele tinha um
tom perolado que lhe dava vontade de toc-la. Ela estava gostosa.
No, ela estava mais do que gostosa. De repente ele ficou confuso. Queria pegar o brao de
Blair e dizer: "Volte aqui. Eu cometi um erro." Mas ento ]enny apertou a mo dele, e ele
olhou para os olhos castanhos e comoventes e o decote profundo, e imediatamente se
esqueceu de Blair de novo.
Nate era como o labrador mais pateta. Se voc balanasse uma vareta na frente dele, ele s
pensava em peg-la, mas, se atirasse uma bola de tnis, ele se esquecia da vareta e corria
atrs da bola.
Blair se juntou a eles no pdio e Flow deu a Serena uma folha de papel, sorrindo de orelha
a orelha porque as duas organizadoras do baile, por acaso, eram to lindas.
- Tudo bem - disse Serena, lendo o papel. - Ento, levantamos oitocentos mil e quatrocentos
dlares. Tudo em benefcio do Be Kind, o novo fundo de resgate internacional de animais. -
Ela exibiu o famoso sorriso que tinha sido capturado
por tantos fotgrafos para as pginas sociais e de foforas e cutucou o brao de Blair.
Blair tinha organizado centenas dessas coisas. Ela conhecia o protocolo.
Ela se inclinou para o microfone ..
- Obrigada por virem! - gritou ela, dando o melhor sorriso de benfeitora. - E no se
esqueam de sua bolsa de brindes Coach ...  a melhor parte da festa!
A msica recomeou, mais alta do que antes, e todos voltaram a beber e a danar. Flow
inclinou a cabea para Serena e sussurrou-lhe alguma coisa no ouvido. O hlito dele era
quente e pinicou na orelha dela. Ele tinha cheiro de couro novo.
Serena riu.
-Pera um minutinho, t?
Flow assentiu enquanto Serena pegava o brao de Blair e se afastava do pdio, arrastando a
amiga de volta  mesa das duas.
- Ele quer que eu me encontre com ele l fora, pra gente dar uma volta na limo dele.
Rpido, pegue seu casaco. Voc tambm vai.
Blair fez uma careta. Ela realmente no era do tipo de segurar vela, muito obrigada.
- Acho que no.
Serena fingiu que no ouviu. No ia deixar que Blair melasse toda a sua festa.
Kati, Isabel, Chuck, Aaron e Miles ainda estavam sentados  mesa, bebendo a Stoli que
Chuck tinha trazido em um frasco de prata monogramado.
- Vamos l - disse Serena a eles em jbilo. - Todo mundo pra fora! Vamos fazer a festa na
limo do Flow!
Blair pegou o tquete do casaco em sua bolsa baguette Fendi de pele de mink e armadlio
no exatamente livres de crueldade.
s vezes o entusiasmo de Serena beirava o irritante. Mas Blair no podia dizer que no
gostou do baile.
Ela gostou da idia de estar toda produzida andando de carro pela cidade, vendo o mundo
atravs do vidro fum da limusine. Era to Audrey em Bonequinha de luxo.
E talvez uma volta na limo de Flow fosse exatamente o que faria sua vida se transformar,
como mgica, de uma srie de desastres para uma srie de sonhos que se tornam realidade.

Nate estava ficando meio cheio de tanto beijar Jenny. Ele no tinha bebido muito e
precisava mesmo dar mais uns tapas.
- Quer andar um pouco? - perguntou ele.
Jennysorriu para ele. Parecia que os clios de Nate tinham sido banhados em ouro, assim
como o cabelo. A nica coisa que deixaria essa noite ainda mais perfeita seria Nate dizer a
ela: "Eu te amo". E ela esperava que fosse exatamente isso que ele ia fazer.
- Claro - respondeu ela ansiosa.
Eles pegaram os casacos e Nate manteve a porta aberta para ela quando saram do alvoroo
do hotel.
Uma enorme limusine preta com janelas escuras estava estacionada do lado de fora. Nate e
Jenny desceram os degraus de mrmore at a calada e Nate soltou a mo dela para acender
discretamente um baseado. Jenny remexeu suas luvas pretas de camura, decepcionada. Se
Nate ia dizer "Eu te amo", ela no queria que ele estivesse chapado quando fizesse isso.
De repente o vidro preto da limo desceu e apareceram os belos cabelos louros de Serena.
- Ei, vocs a! - disse ela a Nate e Jenny. - Venham! Estamos dando uma festa! Entrem!
Entrem!
Como sempre, Serena estava agindo por impulso. Sequer passou pela cabea dela que eles
eram os ltimos merdinhas no mundo que Blair queria ver.
Jenny sempre venerou muito Serena, e andar de carro com ela e com os outros que estavam
ali parecia excitante e decadente.
Mais excitante do que caminhar pelo frio congelante enquanto Nate ficava doido. Ela
tocou o brao de Nate.
- Podemos ir?
Nate deu de ombros. Estava pronto para qualquer coisa, desde que pudesse levar o baseado
com ele.
- Claro. Por que no?
A porta se abriu e Jenny riu animada enquanto trepava sobre a massa de pernas com meias
arrasto e joelhos com smokings e se espremia em um cantinho minsculo perto da janela,
ao lado de uma garota que usava os sapatos mais maravilhosos e aparentemente mais caros
que ela j vira. Uma garota que, por acaso, era a ex-namorada de Nate, Blair Waldorf.
O rosto de Jenny ficou vermelho como tomate e ela imediatamente virou a cabea para o
outro lado, dando de cara com o olhar sacana de Chuck Bass, o babaca que tinha tentado
dar um arrocho nela num reservado do banheiro da festa Beijo na Boca em outubro.
T vendo o que acontece quando voc entra numa limo sem primeiro checar quem est l
dentro?
d pode se livrar do casamento
Daniel Humphrey mordeu a unha cor-de-rosa de Vanessa Abrams e a cuspiu no spero
tapete marrom de seu quarto. A unha era muito mais comprida do que as outras e ele estava
cansado do modo como ela sempre o arranhva acidentalmente.
-Ei, essa era minha unhada guitarra - protestou Vanessa, afastando a mo dele com um
puxo e examinando os danos.
Dan riu. Seu rosto plido se contorceu debaixo dos cabelos castanhos embaraados. Ele
raramente cortava o cabelo, mas o cabelo grande demais combinava com a imagem
desgrenhada e supercafeinada de poeta dele.
-Como se voc tocasse guitarra.
Vanessa deu de ombros e esfregou o alto da cabea escura e quase raspada com um n dos
dedos plidos. Tinha olhos castanhos enormes, pele clara e lbios finos e vermelhos e at
podia ser bonita, se parasse de raspar a cabea. Mas Vanessa no ligava para a beleza;
preferia o lado mais sombrio das coisas, suas entranhas feias.
-Como  que voc sabe? - disse ela. - Durante o dia eu fico com voc, mas  noite eu toco
tock.
-Voc nem gosta de msica alta - zombou Dan. Ele a empurrou na cama e comeou a fazer
ccegas nas axilas dela. - Seu CD favorito  uma gravao de uma tempestada com troves.
-Pare com isso! - guinchou Vanessa, debatendo braos e pernas e bufando histericamente. -
Daniel Randolph Humphrey, pare com isso agora!
Ai eles no eram uma gracinha?
Dan patou de fazer ccegas nela e se sentou.
-Voc disse a palavra proibida.
Vanessa puxou para baixo a blusa preta de gola rul sobre a barriga branca e ligeiramente
gorducha.
-Randolph, Randolph, Randolph. Quem d a uma criana um nome do meio desses? Parece
nome de camisinha ou de astro de filme porn ou algo assim. Randolph o Lubrificador! -
uivou ela.
Dan ficou em completo silncio de repente, franzindo a testa enquanto enfiava o dedo em
uma queimadura de cigarro no velho cobertor verde do exrcito de sua cama.
Vanessa se sentou.
-Desculpe. Promeri que no ia sacanear seu nome do meio e agora estou aqui, rindo dele
que nem um imbecil. Mas no era isso que estava aborrecendo Dan.
-Clark tem o qu, tipo assim, vinte e dois? - perguntou ele.
Os olhos castanhos de Vanessa ficaram ainda maiores. Clark era o bartender mais velho
que ficou com ela antes de a ficha de Dan finalmente cair e ele entender que ele e Vanessa
deviam ser mais do que amigos.
-, e da?
- ele  bartender. Tipo garanho?
-Acho que sim. - Ela ainda no entendia aonde ele queria chegar.
Dan disparou para fora da cama e acendou o milionsimo Camel do dia. Inalou
profundamente e soprou um vapor cinza-azulado no ar sobre a cabea de Vanessa. Ela
sabia que ele estava tentando aparentar tranquilidade, mas os olhos dele estavam nervosos.
-Da que vocs...hmmm..transaram, ou o qu?
Vanessa tentou primeiro reprimir o sorriso. Ento era isso. Ela pensou na resposta.
-Meio assim.
-Tipo assim, voc meio que fazia ou meio que no fazia?
-Tipo fizemos, mas no tanto assim - respondeu Vanessa devagar.
Ela e Clark transaram duas vezes. A primeira vez foi em plena luz do dia. Ela ficou to
envergonhada do prprio corpo que nem prestou muita ateno em outras coisas. Na
segunda vez ela se sentiu mais relaxada, mas ainda no pde entender por que era to bom
assim. Para ela, era engraado de to pr-histrico. Tipo, era exatamente a mesma coisa que
todas aquelas zebras e hienas faziam na poca de acasalamento naqueles programas sobre a
natureza. Ainda assim, era meio legal j ter feito. Fazia com que ela sentisse que tinha mais
substncia, como uma histria eu-fui-l-e-fiz. -Sei - Dan deu outro trago no cigarro. E
depois outro. Ele acompanhou a costura do travesserio manchado de caf. Ele era virgem e
Vanessa no. Ele no sabia como se sentir com relao a isso.
Na verdade, ele sabia. Ele se sentia nervoso, idiota, baixo, esqueltico, plido, estranho e
completamente inadequado. Pra que Vanessa tinha de namorar e transar com outro cara?
-Olha, eu sei que voc virgem - disse Vanessa bruscamente. -Mas isso no significa que
tenha de continuar assim. - Ela ergueu sugestivamente as grossas sobrancelhas pretas e
sorriu.
Dan olhou para ela e sorriu tambm, as bochechas adquirindo um adravel rosa intenso de
constrangimento.
- mesmo?
Vanessa assentiu e se aproximou um pouco dele.
. - Ela colocou as mos no peito esqueltico dele e o empurrou na cama. Depois, tirou o
cigarro da mo dele eo enfiou na caneca de caf velho que estava pela metade na mesa-de-
cabeceira. -No se preocupe - disse ela com sua melhor voz rouca de mulher vivida. -Sei o
que estou fazendo.
Ela o beijou delicadamente na boca e comeou a tirar a roupa dos dois. Primeiro tirou a
camiseta cinza dele, e depois tirou a preta que ela vestia. Estava usando um top preto por
baixo. Tudo que Vanessa usava era preto.
Dan respirou fundo e fechou os olhos. No era como ele imaginava que aconteceria. Para
ele, o sexo era to importante quanto nascimento e morte, uma das experincias poticas
mais intensas que uma pessoa podia ter. No era algo que voc fizesse com a namorada
quando estava entediado numa noite de sbado antes das provas do meio do perodo. Era
uma coisa que fazia quando os dois j se exploraram de todas as outras formas - intelectual,
espiritual e filosoficamente. Dan chegou a brincar com a idia de esperar para transar
quando estivesse casado pronto para ter filhos. Ele queria ter cinco filhos e lhes daria o
nome de seus escritores preferidos: Kafka, Goethe ,Sartre, Camus e Keats. Mesmo que no
tivesse de esperar at casar, a primeira vez devia ser um processo de descoberta, como se os
dois aprendessem a se falar em uma nova lngua.
Mas Vanessa j havia aprendido a lngua com outro cara.
- Voc tem ps bem estreitos mesmo - observou ela, ajoelhando-se no cho enquanto Dan
tirava as meias.
Dan se sentou e afastou os ps dela.
-Pera.
Vanessa se arrastou para cama e se sentou ao lado dele, as pernas cruzadas, com aquela
calcinha preta e o top preto.
-Qual  o problema?
-No quero fazer isso - Dan cruzou os braos magros no peito nu. A cala de veludo cotel
ainda estava no corpo, mas ele se sentia muito pelado. - Quero dizer, no agora.
Vanessa estendeu a mo e o afagou alegremente no brao.
-Eu fiquei nervosa na primeira vez tambm. No  assim grande coisa - disse ela,
tranquilizadora. Eu prometo.
Dan engoliu em seco e olhou para o teto. Ficou olhando fixamente uma rachadura no
reboco acima de sua cabea.
-Eu s queria esperar at que fique mais...orgnico.
-T legal- disse Vanessa lentamente. -Mas  s sexo, save como . No  um poema .
Obviamente ela no queria dizer isso. Para Dan era mesmo um poema. Provavelmente o
poema mais importante que ele jamais escreveria.
Ele vestiu a camiseta.
-Eu s acho melhor esperar;  s isso.
-Certo - retrucou Vanessa, a ponto de perder a pacincia.
Dan estava sempre analisando demais as coisas, escrevendo sobre elas em seu bloquinho de
capa preta at que no houvesse mais nada para escrever. Ela adorava o modo sensvel e
romntico dele, mas pelo menos uma vez na vida ele podia ser legal e deixar de pensar
tanto nas coisas e s seguir a maldita correnteza. Ainda assim, Vanessa era a fim dele desde
o dia em que se conheceram e fizeram amizade, trs anos antes. Ela no ia estragar as
coisas, agora que eles finalmente estavam juntos.
Dan acendeu outro cigarro. As mos dele tremiam como nunca.
Vanessa o cutucou novamente.
-Ei, no fique ai to preocupado. Por mim, tudo bem que no tenha rolado. T bom?
Ele assentiu. Vanessa pegou a mo dele e colocou o brao de Dan em volta de seus ombros.
Eles voltaram a se deitar na cama e Dan soprou a fumaa para a lanterna chinesa de papel
vermelha enquanto afagava suavemente a cabea careca de Vanessa com o polegar. Estava
feliz por no ter de se explicar tanto. Era o que havia de legal em namorar a melhor amiga.
Ela o conhecia quase melhor do que ele conhecia a si mesmo.
Os dois ficaram deitados ali por algum tempo, vendo a fumaa do cigarro de Dan flutuar no
ar. Essa era outra coisa legal em ficar com a melhor amiga. Nem sempre voc tem de falar.
-Assim que comearem as frias, quero rodar mais um filme. -Vanesa rompeu o silncio. -
Estou achando que meu Guerra e paz pode ser sombrio demais para mandar para a
Universidade de Nova York.
O ltimo filme de Vanessa foi adaptado de uma cena de Guerra e paz, de Tolstoi, e trazia
Dan como um princepe Andrei viciado em crack. Vanessa tinha se candidatado 
Universidade de Nova York e queria mandar um de seus filmes em vez de um ensaio
escrito, uma vez que ela pretendia se formar em cinema. Ela mal podia esperar. S mais um
perodo na Constance Billard School para Meninas Magrelas e Neurticas, onde (graas a
Deus) no se ajustava em nada, e ela estaria livre, livre, livre!
Dan soltou uma longa baforada. No sabia com o que Vanessa se preocupava. Os filmes
dela eram combrios, mas era isso que os tornavam brilhantes. No tinha como a
Univerdidad de Nova York no aceita-l.
-Se algum tem de se preocupar, esse algum sou eu - disse ele, as mos tremendo de
nervoso de novo.
-Como assim? - perguntou Vanessa. - Qualquer universidade com um programa deliteratura
meio decente mataria para ter voc.
-, mas eu falo do dombrio, Meus poemas so mesmo... - Dan parou. Os poemas dele eram
pessoais, eram o que eles eram. E parecia meio estranho mandar um monte deles para um
funcionrio qualquer da admisso na Columbia, ou Brown, ou Vassar, como se estivesse
desnudando sua alma e um completo estranho podia nem ter lido as obras de Goethe, Sartre
ou Camus e no entenderia suas refrencias oblquias a eles.
-Sabia que voc pode at tentar publicar umas coisas suas? - sugeriu Vanessa. -Isso ia
deixar o pessoal da admisso da universidade totalmente convencia sobre voc.
Dan enfiou a guimba do cigarro em uma lata vazia de Coca-Cola.
-, t legal - disse ele. Ele gostava de escrever, mas de jeito nenhum estaa pronto para
mandar suas coisas a um editor. Nem mesmo achara sua voz ainda. Ele sabia disso. Cada
novo poema que escrevia parecia diferente dos mais antigos.
Vanessa se sentou novamente.
-Que foi? Estou falando srio.Voc devia fazer isso.
Dan adunfou ainda mais nas cobertas.
-Tanto faz - murmurou ele sem entusiasmo. No estava pronto para o sexo e no
estavapronto para ser publicado. Agora se sentia mais inadequado ainda.
Vanessa sabia que quando era horade recuar. Ela respirou fundo e canalizou sua gatinha
interior, aquela que s saa de seu canto quente no aquecedor quando Dan precisava de um
forte beijo na carinha bonitinha dele.
Ela deslizou sob as cobertas e beijou o peito dele.
-Mais uma semana e a gente pode passar todo o tempo das frias assim - murmurou ela.
Ao contrrio da maioria dos colegas da turma na Constance Billard e na Riverside Prep,
nem Vanessa nem Dan teriam uma viagem glamourosa nas frias de Natal. Vanessa morava
com a irm mais velha, uma baixista, Ruby, em um apartamento em Williamsburg, no
Brooklyn. Os pais delas eram artistas de vanguarda, moravam em Vermont e sempre
passavam o Natal numa turn com sua trupe perfotmtica. Dan e a irm Jenny, moravam
com o pai, Rufus, um escritor comunista e editor de poetas beat nada conhecidos, que no
acreditavam em Natal, nem em Hanukkah, nem em nenhum outro dia santo, alis.
-Papai vai fazer sua lasanha anual na quinta-feira - e Dan passou as mos nas costas de
Vanessa, Permitindo-se relaxar novamente. Ele adorava a suavidade e a firmeza das costas
dela, que no eram cheias de costelas como as dele. - Voc vem, n?
Ela deu os ombros.
-Claro. Mas diga a seu pai que no vou comer feito uma porca como fiz no ano passado. 
outra coisa que estou dando um tempo. Vou perder trs quilos.
Dan continuou afagando as costas de Vanessa.
-Por qu? - perguntou ele. Vanessa no precisava fazer dieta. O corpo dela era exatamente
como ela descreveu em um de seus poemas: como gua.
-Porque minhas roupas vo cai melhor se eu fizer. - Vanessa no estava interessada em ser
magrela, como a maioria das colegas de turma, mas no gostava quando tinha de encolher a
barriga para abotoar as calas.
-Bem, eu gosto de voc como voc  - disse Dan , passando o nariz na orelha dela.
Vanessa virou a cabea para ele e seus lbios se encontraram em um longo e doce beijo.
Enquanto se beijavam, ela no conseguia deixar de pensar em sexo com Dan podia ser
muito mais significativo do que tinha sido com Clark. Se pelo menos Dan estivesse pronto.
-Eu te amo - sussurrou ela, fechando os dela. Por algum tempo Vanessa pensou em
perguntar novamente se ele queria tentar transar, mas no ia estegar o momento. S tinha
de esperar at que ele estivesse pronto, embora com Dan isso pudesse significar esperar at
que estivessem casados ou coisa assim.
At parece que eles no agiam como se j no fossem casados. D licena, que eu vou
bocejar.
J se arrepende de participar da festa

No banco traseiro da limusine de Flow, Blair se sentiu espremida pela peituda da Jenny
Humphrey e pelo amigo desengoado de Aaron, Miles, o baterista espigado. Do outro lado
deles Serena estava no colo de Flow - "Para dar espaos para os outros", afirmou ela - e
Nate imprensado na janela, ficando chapado. Ele tambm tinha passado o baseado para
Kati, Isabel e Chuck, que era ainda mais irritante chapado do que bbado. Aaron estava
sentado de pernas cruzadas no cho, entre os dois bancos traseiros, fumando um dos seus
cigarros naturaise jogando o PlayStation 2 da limo.
- Qual seu nome verdadeiro alis? - Perguntou Serena a Flow, embora j soubesse, por um
programa da MTV, que o nome dele era Julian Prospere. Na verdade  um nome muito
melhor do que Flow, mas no ia dizer isso a ele.
Ele deu seu famoso risinho de cara tmido capturado nas capas da Spins, Rolling Stones,
Entertainment Weekly e Interview e sacudiu a cabea.
- No  to importante
- Bem, voc no  to bonito pessoalmente - Disse ela virando a cabea para o outro lado
com um sorrisinho perverso.
Ela estava mentindo,  claro. Ele era pelo menos dez vezes mais bonito do que nas fotos, se
 que isso era possvel.
Serena sabia que estava paquerando de uma forma ridcula, mas ela adorava o modo como
o cabelo castanho-escuro de Flow se enrolava nas tmporas, a pele de um bronze dourado e
como seus dedos pareciam delicados. Por que no chegar no cara? Era s por uma noite.
Amanh Flow ia voltar a Los Angeles, ou onde quer que morasse, e ela finalmente
comearia a estudar para as provas. Tudo o que ela queria era se divertir um pouco.
Tudo o que Serena queria era se divertir um pouco o tempo todo.
Flow recuou, fingindo se envergonhar de sua boa aparncia.
- Desculpe. Acho que no sou to alto tambm. Ele se inclinou para a frente e abriu o
frigobar Sub-Zero embaixo de seu banco.
- Ei, tem bebida aqui. Algum a est com sede?
- Eu, por favor - respondeu Blair de imediato. Ficar bem bbada era a nica maneira de
suportar uma coisa daquelas.
- Hmmm, vou experimentar um pouco - aventurou-se Jenny timidamente. A limo deu uma
guinada em uma tampa de esgoto e seus peitos quicaram sem piedade. Ela olhou para Nate
para saber se ele tinha percebido, mas ele estava olhando pela janela com aquele jeito areo
que assumia quando ficava extremamente chapado.
Miles ajudou Flow a encher dez flutes com champanha Cristal. Ele passou uma a Blair.
- Tintim - disse ele, batendo a taa na dela.
Blair pegou a taa e, como no estava sentada perto da janela e no tinha mais nada para
olhar, analisou o rosto de Miles. Tinha olhos redondos e castanho-dourados, meio parecidos
com os olhos de Mookie, o cachorro de Aaron. O nariz insolente e meio arrebitado era
pontilhado de sardas pequenininhas e o cabelo louro-claro espigava direto para cima.
Ajulgar pela forma como as veias saltavam do pescoo comprido, provavelmente ele
malhava,jogava basquete ou coisa parecida. No todo, ele parecia meio um personagem de
desenho num corpo de atleta. Mas como Blair no tinha nada melhor para fazer, e era
evidente que ele estava a fim dela, ela pensou que podia ser meio divertido paquerar Miles.
Ela colocou a mo na perna dele.
- Obrigada. - Ela tomou um gole do champanha.
Miles sorriu como se pensasse que aquilo era o comeo de uma linda amizade.
Flow no conseguia parar de babar para Serena.
- Voc  a garota mais bonita que eu conheci ultimamente.- murmurou ele na orelha dela. -
Talvez sempre. No consigo acreditar que no  modelo nem atriz nem nada disso.
Serena mergulhou os dedos na taa de champanha e os colocou na boca. Considerando
como ele era famoso, ela pensou que Flow seria todo convencido e cheio de papo mole,
mas ele era surpreendentemente sincero. Se no fosse um astro rock to lindo, isso podia ter
sido uma total falta de estilo, mas ele era um astro do rock to lindo, ento ela decidiu
deixar esse detalhe pra l.
- No - disse ela. - Sou apenas eu.
Na verdade, fotos de Serena estavam aparecendo constantemente em colunas sociais e
revistas; ela s no pagava por elas - nem precisava.
Flow continuou encarando Serena.
Serena riu.
- Pare com isso.
- Ahhhh, gata - disse Chuck de uma forma antiptica, puxando o baseado. -Algum est
pegando algum hoje!Ele fechou os olhos. Parecia que estava prestes a desmaiar.
- Estou morrendo de fome - grunhiu Kati. Ela abriu o cinzeiro da porta da limo e depois o
fechou. - Tem alguma coisa para comer?
- Estou achando tudo ... meio desagradvel- declarou Isabel com os olhos saltando da
cabea.
Aaron olhou para cima para encontrar Blair sentada muito perto de Miles, a mo dela
pousada descuidadamente no joelho dele. Sem terminar o jogo, ele desligou o PlayStation 2
e se levantou, espremendo-se entre os dois no banco.
- Ai - gemeu Blair quando a bunda magricela dele cravou nos quadris dela.
- Bem, chega pra l, ento - disse Aaron. - Ei, aonde vamos, afinal? - perguntou ele a Flow.
Flow passou seus longos dedos musicais no interminvel cabelo de Serena e deu de
ombros.
- Ao centro. Talvez parar numa boate.
Jenny apertou a flute de champanha e se contorceu no banco. Era legal para todos eles ir a
uma boate. Eles pareciam mais velhos do que eram e provavelmente tinham identidades
falsas. Apesar dos peitos, Jenny parecia ter uns dez anos.
Ainda pediam a carteira dela na seo de porns da Blockbuster! A ltima coisa que queria
era ver todo mundo entrar pela porta de uma boate bacana enquanto o leo-de-chcara
gentilmente perguntava a ela se no tinha passado da hora de ir para a cama. Ela devia ter
ido andar com o Nate. Sempre se divertia muito mais quando eles estavam sozinhos do que
quando estavam com outras pessoas.
- Nate? - Ela se inclinou para a frente e pegou a mo dele. - Eu devia ir para casa cedo. -
Passava um pouco da meia-noite e ela devia chegar em casa  uma hora, de qualquer forma.
Ao contrrio da crena popular, Nate no era completamente morto para o mundo. Ele
percebeu Blair se jogando toda para aquele cara magrelo de cabelo espetado que nunca vira
antes, e tambm percebeu que Jenny parecia meio desconfortvel. Mas, quando as coisas
ficam esquisitas, Nate tende a sair do ar e esperar que outra pessoa tome a iniciativa.
- Tudo bem - disse ele, saindo do transe. -Vamos dar o fora daqui. -A maconha que ele
trouxera era extremamente suave e ele no queria mesmo ir a uma boate barulhenta. Depois
de deixar Jenny em casa, ele podia ligar para o celular do Jeremy e se encontrar com os
garotos naquele bar da Rivington
com a aconchegante sala preta, onde eles podiam se sentar no sof e fumar maconha sem
ningum para incomod-los. - Ei - gritou ele, batendo no vidro entre o banco e o motorista.-
Pode parar aqui?
Blair sorriu. Ser que tinha irritado tanto o Nate que ele queria sair porque no conseguia
v-la com as mos em outro cara?
- Ai, Natie. No querem ir com a gente? - perguntou Serena.
Nate deu de ombros.
- Tenho de levar a Jenny pra casa - disse ele.
Jenny fez uma carranca. O motorista da limusine parou o carro e abriu a porta traseira para
eles. Jenny saltou e Nate cambaleou depois dela.
- Tchau! - gritou ela animada para todos os que ficaram dentro do carro.
Do outro lado do banco Chuck sorriu afetado para ela, os olhos umas fendas.
- Que peninha - grunhiu ele.
Jenny no tinha certeza do que ele queria dizer, mas tinha certeza absoluta de que era
alguma coisa pervertida.
- A gente se v! - respondeu Serena, a nica pessoa que realmente reconhecia que ela
estava indo embora. - Boa sorte nas provas!
Nate e Jenny ficaram em silncio no txi durante a corrida para o uptown. Nate estava feliz
por ver as lojas e restaurantes que passavam zunindo, contando silenciosamente de um a
vinte sem parar em sua cabea de doido. Jenny sentou- se com as pernas cruzadas duas
vezes, remoendo o que havia de errado. Era principalmente por culpa dela, raciocinou. Foi
ela quem quis dar uma volta na limo, para comear.
O txi parou na frente do prdio de Jenny na 99 com a West End Avenue. Ela pegou a
maaneta.
- Ei - disse Nate, tocando a manga do casaco dela.
Ele no podia deixar que ela sasse sem dar um boa-noite. Chapado ou no, ele teve uma
boa criao, e com a criao vinham as boas maneiras.
Ele a beijou no rosto, os cabelos cor de areia roando na pele dela.
- Boa noite - disse ele com um doce sorriso infantil.
Jenny retribuiu o sorriso, querendo desesperadamente esquecer a ltima hora e fingir que a
noite tinha terminado com a mesma perfeio com que comeara.
- Boa noite - retrucou ela, de repente relutando em sair.
- Durma bem - acrescentou Nate, os olhos verdes faiscando na luz.
Ai.
s vezes ele podia ser to incrivelmente adorvel! Com o corao transbordando de amor
verdadeiro, Jenny bateu a porta do txi e correu para o saguo do prdio. Em vez de pegar o
elevador, ela correu os oito lances de escada e irrompeu no apartamento.
- Oi - cumprimentou, Dan, seu irmo mais velho.
Estava vindo pelo corredor, levando duas canecas de caf instantneo Folgers de volta ao
quarto.
-Oi.
Jenny tirou o casaco preto de pele falsa e o atirou em uma cadeira no canto. O casaco ficou
pendurado nas costas da cadeira por um segundo, depois escorregou para o cho. Ningum
ia perceber mesmo. O grande apartamento de quatro quartos no via uma limpeza adequada
h anos.
- Como  que foi? - perguntou Dan.
O pingente turquesa em forma de estrela que Nate dera a ela estava pendurado em seu
pescoo. Jenny tocou nele para se tranqilizar.
- Foi tudo bem. - Ela olhou para as canecas nas mos de Dan. - Vanessa ainda est a?
Dan assentiu. Podia sentir que alguma coisa estava pegando.
- Est. Quer vir e ficar com a gente um pouco?
Jenny e Dan se davam bem, mas ele nem sempre era assim to legal com ela.
- Tudo bem - concordou ela, seguindo-o pelo corredor at o quarto dele.
Vanessa estava sentada na cama, ainda de top preto e calcinha.
- Oi, Jennifer. - Ela pegou uma caneca de caf com Dan. - Ainda quer que eu a chame
assim, n?
Jenny assentiu. S Nate e Vanessa a chamavam de Jennifer. Nate o fazia porque foi assim
que ela se apresentou quando eles se conheceram no parque. E Vanessa porque Jenny havia
pedido.
Vanessa sempre era legal com ela. Sempre a tratava com
respeito.
A cama de Dan estava desarrumada e as roupas de Vanessa estavam no cho. Ficou claro
para Jenny que Dan e Vanessa tinham transado. De p na soleira da porta, ficou
constrangida para seguir em frente.
- Posso lhe fazer uma pergunta? - disse ela por fim. Ela no sabia bem a qual dos dois
estava perguntando, porque no se importava em ter duas respostas.
- Claro - disse Vanessa, bebendo o caf com as mos em volta da caneca quente.
- Pode me falar honestamente o que voc acha do Nate?
Dan franziu a testa. Ele e Nate no eram da mesma escola, mas por mero acaso ele viajou a
Brown com Nate e Serena van der Woodsen e os amigos doides de Nate no ms passado.
Pelo que podia dizer, Nate era s um maconheiro rico e bonito. Nada havia de errado nele,
mas no era particularmente especial tambm. Meio que matava Dan que sua irm
inteligente e bonita estivesse desperdiando tempo com um cara que acabaria por mago-la.
Mas, ao mesmo tempo, Dan podia entender por que Jenny estava to apaixonada por Nate.
Ele era mais velho, em primeiro lugar, e era o tipo de cara bonito e popular com quem toda
garota quer sair. Pelo menos, at perceber como ele era chato.
No fundo, Dan tinha a preocupao ranheta de que Nate estivesse pressionando Jenny a
fazer coisas que ela no estava pronta para fazer, mas Jenny tinha chegado em casa quase
uma hora antes e no parecia aborrecida nem nada, ento ele decidiu
no tocar no assunto.
Vanessa deu de ombros. Nate era o tipo de idiotinha de escola preparatria com quem no
perdia tempo, mas ela no queria ferir os sentimentos de Jenny dizendo isso.
- Eu no o conheo bem, mas todas as garotas da Constance sempre falam dele. Acho que
deve dar um bom namorado.
Dan assentiu.
- . - Essa era a forma decente de colocar a coisa.
Jenny franziu a testa.
- Tudo bem - disse ela, sentindo-se mais confusa do que nunca. - Acho que vou tomar um
banho.
Ela fechou a porta do quarto de Dan e foi para o prprio quarto. Ele d um bom namorado,
repetiu para si mesma. O que diabos isso queria dizer? Ela no queria s um bom
namorado. Ela queria o que Gustave Klimt tinha capturado com tanta perfeio em O beijo.
Aquela sensao radiante e eltrica de me-abrace-forte-se-no-eu-despenco de quem est
apaixonado.
Bem, no  o que queremos todas, meu bem?

 preciso ser cruel para ser gentil

Na hora em que a limo encostou no Gorgon, a nova boate da moda no Lower East Side,
Kati, Isabel e Chuck dormiam numa espcie de monturo retorcido de cabelos, cachecis,
bolsas, pernas e casacos no banco traseiro da limo. Blair, Serena, Flow,
Miles e Aaron estavam na calada olhando para eles.
- Graas a Deus - disse Blair. Se tivesse de ouvir Kati ou Isabel fazer mais um de
seuscomentrios estpidos e chapados sobre o modo como tudo parecia roxo ou coisa
assim, ela ia gritar.
- Eles parecem bonecos - observou Serena.
- Quer que eu os acorde? - ofereceu-se Miles.
- No! - gritaram as duas meninas em unssono.
- Ei, Miles - disse Aaron. - Essa no  uma das boates do seu pai?
Miles corou e olhou para seus brilhantes sapatos pretos Prada.
-  - Blair achou que foi realmente meio bonitinho o modo como ele ficou envergonhado.
- Legal - Flow passou os dedos nus em volta dos dedos enluvados de Serena. -Prontos para
agitar? Serena teve a sensao maluca e vertiginosa que tinha quando no sabia bem o que
ia acontecer a seguir. Era sua sensao preferida. Ela apertou a mo dele.
- Definitivamente.
Eles foram para a porta da boate. O leo-de-chcara j estava puxando a corda de veludo
vermelho para eles passarem.
- Espere - disse Blair, parando quando se lembrou do comentrio grosseiro que Chuck tinha
feito mais cedo naquela noite. Agora era a chance de ela ter uma vingana doce e barata.
- Tem uma caneta? - Flow sacou do bolso de cima do palet do smoking uma Sharpie preta
de ponta de feltro que mantinha  mo para dar autgrafos.
Blair se inclinou para a limo, com o cuidado de no roar a manga do casaco no nariz de
Chuck enquanto escrevia
"Leve este man PRA CASA" na testa dele. Depois bateu a porta da limo.
- Obrigada. - Ela devolveu a caneta a Flow. Eles passaram pelo enorme leo-de-chcara
barbado e pela corda de veludo.
- Hmmm - disse Aaron, hesitando. Ele abriu e fechou seu Zippo. - Acho que vou pra casa.
Tenho um monte de coisas pra estudar amanh.
Blair revirou os olhos.
- E da? Eu tambm tenho.
- Quer ir pra casa comigo? - ofereceu-se Aaron.
Blair olhou para Serena, que sacudiu a cabea inflexvel.
- Tem certeza de que quer ir embora? - perguntou Miles a Aaron. - muito bacana l
dentro. E eu posso usar a sala privativa.
- Demais - disse Flow com gratido.
Aaron sacudiu a cabea. Ele estava sobrando e sabia disso.
- Tenho. A gente se v.
Os quatro o observaram descer a rua com as mos nos bolsos da cala do smoking, a fralda
da camisa balanando atrs dele. Depois Flow agarrou Serena pela cintura e a puxou,
correndo com ela pela porta da boate.
- O ltimo a entrar  um bobo! - gritou ela.
Blair estava prestes a correr atrs deles quando Miles pegou a mo dela.
- Ei. Voc se importa se eu fizer uma coisa antes da gente entrar?
Blair olhou para ele. No, ela no se importava. Afinal, ela quem tinha colocado a mo na
perna dele dentro do carro.
Miles se inclinou e a beijou oh-com-tanta-delicadeza na boca. Foi um beijo educado, de
cavalheiro.
- Fiquei esperando por isso a noite toda - confessou ele com um sorriso tmido.
Blair estava tentando manter a atitude no-t-nem-a de Serena.Ela podia fazer isso. Podia
se divertir casualmente com um cara qualquer que no era nada parecido com Nate. Alm
disso, depois dessa noite, ela no precisava ver Miles novamente se no quisesse.
Ela deu um sorriso recatado.
- Acho que somos os bobos - disse ela, enquanto erguia o queixo para beijar Miles
novamente. E dessa vez o beijo no foi nada educado.
Em mais ou menos trs mil palavras, escreva sobre uma pessoa
que tenha inspirado voc profundamente. Pede-se demonstrar
o efeito dessa pessoa em sua vida com a maior
especificidade possvel.

BlairWaldorf Ensaio da Proposta para a Universidade de Yale 18 de dezembro

Audrey Hepburn nasceu em Bruxelas em 4 de maio de 1929,filha de uma baronesa
holandesa e de um executivo anglo-irlands. Seu nome na certido de nascimento era
Audrey Kathleen van Heemstra Ruston. Quando tinha trs semanas de idade, adoeceu de
coqueluche e o corao parou, mas sua me determinada a ressuscitou, dando-lhe umas
palmadas. Embora fosse s um beb, Audrey deve ter aprendido uma lio naquele dia
porque, pelo resto de sua vida, mesmo quando estava doente, ela viveu da forma mais
plena. Sempre que me sinto dominada pelas presses de minhas provas dos cursos
avanados ou por minha agenda puxada, penso em Audrey e me sinto inspirada.
Acredito que, se nos dedicarmos e trabalharmos muito por um objetivo,
seremos recompensados. Audrey foi recompensada por ter sido
descoberta por...
Gossipgirl.net
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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

AS CELEBRIDADES SO MESMO MAIS INTERESSANTES DO QUE AS PESSOAS
COMUNS?

Falamos delas como se as conhecssemos. Lemos tudo sobre elas que cai nas nossas mos.
Ficamos tristes por elas quando passam por uma fase difcil ou felizes por elas quando se
casam ou ganham um Oscar. Criticamos o corte de cabelo delas, percebemos quando elas
engordam ou emagrecem, at temos a fantasia de sermos amigos delas. E  claro que elas
tm roupas maravilhosas, montes de casas e carta branca para todos os novos restaurante da
moda. Mas ns tambm temos. A verdade  que a nica coisa que torna os famosos
interessantes  que eles so famosos. A no ser,  claro, que eles realmente sejam
interessantes como... bem, como eu, por exemplo.

Flagra

S e Flow - , aquele Flow, que vimos recebendo o MTV Music Award por melhor disco de
estria - danando feito uns macacos doidos no Gorgon no sbado  noite. Depois disso,
eles foram vistos entrando no Tribeca Star - para pegar um quarto, talvez? Safados, safados.
Tenho certeza de que vamos saber tudo sobre isso nos tablides amanh.B e um cara novo,
que vamos chamar de M, tambm no Gorgon, dividindo um romntico cigarro no canto.K,
I e C parecendo desorientados como se tivessem tropeado ao sair de uma limo estacionada
pouco antes do amanhecer, quando o motorista parou para colocar gasolina em algum lugar
perto da Ponte da Terceira Avenida. Felizmente o motorista era legal o bastante para lev-
los para casa, que era o lugar deles.A andando pela Quinta Avenida usando seu smoking,
parecendo mais triste do que merece um bonitinho de trancinhas rasta.
Seu e-mail
P: Oi, gg
sei de fonte segura que flow  gay. O nico motivo de ele andar com s  para as pessoas
pensarem que ele  hetero.
-snoopy

R:Caro snoopy,
Percebi no baile Black-and-White que a cala do smoking dele parecia meia apertada na
bunda, ento talvez voc tenha razo!
-GG

P:E a, GG,
Sou da turma de M na Bronxdale, e fiquei a fim dele e do carro dele por, tipo assim, uns
dois anos.  to bonitinho como ele sempre batuca na mesa durante a aula, e ele tem um
Porsche laranja antigo. No sei o que ele est fazendo com B. Ela  uma piranha sria, com
p maisculo.
-Olive

R:Cara Olive,
T vendo o que acontece quando voc d bobeira? A p lhe passou uma rasteira. R! Sou
uma poeta e nem sabia disso. Srio agora, mesmo que voc nunca tenha chegado em M,
pode pedir a ele para dar uma volta naquele doce Porsche antigo dele.
-GG

UMA LTIMA PALAVRINHA SOBRE AS PROVAS
No se apertem. Sei que so as ltimas notas que contam para a faculdade, mas voc sabe
disso. E, se no sabe,  tarde demais para aprender. Tome um banho de sais Dead Sea,
coloque seu pijama de seda roxo Versace favorito, beba uma taa de Cristal, pinte as unhas
com a nova cor que pegou no balco da Chanel na Bendel's e tire um sono de beleza. Voc
estar muito melhor do que se ficar preenchendo cartes de lembrete at tarde com
anotaes idiotas que jamais ser capaz de ler de manh.

Boa sorte. Vou cruzar os dedos por voc!
Pra voc que me ama,
gossip girl.
at namoradas de celebridades fazem prova
Era segunda-feira, o primeiro dia da semana das provas de meio de ano, e as meninas
sentadas em suas carteiras na sala de aula do terceiro andar, usando as saias de l cinza
supercurtas do uniforme, suteres de cashmere pretos TSE de gola rul, calcinha preta
Wolford e mocassins pretos de camura Gucci, curvadas sobre os cadernos de prova azuis,
escrevinhando loucamente. Blair estava na fila da frente, perto do inspetor, que por acaso
era o idiota do professor de cinema, o Sr. Beckham, que ela tambm por acaso desprezava
porque ele lhe dera um C no ltimo artigo sobre cinema. O artigo tinha sido sobre os filmes
de Woody Allen e como eles no se identificavam com a maior parte dos espectadores
americanos porque eles no eram de Nova York e no eram os neurticos que moravam ali.
Acontece que, apesar de ser do Meio-oeste, o Sr. Beckham era fantico por Woody Allen.
Ele chamou o artigo de Blair de '' condescendente''. Que estpido.
A prova comeava com uma srie de questes que tinham de ser respondidas em um
pargrafo descritivo conciso. A primeira pergunta era: Qu'est-ce que vous voulez faire
pendant votre temps libres? "O que voc faz no seu tempo livre?"
Essa era para l de fcil. Blair gostava de comprar sapatos extraordinariamente bem
desenhados e caros, comer bife com fritas, beber Ketel One com tnica com Serena e fumar
muito. Nos veres ela gostava de jogar tnis. Costumava beijar Nate na cama enquanto
Bonequinha de luxo rolava no DVD ao fundo, mas agora no fazia mais isso. Ela estava
ocupada demais fazendo todas as outras coisas.
A pergunta seguinte era: Decrivez votre famille. "Descreva sua famlia."
Blair soltou um suspiro de desespero. Era praticamente fluente em francs, ento ela sabia
as palavras para "homossexual ftil", "maluca imbecil" e "man gordo e brega", que era
como descreveria com sinceridade o pai, a me e o padrasto. Mas Madame Rogers, sua
professora de francs, no tinha nenhum senso de humor, ento era improvvel que ficasse
impressionada com a descrio de Blair. Em vez disso, Blair
descreveu generosamente o pai como um "companheiro elegante cujo hobby favorito 
igual ao meu: comprar sapatos"; a me como "uma loura de boa ndole que se esqueceria do
prprio nome se ningum lembrasse para ela"; e o padrasto como "um homem alegre com
uma risada alta e um gosto incomum para roupas", O irmozinho, Tyler, foi fcil: "Ele pode
ficar muito bonito quando crescer, mas os melhores amigos
dele so o PlayStation 2 e a coleo de discos da dcada de 1980." E restava Aaron. Blair
fez uma pausa por um segundo. Elagostava de Aaron, embora ele estivesse agindo de uma
forma meio quieta e taciturna ultimamente. Na escala de meio irmo,
ele podia ter sido muito pior. Blair sorriu consigo mesma e escreveu, Meu novo meio-
irmo, Aaron, provavelmente vai salvar o mundo. Pronto. Eram exatamente as coisas mais
legais que diria sobre algum.
A pergunta seguinte era: Imaginez qu'un djinn apparat sur votre paule pour vous dire
qu'il vous accordera um seul souhait. Quel serait votre souhait?
Blair batucou o lpis nmero dois na mesa de madeira. O que ela ia pedir? Ela queria entrar
em Yale,  bvio. E queria que sua me e Cyrus ficassem em lua-de-mel para sempre para
que ela no tivesse de morar com eles ou v-los se beijando apaixonados em pblico o
tempo todo. Ela queria que Nate se mudasse para a Antrtida para que nunca mais tivesse
de esbarrar nele ou naquela namoradinha dele. Ela tambm queria muito um par de botas de
couro caramelo com salto 10 fininho; s no tinha encontrado o par certo ainda. E um
casaco de pele de ovelha. E um chapu de pele de raposa com cobertura nas orelhas.
Ela realmente no ligava que o pai fosse gay, mas queria que ele encontrasse um namorado
para viver em Nova York em vez de na Frana, para que ele pudesse lev-la para fazer
compras mais vezes. E queria que Serena fosse da turma avanada de francs para que elas
se sentassem perto durante a prova e passassem bilhetes sobre todas as histrias malucas
que os jornais de hoje contavam sobre Serena e Flow. Ela tambm meio que queria que ela
e Nate tivessem seguido em frente e trasassem quando estavam juntos para que ela no
fosse mais virgem. E ela meio que queria no ter ficado acordada at to tarde no sbado
com Miles, Flow e Serena, porque ainda estava meio de ressaca. Alm disso, Miles havia
ligado para ela duas vezes ontem e deixado recados na secretria eletrnica, embora ela
tivesse dado a ele especificamente um nmero falso para que nunca mais ouvisse falar dele.
Agora estava at pensando em retomar as ligaes.
Sbado  noite foi divertido, mas a ltima coisa de que precisava agora era de um
namorado novo.
O Sr. Beckham deu um pigarro ruidoso, Blair ergueu os olhos da prova e o encarou. Ele
tinha cabelos amarelos. No amarelo de louro, mas amarelo como muco de um doente
grave. Os olhos dos dois se encontraram e o Sr. Beckham fez uma coisa estranha: ficou
vermelho.
Excusez-moi?
Blair desviou os olhos, apavorada. Seus ps balanaram nervosamente enquanto ela olhava
a pergunta. Vous avez une desire. Que desirez vous?
Ela queria muito que o professorzinho de cinema que ela achava que a odiava no desse a
impresso de que estava a fim dela. Queria estar na praia agora mesmo, em vez de
congelando a bunda em uma sala de aula mal aquecida. Queria ter tomado o caf da manh,
porque estava morta de fome. Queria um monte de coisas, mas s podia responder uma.
Blair escreveu que queria ir para Yale, embora parecesse totalmente redundante para uma
formanda do secundrio dizer que queria ir para uma universidade, mas era melhor isso do
que revelar algum detalhe pessoal suculento a Madame Rogers, de qualquer forma. Ento
ela desenhou uma botinha de salto alto na margem do caderno de provas e olhou para o Sr.
Beckham novamente. Ele ainda estava olhando para ela, o rosto com uma sombra grossa de
vermelho-arroxeado. O que ele estava fazendo? Tramando o assassinato dela ou
imaginando como Blair ficaria de calcinha? Ela desviou os olhos, enojada.
Olhou para o relgio Cartier de platina. Outra porra de hora pela frente. Prxima pergunta.

Dois andares abaixo de Blair, no auditrio da Constance Billard School, Serena estava
ralando com a prova de histria americana.
No. Serena no era exatamente do tipo que ralava.
Ela j havia contado o nmero de pontas em seu rabo-de-cavalo - nove - e tinha respondido
 pergunta sobre o envolvimento ingls na Segunda Guerra Mundial com um ensaio muito
curto sobre como durante a guerra havia escassez de tudo e as inglesas tiveram de abrir mo
das meias porque no havia nilon disponvel. Em vez disso, aquelas mulheres corajosas,
industriosas e cientes da moda pintavam linhas nas costas da perna para dar a impresso de
que estavam usando meias.
Serena suspirou. Naquela poca uma garota provavelmente passaria uma noite com um cara
e no teria sua foto enchendo todas as pginas de fofoca no dia seguinte. Fotos de Serena e
Flow no Gorgon apareceram no Post, na Entertainment Weekly, na People, na Women's
Wear Daily e em incontveis pginas da Web, todos chamando os dois de "o novo casal
'it'''.
Isso era ridculo. Ela deu um beijo de despedida em Flow quando amanhecia na calada do
bar do Tribeca Star Hotel no domingo, e ele saiu para pegar um avio particular para Baja,
onde ia refazer umas cenas do clip para a nova msica do 45,
Life of Krime, antes de sair para o Natal. Ele tinha sido incrivelmente doce e os dois
tiveram uma noite sensacional, mas eles definitivamente no eram um casal. Um casal
significava que os dois se veriam todo dia. Significava que estavam apaixonados.
E, embora ela e Flow pudessem ter ficado meio em luxria, eles definitivamente no
estavam apaixonados, apesar do fato de ele j ter mandado flores para ela.
Trs dzias de tulipas negras dificlimas-de-encontrar, para ser exata.
Serena estava acostumada a ganhar presentes dos caras, e assim as flores no a
perturbavam, desde que Flow no comeasse a lhe mandar coisas todo dia. s vezes um
cara podia exagerar um pouco. Pense em Dan Humphrey, por exemplo. Ele seguiu Serena
como um cachorrinho quando ela voltou do internato no outono, e at escreveu poemas que
eram to srios e doentes de amor que chegavam a assustar. Serena gostava mesmo de Dan,
mas ele era meio intenso demais. Por sorte dela, ele se apaixonou por Vanessa, que era
igualmente intensa, e eles formavam um timo casal. Mas Serena no estava interessada em
combinar com ningum. Ela valorizava a independncia, sua capacidade de seguir os
caprichos e fazer o que gostava. Ela fazia a limpa impulsiva - formar um casalzinho s
restringiria seu estilo.
Serena comeou a pergunta seguinte: Quando as foras armadas americanas entraram na
Segunda Guerra Mundial e por qu?
Uma pergunta mais pertinente seria: Quando  que ela ia usar esse conhecimento? A
resposta era totalmente bvia: nunca!
Quem ligava para o que aconteceu no passado quando o futuro estava  sua frente, com
surpresas sensacionais e loucuras inenarrveis se escondendo por trs de cada curva?
Algum deu um tapinha no ombro dela e Serena olhou. Era o Sr. Hanson, o professor de
latim e inspetor da prova de histria. Ele era alto, magro e tinha um bigode que sempre era
exatamente to do mesmo tamanho que todas as meninas da Constance estavam
convencidos de que era falso.
- Que foi? - disse Serena, sobressaltada. Ela sabia que estava divagando, mas no podia se
encrencar por isso durante uma prova escrita, podia? - Fiz alguma coisa errada?
Depois ela percebeu que o Sr. Hanson tinha um sorriso por baixo do bigode.
Ele colocou um exemplar do Post nas mos dela. Estava virado na pgina seis, a pgina de
fofocas de celebridades, onde havia uma foto enorme de Serena e Flow entrando num txi
depois de sair do Gorgon no sbado  noite.
- Desculpe interromper, mas percebi que voc estava terminando a prova e fiquei me
perguntando se seria possvel pedir ao Flow para autografar isto - sussurrou ele. - Sou um
grande f dele. E seria timo se voc tambm autografasse.
Serena piscou. Primeiro, ela nem sabia que o Sr. Hanson era cool o bastante para saber
quem era Flow. Segundo, ela no tinha a inteno de pedir nada a Flow. E terceiro - Se
ligaaaa! Ela nem de longe estava terminando a prova!
- O Flow est em Baja - sussurrou ela de volta. - Tudo bem se s eu autografar? - Ela deu
uma olhada na sala, constrangida. A maioria das outras meninas tinha parado de escrever e
estava olhando para ela e para o Sr. Hanson ou conversando.
- Soube que Flow e Serena esto noivos - disse Nicki Burton  amiga Alicia Edwards. -
Eles vo se casar na vspera de Ano-novo, em Vegas. No Bellagio.
- O Post disse que eles se conheceram no Black-and-White no sbado - disse Isabel Coates
a Kati Farkas. - Mas no  bem verdade.
- Eles se conheceram na recuperao no ano passado, n? - disse Kati. - Flow ficou em
recuperao, tipo assim, uma dzia de vezes. Mas ela tambm.
Serena assinou seu nome e devolveu o jornal ao Sr. Hanson, esperando que ele no lhe
desse uma nota ruim em latim, agora que ela no pegara o autgrafo de Flow.
- Obrigado - sussurrou ele, examinando a assinatura dela. Ele sorriu todo animado. - Tenho
certeza de que vai valer uma fortuna um dia!
- De nada - disse Serena, sendo indulgente com ele. O zumbido na sala estava ficando cada
vez mais alto.
- Muito bem, meninas. De volta ao trabalho - gritou o Sr. Hanson asperamente enquanto
voltava  sua mesa na frente da sala.
Serena olhou para a prova novamente. Quando as foras armadas americanas entraram na
Segunda Guerra Mundial e por qu?
Mas, antes que pudesse comear a responder, chegou um enxame de dezenas de colegas da
turma, todas segurando exemplares do Post para ela autografar. O Sr. Hanson no podia
dizer a elas para parar quando foi ele prprio quem comeou tudo aquilo.
- Muito bem - disse ele, ignorando o olhar suplicante de Serena. - Darei a todas cinco
minutos a mais em nossa prova. Cinco minutos, e depois quero que voltem a suas carteiras.
- Primeiro eu! - gritou Rain Hoffstetter, estendendo seu exemplar do Post para Serena.
- No, eu! - foi a vez de Laura Salmon gritar, empurrando Rain para o lado.
Serena riu para si mesma de espanto. Quando voltou do internato dois meses antes, foi
considerada uma leprosa. E agora todo mundo queria seu autgrafo.
Ela hesitou, a caneta posicionada em cima da foto do exemplar de Laura. Depois ela
escreveu em sua tpica letra cheia de voltas: Pra voc que me ama, Serena.
sexo, amor e frankenstein

A prova de ingls dos formandos da Riverside Prep era notoriamente longa e dificil, mas
Dan no estava preocupado. Tinha lido Frankenstein de Mary Shelley duas vezes e
guardara a maioria dos poemas da Keats em sua memria antolgica. Alm disso, at
dormindo ele podia escrever um ensaio de ingls digno de um A.
Depois de construir ''Ode a um Rouxinol'' o mais completamente que pde, ele virou o
caderno de provas azul e comeou a escrever um novo poema que espetava que fosse se
transformar em algo que podia mandar a proposta para a universidade. Dan em geral nunca
escrevia nada que no fosse poemas de amor cheio de angtia. Este se intitulava ''Para
Vanessa'

Cortes de papel
Limes atirados
gua salgada em meus olhos
Ele estava experimentando uma nova forma de verso livre e no tinha muita certeza se
faziam algum sentido.

Seu rosto
Uma voz
Voc suaviza minhas arestas
E lubrifica meu motor
Lubrifica meu motor? No, isso parecia sexual demais e ele no queria dar a Vanessa
nenhuma idia no caso de ralmente mostrar o poema a ela. O que ele queria dizer era que
ela o inspirava. Dan olhou as palavras e tentou pensar numa forma melhor de dizer isso.
Depois ele arrancou a folha de papel do caderno e a amassou numa bola. Por que no
conseguia escrever nada de bom?
Dan sentiu que algum o observava e olhou para a esquerda, onde Chuck Bass, um dos
maiores babacas de sua turma, estava sentado. Na quinta srie, Chuck tinha sido um dos
garotos mais baixos da turma. Usava culos com aros de chifre e ternos marrons de veludo
e parecia que tinha de ir ao banheiro o tempo todo. Ele e Dan fizeram ingls juntos na
quinta srie e o professor pedira aos dois, em aula, para escreverem um poema sobre uma
parte do corpo. Chuck tinha uma redao criativa medonha e passou um bilhete a Dan
implorando para que Dan escrevesse um poema para ele. Escrever era fcil para Dan, ento
ele escreveu a primeira coisa que veio  mente, um poema sobre as mos dele e tudo o que
elas faziam por ele durante um dia. Ele deu o poema a Chuck, para que ele copiasse, e
depois preparou outro poema sobre sua prpria boca que nao tinha nem metade da
qualidade do primeiro. Chuck tirou A+ com o poema das mos e recebeu uma anotao da
professora que dizia, Viu oq ue pode fazer quando se concentra? , enquanto Dan
conseguiu um B com o poema da boca e uma anotao da professora que dizia, Sei que
voc pode fazer melhor.
No comeo, Dan no se importou. Pelo menos ele tinha ajudado um garoto que parecia
realmente precisar de ajuda. Mas um ano depois Chuck ficou 45 centmetros mais alto,
comeou a barbear e a usar o anel cor-de-rosa monogramado e o cachecol azul-marinho, e
se transformou num babaca srio, especialmente quando se tratava de garotas. Ele chegou a
tentar molestar a irmzinha de Dan, Jenny, em um reservado do banheiro numa festa no
ms passado.Dan deixava muito claro que odiava Chuck mortalmente, mas este no parecia
se importar. De vez em quando ele ainda pedia a Dan para ajud-lo no ingls, e Dan teria de
dizer a ele um ''foda-se'', de novo.
Agora mesmo Chuck estava olhando para o caderno azul de Dan, tentando ler o ensaio dele
sobre ''Ode a um Rouxinou'', Dan virou uma pgina em branco e escreveu, CONSEGUE
LER ISSO, BABACA? V SE FODER! em caracteres pretos gigantescos. Chuck espiou o
caderno azul de Dan e depois olhou para cimea e mostrou o dedo mdio a Dan
NO, foda-se VOC!, escreveu Dan e sublinhou duas vezes.
Antes de passar para a questo seguinte, Dan releu alguns verss de ''Ode a um Rouxinol''
em sua prova.

Secretamente escuto; e por muito tempo
Fui meio fascinado pela leveza da Morte.
Era o comeo perfeito de um poema para Vanessa. Ela era seu segredo. E isso era verdade,
Dan era meio apaixonado pela morte, do jeito que fumava feito uma chamin, raramente
comia e bebia baldes de caf. Vanessa o deixava so. Ela o mantinha vivo.
Dan pegou novamente a caneta e tentou pensar em uma forma potica mais sucista de
escrever a mesma coisa que Keats havia escrito, s que diferente. Mas, mesmo se
esforando muito, ele no conseguia pensar em outra maneira de dizer a mesma cosia que
fosse pelo menos boazinha. Em vez disso, ele leu a questo seguinte da prova.
Discutimos em aula os vrios significados simblicos da criatura semelhante ao homem
Frankstein, de Mary Shelley. Mas o que Frankstein significa para voc?
Dan olhou para a placa de Sada em vermelho vivo na porta do ginsio, pensando. Ele
sempre achou Frankstein muito assustador, ms tambm muito bonito, de certa forma.
Frankenstein no queria machucar ningum, mas no conseguia evitar - era um monstro.
De certa maneira, era como o prprio amor: horrvel e maravilhoso, apavorante e libertador,
arrepiante e triste, tudo ao mesmo tempo.
Tremendo de energia criativa, Dan virou a pagina em branco no verso de uma folha do
caderno azul e escreveu Para Vanessa novamente no alto da pgina. Depois escreveu o
primeiro verso:Voc  minha Frankenstein.
Ah, meu bem. Quer mesmo saber como era o segundo verso?

Vanessa estava sentada nos fundos do auditrio da Constance Billard School fazendo a
mesma prova de histria de Serena.
Discutimos em aula os vrios significados simblicos da criatura semelhante ao homem
Frankstein, de Mary Shelley. Mas o que Frankstein significa para voc?
Dan olhou para a placa de Sada em vermelho vivo na porta do ginsio, pensando. Ele
sempre achou Frankstein muito assustador, ms tambm muito bonito, de certa forma.
Frankenstein no queria machucar ningum, mas no conseguia evitar - era um monstro.
De certa maneira, era como o prprio amor: horrvel e maravilhoso, apavorante e libertador,
arrepiante e triste, tudo ao mesmo tempo.
Tremendo de energia criativa, Dan virou a pagina em branco no verso de uma folha do
caderno azul e escreveu Para Vanessa novamente no alto da pgina. Depois escreveu o
primeiro verso:Voc  minha Frankenstein.
Ah, meu bem. Quer mesmo saber como era o segundo verso?
Vanessa estava sentada nos fundos do auditrio da Constance Billard School fazendo a
mesma prova de histria de Serena. Tinha terminado a prova 45 minutos mais cedo e agora.
enquanto as tapadas das colegas da turma ainda estavam em volta de Serena como
abelhinhas operrias em torno da rainha s porque Serena tinha sido fotografada com
aquele vocalista inspido e analfabeto musical de uma banda de fim de semana, Vanessa
estava traando a rota de um filme sobre a cidade que ela esperava entregar  Universidade
de Nova York como parte de sua proposta. Foda-se a Page Six. Ia documentar a vida real
que rolava na cidade, as coisas verdadeiramente interessantes que aconteciam bem debaixo
do nariz das pessoas enquanto elas se ocupavam lendo a Page Six.Primeiro, ela queria
acordar antes do amanhecer e filmar os pescadores chegando ao porto para entregar o peixe
ao Fulton Fidh Market. O cheiro de peixe a deixava enjoada, mas era uma das coisas
perfeitas: ela podia acompanhar a viagem de um peixe do barco at o mercado, onde seria
vendido por, tipo assim, 65 cents o quilo e algum restaurante do uptown onde seria servido
incrustado de pistache com batatas vermelhas e manteiga de cogumelo selvagem por 29
dlares o prato. Uma anorxica duas vezes divorciada da Park Avenue o pediria, daria
somento algumas mordiscadas e depois o resto do prato seria jogado fora.
Era exatamente o tipo de ironia que Vanessa adorava: a ironia agridoce. Ela era pessimista
e Dan era um romntico, e ela no conseguia entender por que Dan tinha fiado to
perturbado com transar. Para ela, quanto mais Dan esperasse e quanto mais ele
superdimensionasse o sexo, escrevendo poemas sobre ele e perdendo o sono de
preocupao, mais estava destinado  decepo. Mas ela no conseguia pensar num jeito
delicado de faz-lo ver isso a no ser amarr-lo e arrancar as roupas dele. O que no
deixava de ser m idia.
Vanessa sorriu para si mesma e voltou os pensamentos para o filme.
Depois do mercado de peixes ela queria passar o dia com um daqueles tiras ciclicstas que
sempre estavam pedalando aos pares pelo Central Park e que nunca pareciam ligar que
todos os garotos no Sheep Meadow ficassem doides e bebessem cerveja sem ter idade para
isso. O que ela queria era descobrir era se eles j prenderam algum, ou se estavam
tentando tonificar os msculos das pernas com todas aquelas pedaladas. Na verdade, o
departamento de polcia provavelmente no deixaria que ela filmasse os policiais de
bicicleta sem alguma permisso, mas no era uma idia de todo ruim.
Por fim, ela queria sair com um vendedor de cachorro-quente. Ver a casa dele, a damlia
dele, o cachorro dele. Ver se ele tinha clientes regulares. Se talvez, enquanto esperava que
as pessoas comprassem cachorros-quentes, ele lia algum livro desafiador, tipo O arco-ris
da gravidade, de Thomas Pynchon, e sonhava em liderar homens um dia. Ou talvez ele s
fiasse feliz em ser um vendedor de cachorro-quente e em comer cachorro-quente todo dia
de graa.
Um movimento na frente da sala chamou a ateno de Vanessa. As lemingues da
Constance estavam se afastando da cadeira de Serena.
-Obrigado, meninas. E obrigado, Serena - gritou o Sr. Hanson. - Mais dez minutos.
Vanessa ficou olhando enquanto Serena voltava a seperar fervorosamente as pontas do
cabelo.
Serena e Dan deviam ter estrelado o filme Guerra e Paz de Vanessa no ltimo outubro.
Mas Dan tinha agifo como um idiota em torno de Serena e Vanessa no conseguiu suportar,
ento ela pediu a uma menina que mal sabia atuar para fazer o papel da protagonista.
Serenaentrou na de Dan tambm, mas s por cinco segundos. E, antes que Serena pudesse
causar muitos danos, Vanessa atacou com a cabea raspada, a gola rul preta e as botas de
combate para restabelecer seu corao partido.
Vanessa descruzou as pernas e as cruzou novamente. A idia de resgatar Dan de um mal
amor a fez querer transar com ele ainda mais. Ela suspirou impaciente. Nas frias, ela e
Dan iam passar muito tempo juntos com pouca superviso de adultos. Quer ele estivesse
pronto ou no, era s uma questo de tempo antes que fizessem.
T vendo? Apesar do jeito duro de Vanessa e de seu desdm por toda a espcie humana,
ela s no era outra garota curiosa de 17 anos. Somos todas iguais.
n no consegue parar de pensar na bunda de b

Nate estava almoando no Jackson Hole com Anthony Avuldsen, Charlie Dern e Jeremy
Scott Tornpkinson no intervalo entre as provas de clculo e de qumica. A prova de clculo
tinha sido pedreira total e todos estavam recarregando com hambrgueres, fritas e Cocas
para passar pela de qumica, que provavelmente seria muito pior. Nate pensava em como o
restaurante devia investir em alguns ventiladores de teto para afastar o cheiro de cebola frita
que pairava no ar. Ele tambm pensava em Jenny e em Blair daquela forma no muito
definida e despreocupada que tendia a usar na maioria das coisas.
No sabia de Jennifer desde a noite de sbado, o que era meio estranho, porque em geral ela
lhe mandava pequenas mensagens de texto cifradas pelo celular ou doces e-mails curtos
para o endereo dele na St. Jude's School. Talvez ela s estivesse ocupada estudando para
as provas.
Nate afastou o prato e tirou o Nokia do bolso. No doeria nada mandar para ela uma
mensagem de texto, s para manter o moral alto durante as provas.
Ai, quanta considerao.
Boa srt!, escreveu ele. Qnta trde te lv cmprs bj N.
Jeremu esticou os braos magros e virou a cabea para relaxar o pescoo.
-Ei, pra quem t mandando o torpedo, cara? - Ele era um garoto baixinho e meio parvo, to
magro que no conseguia manter a cala na cintura, mas compensava isso com o corte de
cabelo de astro do rock ingls e um jeito de falar de doido.
Nate deu os ombros.
-Nada que seja da sua conta.
Anthony enfiou um punhado de fritas ensopadas de ketchup na boca. Ele jogava em quase
todas as equipes esportivas do St. Jude's, ento podia comer fritas o dia todo e ainda
continuar sarado.
-Ei, eu notei que Blair estava bem gostosa no sbado  noite - disse ele.
Nate assentiu enquanto lhe vinha  cabea uma imagem da bunda malhada de Blair com o
vestido preto apertado. Blair estava mesmo bem.
-  claro que ela no tem as tetas da Jennifer - acrescentou Antonhy.
Os meninos tinham parado de sacanear Nate por sair com uma aluna da oitava srie h
algum tempo, mas de vez em quando faziam uma referncia aos peitos enormes de Jenny.
Era meio difcil no fazer.
Nate sorriu. Depois franziu a testa, tentando se lembrar de como Jennifer estava no sbado,
mas s o que vinha  cabea era uma confuso de cachos castanhos, o decote estupenso e
seu sorriso tmido.
Ele tomou alguns goles de Coca, semicerrando os lindos olhas verdes e pensando com
esforo.
O que, na verdade, acontecia muito raramente.
Era estranho, mas Nate nunca se sentou e realmente comparou as duas garotas. Ele gostava
muito de Jennifer - ela era menos exigente do que Blair e meio que o deixava com seus
prprios pensamentos, enquanto Blair sempre queria saber no que ele estava pensando ou
aonde ele ia e com quem. Jenny no o pressionava da forma como Blair o fazia, tipo for-
lo a se candidatar a Yale para que eles pudessem morar juntos perto do campus ou dar a ele
presentes caros para que ele se sentisse obrigado de retribuir o gesto e comprar alguma
coisa para ela tambm. E Jenny tinha aqueles peitos inacreditveis, enquanto os de Blair s
estavam meio ali. Eram legais, mas no eram espetaculares.
Apesar dos defeitos de Blair, contudo, ele sempre sentia que os dois realmente se
conheciam - afianl, eles foram criados juntos. E durante todo o tempo em que namoraram,
ele sentia que estava indo em direo a alguma coisa. Havia um destino, como o alfinete
vermelho que ele cravava nas cartas naticas quando estava em seu barco no porto de
algum lugar. O destino era em parte sexual - eles no fizeram de tudo, mas esse era o
prximo passo bvio. A vida dos dois andava no mesmo ritmo, separadamente, mas juntos,
como os flutuadores de um Hobie Cat. Os dois tinha 17 anos. Os dois iam se formar em
junho. Os dois iam para a faculdade no ano que vem.
Ele e Jennifer estavam em ritmos totalmente diferentes e infelizmente o sexo nem mesmo
estava no horizonte. Ela s tinha 14 anos. No ano que vem, e por mais dois anos depois
disso, ela ia vestir o uniforme e iria para a Constance Billard todo dia, enquanto ele estaria
na faculdade fazendo Deus sabe o qu. A maioria das pessoas ficaria desconcertada com a
diferena de idade, mas Nate achava isso meio reconfortante. Enquanto ele estivesse 
deriva nas guas desconhecidas do futuro, Jenny estaria seguramente ancorada em casa. Ele
podia escrever para ela, ou telefonar, ou voltar e v-la e nada teria mudado.
Charlie pegou o picles intacto com o garfo e o colocou no prato de Nate como um peixo
morto.
-Parece que voc est na secura. Acha que pdoe fazer a prova de qumica?
nate olhou para ele e apertou o saquinho pl[astico de maconha no bolso. Olhou o relgio.
-Que tal um fuminho rpido antes da gente ir?
Os outros trs garotos assentiram ansiosos. Nate sorriu e se levantou. Achava que tinha
resolvido alguma coisa em sua cabea, mas no tinha certeza do que era.
-Vamos nessa- disse ele.
talvez garotos sejam como roupas

Enquanto as aulas do segundo e do terceiro a no do secundrio da Constance Billard
comeavam as provas, Jenny estava na aula de sade, discutindo amor, sexo, xampu e as
peculiaridades do garotos, entre outras coisas.
Onze meninas sentavam-se em crculos no cho atrs de uma janela ensolarada no canto
aconchegante de uma sala que a escola projetara especialmente para aulas ntimas, como a
de sade da ltima srie da escola elementar. No cho havia um tapete felpudo carmim em
vez do carpete verde institucional que resvestia o cho do resto da escola. As paredes eram
pintadas em um animado azul-centurea, com as bordas em branco cintilantes. Havia um
pequeno quadro-negro sem moldura, com muito giz colorido, para a professora desenhar
diagramas; e, o mais importante, no haviam carteiras, permitindo que as meninas
relaxassem o corpo e realmente falassem o que lhes passasse pela cabea.
Quem dava aulas  turma era a Srta. Doherty, a professora de dana hippie New Age que
tinha 25 anos, um lindo corpo tonificado pela ioga, cabelo castanho-avermelhados
compridos e um rosto plido que sempre estava inteiramente sem maquiagem. Era a nica
professora no departamento de educao fsica que no era totalmente sapata, e as meninas
adorariam seu jeito tranquilo e aberto se no fosse pela tendncia que tinha de falar em
partes constrangedoras do corpo como se falasse do cachorro da famlia. A Srta. Doherty
deixava que as meninas escolhessem o tema de discusso, depois elas em geral passavam a
maior parte da aula falando de meninos.
-Sinceramente, no entendo como podemos conhecer gente do sexo oposto quando ficamos
a maior parte do tempo em ambientes totalmente de meninas - queixou-se Kim Swanson.
Ela passou as mos cuidadosamente nos cabelos castanhos perfeitamente tingidos, que
recebiam luzes uma vez por ms no John Barret Salon desde a segunda srie.
Jenny estava sentada perto de KIm, maravilhando-se porque tudo nela era perfeito. As
unhas bem-cuidadas, o brozeado artificial dourado, a base Chanel sutilmente aplicada,
sombras nos olhos e brilho nos lbios, brincos Cartier nas orelhas e a blusa de algodo
branco Agns B. Talvez, se Kim no passase tanto tempo se produzindo, tivesse mais
tempo para conhecer os meninos.
A Srta. Doherty deu um sorriso plcido e benevolente.
-Sei que  difcil, Kim - disse ela solidria. - S o que posso sugerir , envolva-se em
alguma daquelas atividades interescolares mistas, como teatro ou coral. E, se suas amigas
tm amigos meninos, no seja tmida...pea que apresentem a voc!
-Srta. Doherty, acha que a gente tem de se apaixonar pelo cara que fica com a gente? -
perguntou Jessica Soames, que parecia exatamente a Branca de Neve dos contos de fada, os
cabelos bem pretos, lbios cheios e vermelhos e olhos cinza de clios longos, embora
definitivamente no fosse pura como a neve. Jessica tinha menstruado na terceira srie e
diziam que tinha perdido a virgindade na quinta. Originalmente, ela  que tinha o maior
peito da turma, mas no ano passado os peitos de Jenny superara os de Jessica.
A Srta. Doherty enfiou uma mecha de cabelo teimosa atrs da orelha e alisou as
sobrancelhas castanhas, obviamente tentando prolongar a discusso. MAs, antes que
conseguisse fizer alguma coisa, a pequena Jenny Humphrey se manifestou.
-Tem, definitivamente. Quer dizer, talvez leve algum tempo para os dois perceberem que
esto apaixonados, mas se voc no estiver, ento acho que devia terminar.
A turma toda, inclusive a Srta. Doherty, a encarou. A Srta. Dohrty estava encarando porque
Jenny Humphrey nunca falava em aula e ela no sabia que Jenny era to cheia de opinies.
As meninas encaravam porque todas sabiam que Jenny conseguira roubar Nate Archibald
de Blair Waldorf, o que era mesmo surpreendente, e no havia como Jenny ter feito isso a
no ser que estivesse transando, e muito. Ser que Jenny Humphrey era ainda mais piranha,
secretamente, do que Jessica Soames? E agora ela admitia isso?
Quando percebeu que todas a olhavam, Jenny corou.
-Quer dizer, no acho que tenham de terminar se vocs ainda no disseram ''Eu te amo'',
porque talvez vocs ainda fiquem juntos e tudo e s estejam esperando o momento certo
para falar.
A Srta. Doherty assentiu e deu seu sorriso sem batom. O amor era um dos temas favoritos
dela.
-Na primeira vez em que voc se apaixona, pode ser difcil reconhecer. Algumas pessoas
confundem a paixo at com uma gripe!
Algumas meninas riram e Jenny sorriu para si mesma. Ela sabia do que a Srta. Doherty
estava falando. s vezes Jenny se sentia to tonta e fraca quando estava com Nate que bem
que podia ter uma pneumonia ou coisa assim.
A Srta. Doherty prosseguiu.
-Mas tambm no acho que voc tenha de se apaixonarpara ter um relacionamente. Voc s
tem 14 anos. No  que v se casar com o cara n? Voc est aprendendo a ficar com as
pessoas.  como experimentar roupas. Tem de experimentar todos os estilos e tamanhos
diferentes para ver qual deles fica melhor em voc.
Jenny franziu a testa. Ela no queria experimentar todos os estilos e tamanhos. S queria
Nate.
-Pera, est falando de transar com algum por quem no est apaixonada ou s tipo assim,
ficar? - perguntou Alicia Armstron maliciosamente. Ela torcia sua pulseita de couro rosa. -
Porque, tipo assim, eu realmente acho que voc deve estar apaixonada se vai transar.
-Ah, mas  claro que sim - concordou Jenny rapidamente, corou de novo.
O resto da turma a encarou outra vez. Ento ela estava admitindo que tinha transado com
Nate Archibald ou negando isso? Jenny nunca falava de sexo, mas agora percebia o que
Jessica queria dizer com ''ficar'' com um cara. Ela puxou um fio de l do tapete de carmim.
Para ela, o sexo nem era a questo. Era o amor. Quanto tempo deveria esperar antes de
dizer que a Nate que o amava? Quanto tempo deveria esperar que ele dissesse?
Ela levantou a mo novamente, mas Azaria Muniz levantou primeiro a dela.
-Srta. Doherty,  verdade que a gente deve alternar entre diferentes xampus, quando lava o
cabelo para no viciar? - Azaria tinha cabelos ondulados tingidos de mel que iam at o
traseiro, e o armrio dela era cheio de produtos para os cabelos.A.Srta. Doherty olhou para
Azaria meio confusa.
-No sou especialista no assunto, mas acho que, desde que voc use um bom produto com
ingredientes totalmente naturais que no causam dependncia, voc pode usar o mesmo
xampu o tempo todo. - Ela sorriu e se voltou para Jenny, ansiosa para retomar o assunsto do
amor. - Sim, Jenny? Voc levantou a mo?
Jenny olhou para o teto, escolhendo as palavras cuidadosamente. Mas antes que pudesse
comear, Jessica a interrompeu rudemente.
- verdade que toda a sensao est na parte final do pnis? - perguntou Jessica, as
sobrancelhas pretas unidas com seriedade, como se estivesse fazendo uma pergunta sobre a
descoberta do tomo.
O resto da turma irrompeu em risinhos. Jessica sempre fazia as perguntas mais ultrajantes,
mas no fundo todas as garotas gostavam quando ela perguntava.
-Jessica, por favor, no interrompa as colegas - disse a Srta. Doherty tranquilamente. - Mas
a resposta  sua pergunta  sim, a ponta do pnis  muito sensivel, mas a sensibilidade varia
de um pnis para outro. - Ela se virou para Jenny. - O que estava dizendo Jenny?
Jenny sentiu as bochechas ficarem vermelhas. Pnis, pnis, pnis! A palavra sempre a fazia
rir.
-Sim? - perguntou a Srta. Doherty.
Jenny cobriu a boca com a mo.
-Ah, no era nada.
Os olhos de Jessica se estreitaram.
-O que  to engraado, Jenny?  a parte mais sensvel de Nate? A ponta?
Jenny parou de sorrir cruzou os braos. Todo seu corpo ardeu num vermelho escuro.
-Lembre-se Jessica...sem citar nomes -alertou a Srta. Doherty. Ela ajeitou as pernas na
posio de ltus e pegarreou. - Quero lembrar a vocs novamente meninas, que nossas
discusses so totalmente confidenciais. Nada do que  dito aqui ser repetido fora de
grupo.
At parece Depois, como  que toda escola fica sabendo que Alicia Armstrong no usava
absorvente interno porque os pais dela acham que, se usar, no ser mais virgem?
Jenny no era idiota. Ela sabia que o que dissesse definitivamente seria repetido. Ento
decidiu que era mais seguro no falar nada que pudesse ser tomado da forma errada.
-Eu me lembro da primeira vez em quq vi um pnis de verdade - irrompeu Jessica, levando
o resto da turma a um frenesi de risadinhas mais uma vez. - Foi to assustador!
A Srta. Doherty deu um sorriso zen. Nem Jessica Soames ia fazer com que ela perdesse a
calma.
-Lembre-se - disse ela. - Este  um lugar para fazer perguntas...
-Eu no entendo toda aquela coisa de ereo. Como exatamente acontece? - perguntou Kim
Swanson.
- verdade que  a primeira coisa que os garotos tm quando acordam de manh? -
perguntou Roni Chang.
A Srta. Doherty suspirou. Quando estava comenaod a responder delicadamente s
perguntas, Jenny se desligou delas, preferindo se prender ao tema do amor.
Se os meninas eram como roupas, como disse a Srta. Doherty, ento Nate era como o
primeiro jeans Diesel que ela compara e s usava em ocasies especiais porque era to
lindo que no queria que ficasse sujo. Mas quanto mais o vestia mais o lavava, melhor ele
ficava, at que ela no podia viver sem ele- ele caa perfeitamente. E se ela sabia com tanta
certeza como se sentia com relao a Nate, ento que mal faria dizer a ele?
uma resposta extraordinria a uma pergunta comum

Blair tinha entregado seu rascunho de ensaio para a proposta a Yale mais cedo aquela
manh. Quando as provas de francs avanado e clculo avanado finalmente terminaram,
ela foi at a sala da orientadora universitria da Constance Billard para ver se a Srta. Glos j
o havia lido.
A Srta. Glos estava remexendo em suas pastas, as pernas supreendentemente longas
cruzadas com elegncia na altura dos joelhos.
- Ah, ol, Blair. Por que no se senta?
Blair estreitou os olhos e olhou criticamente para os sapatos ortopdicos horrorosos da Srta.
Glos. Que desperdcio ter pernas to boas para uma mulher mais velha e no ter
absolutamente nenhum gosto para sapatos. Ela se sentou na dura cadeira de madeira do
outro lado da mesa da Srta. Glos.
- Li seu ensaio. -A Srta. Glos vasculhou a pilha de pastas na mesa at encontrar a que
estava marcada com Waldorf. Depois franziu os lbios finos e deu uma pancadinha de leve
no nariz com um leno de papel.
A Srta. Glos sempre tinha sangramentos nasais e acreditava-se que tinha uma rara doena
contagiosa. Todas as meninas tinham medo de tocar o que ela lhes dava.
Blair ergueu as sobrancelhas escuras e bem delineadas.
- E?
A Srta. Glos olhou para ela. Seus cabelos cor de rato se encrespavam embaixo, roando no
queixo. Estava exatamente igual sempre que Blair a via e era evidentemente uma peruca.
- Acho que  melhor fazer outra tentativa se realmente fala a srio quando diz que quer ir
para Yale. Levou um minuto para Blair registrar o que a orientadora tinha dito.
- Mas ...
A Srta. Glos abriu a pasta de Blair e apontou para as pginas dentro dela com uma unha
comprida e de um amarelo asqueroso.
- Esse  um ensaio perfeitamente adequado sobre a vida de Audrey Hepburn - comeou ela.
- Mas no diz nada sobre voc. Voc precisa mostrar a Yale que voc pode escrever bem,
que pode pensar de forma criativa e que pode dar uma resposta extraordinria a uma
pergunta comum. - Ela devolveu o ensaio a Blair.
Blair segurou as seis pginas grampeadas entre o polegar e o indicador, as tmporas
latejando. Morria de vontade de dizer  Srta. Glos para se foder e comprar uma peruca nova
enquanto estava ali, mas ela sabia que a orientadora universitria era muito boa em seu
trabalho. E se algum podia ajud-Ia a entrar em Yale, esse algum era a Srta. Glos.
- Tudo bem - disse ela, concisamente. - Vou tentar
de novo.
- Boa menina. Procure no ser to literria. Mostre a eles
o quanto adora os filmes de Audrey Hepburn em vez de falar
deles.
Blair assentiu e se levantou. Ajeitou a saia, tentando manter compostura diante de um
insulto to ultrajante, agindo exatamente como imaginava que Audrey faria.
- Bom Natal para a senhora - acrescentou educadamente.
A Srta. Glos encostou o leno no nariz de novo e sorriu.
- Bom Natal, Blair.
Blair puxou a porta da salada orientadora universitria para fech-la e atirou seu ensaio
contaminado na lixeira de metal do corredor com um suspiro de irritao. Iria se divertir
tanto na praia em St. Barts. Serena ia ter de se virar sozinha, porque Blair ia ter de passar
toda a porra das frias trancada no quarto escrevendo o ensaio para Yale. Ela pensou em
escrever
Me deixa entrar, merda! em uma folha de papel e mandar para o escritrio de admisso de
Yale, mas, considerando o fato de que contou ao entrevistador toda a histria de sua vida e
depois o beijou, esta talvez no fosse uma boa idia.
Ela subiu a escada que levava ao quarto andar para pegar armrio seu casaco de esqui azul
Marc Jacobs, esbarrando com Kati Farkas e Isabel Coates na escada.
- Como foi na prova de francs? - perguntou Kati.
Tinha chovido essa manh quando ela estava indo para a escola, e seu cabelo louro
morango estava completamente crespo.
Blair achou que Kati parecia um poodle que fora atingido por um raio. Ela deu de ombros.
"Idiota." Afastou o cabelo do rosto com uma sacudida impaciente. Estava to enjoada de
falar de notas e escola e provas de cursos avanados que achou
que podia vomitar.
Isabel penteou o rabo-de-cavalo escuro e curto com os dedos e ergueu o queixo. Blair
sempre se fazia de superior quando falava das notas.
- Sei que parece meio de nerd, mas eu realmente fiz a reviso de histria do Sr. Noble
ontem, e acho que ajudou muito. Quer dizer, achei a prova certamente fcil.
E voc  uma verdadeira chata, observou Blair. O pai de Isabel era um ator de TV que
fazia principalmente narraes e tinha um sotaque britnico falso. Isabel tendia a imit-Io, e
era por isso que ela dizia coisas como "certamente fcil" em vez de "totalmente idiota", o
que fazia com que ela parecesse, bem, totalmente idiota.
Kati concordou com a cabea.
- Foi curto tambm. Mas voc viu a Serena? Ela nem terminou. Ainda estava sentada l,
tipo assim, encarando o cabelo quando samos.
 claro que ela deixou de fora a parte sobre Serena dar
autgrafos. De jeito nenhum ia admitir a Blair que pedira um
a Serena.
- Tenho certeza de que ela se deu bem - disse Blair com lealdade. Serena nunca estudava e
no estava nas turmas de estudos avanados, mas ela sempre conseguia se sair bem o
bastante para participar da aula e escrever artigos meio decentes. Ela era inteligente - todas
as meninas da Constance eram -, mas os professores dela se queixavam de ela no utilizar
todo o potencial desde que estava na segunda srie. Bem no fundo, Blair saboreava o fato
de Serena ser to pouco academica. Seria totalmente impossvel elas serem amigas se
Serena fosse linda daquele jeito e ainda por cima s tirasse A.
- E a, o que rolou entre voc e aquele cara, o Miles? perguntou Isabel.
Ela no conseguia acreditar naquelas duas. Da ltima vez em que vira Kati e Isabel, elas
tinham desmaiado de bbadas no banco traseiro de uma limo e Blair as rejeitara totalmente.
Agora elas estavam agindo como se quisessem ser grandes amigas de novo. Mas Blair no
ia ficar de papo com elas sobre um cara que provavelmente nunca veria de novo para que
elas pudessem espalhar a fofoca por toda a escola.
- Na verdade, nada - respondeu ela com indiferena.
- Ooooh - balbuciou Isabel. - Ela est to reservada. Isso significa que alguma coisa deve
ter acontecido.
Blair revirou os olhos.
- Tanto faz.
- E a, o que a Srta. Glos disse de seu ensaio para Yale? - perguntou Kati.
Esse era o problema de freqentar uma escola s de meninas: todo mundo sabia de tudo
sobre todo mundo. Isso deixava Blair insana.
- Ela gostou - mentiu Blair. Ela comeou a subir a escada novamente, o anelzinho de rubi
batendo no corrimo de metal enquanto ela andava. - A gente se v depois. Tenho de
comear a estudar para a prova de ingls.
- Pera! - gritou Isabel.
Blair se virou e esperou.
- O que ?
-  verdade que Serena e Flow esto noivos?
Blair mal conseguiu conter o riso. Ela sabia que devia contar a verdade a elas, mas seria
muito mais interessante no contar.
- - disse ela, sacudindo a cabea com um sorriso de
descrena. - No  uma loucura?
As duas meninas se olharam, claramente emocionadas com a confirmao que conseguiram
de uma fonte muito confivel para uma fofoca revolucionria.
- Ento ela ainda vai para o St. Barts com voc? - perguntou
Kati.
Blair assentiu e girou o anelzinho de rubi no dedo.
- Vamos planejar o casamento enquanto estivermos l.
- Ah, isso parece to divertido! - declarou Isabel com seu sotaque britnico mais detestvel.
Ela olhou para Kati e depois de novo para Blair. - Acha que ela vai nos convidar para
damas de honra?
Blair se virou e subiu sem esforo a escada, como Audrey em seu maravilhoso vestido
Givenchy durante a cena do desfile de moda de Cinderela em Paris.
- Talvez - disse ela. - Se vocs forem muito, muito legais com ela.

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advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

Tudo bem, ento fizemos as provas - agora  hora de esbanjar.

UMA LISTA DE PEDIDOS DE NATAL

1 chapu de pele de raposa Fendi, embora provavelmente v ser esquecido num txi um
dia, tarde da noite
1 bolsa de camura franjada Coach, boa para sair s com as chaves, carto de crdito e
brilho para os lbios. O que mais se precisaria?
Um ano inteiro marcado no Elizabeth Arden Red Door Salon para depilao facial, nas
sobrancelhas e na virilha, mscaras de algas marinhas, cortes de cabelo e luzes.
1 par de botas de couro caramelo. 1 par de botas de camura marrom-escuro. 1 par de botas
pretas na altura do joelho.
Tudo de Stephane Kelian e tudo com salto 10. No h nada como muitos pares de botas.
1 casaco de pele de cordeiro Fendi.
1 caixa extragrande de trufas de chocolate amargo da
Godiva - minha fraqueza. Bem, uma delas.
1 robe de banho TSE de cashmere branco e meia de cashmere combinando
Todos os clssicos de Hitchcoch em DVD
A aceitao na universidade
Uma vspera de Ano-novo totalmente transformadora!

Flagra

B pegando todos os livros sobre Audrey Heoburn na biblioteca de Manhattan. A e seu
amigo M passeando com o boxer de A ( um cachorro, e no um lutador), passando pela
constance Billard School for Girls e procurando pelas janelas octogonais do primeiro
andar - por quem, eu pergunto? S dando ao porteiro uma cesta cheia de baby barracudas.
Ser que as remessas dirias de Flow no esto meio exageradas? N ficando chapado com
os amigos no Sheep Meadow. J fazendo um carto de NAtal sensacional com glitter para
N na aula de arte. D se livrando de um se deus preciosos bloquinhos pretos em uma lixeira
na Broadway. O bloco de um escritor no  problemtico? V atormentando um pobre
vendedor inocente de cachorro-quente no Washington Square Park. K e I brigando por
um chapu de pele de raposa na Intermix.

Seu e-mail

P: Cara "Gossip Girl",
Andei tentando deduzir quem  vc desde q vc comeou este site. Acho q vc no falaria de
faculdades a no ser q fosse do terceiro ano. Sou s do primeiro ano, mas ando com todos
os veteranos cool. Ento, talvez vc no seja to cool como eu acho q . Ainda acho q vc
deve ser um professor de academia pervertido ou algum assim.
- jdwack

R: Caro jdwack,
Continue tentando deduzir quem eu sou, porque no vou contar a voc. Mas vou lhe
prometer o seguinte: eu no seria apanhada morta usando short cqui com um apito no
pescoo.
- GG

P: Oi, GG,
E a, o que acha daquele boato que rola por a de que Flow e S esto noivos?? Ela sempre
age cheia de mistrios, como se tivesse um grande segredo, ento  meio difcil de saber.
- ghost
R: Caro ghost,
Sei o que quer dizer - S mantm um silncio horroroso sobre Flow, se o boato for verdade.
Mas vamos ser realistas aqui. Ela s tem 17 anos. Mesmo que estejam noivos, duvido que o
casamento esteja prximo.
- GG
P: E a, GossipG,
No sei se B sabe disso, mas ouvi falar que o cara que ficou com ela no sbado  noite - o
amigo baterista do meio-irmo dela - vai passar as frias em St. Barts tambm.
- informante

R: Caro informante,
Caraca. Acho que B vai ter uma grande surpresa, e ela pode no gostar muito disso
tambm.

E FINALMENTE...

A! Que sentido tem ir para a escola depois das provas se nossas notas j no valem de
nada? Elas deviam deixar que a gente tivesse uma matria s, tipo almoo, ou sala de
estudos, ou teatro, em toda a primevera. Quer dizer, parece at que no tivemos uma folga!

Pra voc que me ama,
gossip girl
a barneys forma o carter

Na quinta-feira antes do Natal, a Constance Billard finalmente liberou as meninas para seus
luxuosos 12 dias de frias de meio de ano letivo. Depois da escola, Jenny se encontrou com
Nate na frente da Barneys. Ela estava usando um suter com capuz azul-beb, uma parca
preta com colarinho de pele falsa, o uniforme cinza supercurto da escola, um chapeuzinho
vermelho de plo de cabra com seus cachos escuros saindo por baixo e luvas de plo de
cabra vermelhas combinando. Estava adorvel e, no minuto em que a viu, Nate tirou a luva
da mo dela e lhe deu um beijo na palma. Tinha conseguido um enorme estoque de erva
para o Natal com seu fornecedor na pizzaria da 80 com a Madison, e estava de muito bom
humor.
- Senti sua falta - disse ele, os olhos verde-esmeralda brilhando no crepsculo de inverno.
O corao de Jenny comeou a saltar.
- Senti sua flata tambm - respondeu ela, as bochechas num rosa delicado. Ela tirou do
bolso da parca o carto de Natal que tinha feito para ele. - Tome.
Nate rasgou o envelope feito a mo. Ele olhou a figura que ela havia desenhado com
aquarela, carvo e caneta dourada, tentando entender o que era exatamente.
-  um boneco de neve segurando uma rena - explicou Jenny. - Meio uma combinao dos
estilos de Matisse e Picasso, mas no sei se deu certo.
Nate no entendia nada de Matisse e Picasso. Ele abriu o carto. FELIZ NATAL, NATE!,
diziam as letras maisculas em glitter dourado. Com amor, Jennifer. Nate sorriu e colocou
o carto no bolso do casaco.
- Obrigado.
Jenny passou o brao pelo dele e o levou para dentro da loja.
- E a, o que vai querer de Natal? Vou comprar seu presente primeiro.
Ela pegou mais 50 dlares emprestados com o pai, que realmente no eram nada perto de
todo o dinheiro que j devia a ele. Desde que comeou a namorar Nate, Jenny estava
gastando mais dinheiro do que em toda a sua vida.
Como qualquer garota lhe dir, cuidar da aparncia sai caro, mas tambm vale a pena.
No departamento masculino, Nate mostrou a ela um par de meias de l cinza merino.
- Que tal isso?
- Meias? Mas quero lhe dar alguma coisa especial. Alguma coisa com... esprito - insistiu
Jenny. Panache, era o que ela queria dizer. Panache. Tinha visto que se usava na Vogue, e
parecia to francs e to sofisticado.
Nate devolveu as meias e olhou a loja.
- S no quero que voc gaste muito dinheiro comigo, Jennifer.
Jenny sorriu exultante para ele, amando-o mais do que nunca. Ela adorava o modo como
ele a chamava de Jennifer. Adorava as pequenas mensagens de texto bonitinhas que ele lhe
mandava pelo celular. Adorava como ele fazia coisas, como beijar a mo dela. E, o melhor
de tudo, adorava a sensao que ele lhe dava com apenas algumas palavras com sua voz
sensual, como se ela fosse a garota mais sortuda da Barneys, e isso realmente significava
alguma coisa.
- No pode ser s meia - insistiu ela. - Tem de ser especial.
- T legal - respondeu Nate com um dar de ombros divertido. Era meio bonitinho que Jenny
quisesse comprar para ele alguma coisa mais significativa do que meias ou perfume. Ela era
to genuinamente generosa e nunca esperava nada em troca.
- Isso aqui? - Jenny ergueu um short de flanela de l escocesa com cordo. - Acho que deve
ser de pijama.
Nate franziu a testa.
-  meio gay - disse ele.
Jenny colocou o short de volta na prateleira.
- Tem razo. Desculpe - depois ela viu uma mesa com pilhas de cuecas samba-cano com
imagens em silk-screen no traseiro. Havia uma samba-cano com um veleiro vermelho em
silk. Que perfeito. Velejar era o barato de Nate. Ele at construa veleiros no Maine. A
cueca custava 60 dlares, e era mais do que ela pretendia gastar e meio demais para roupa
de baixo, mas Jenny estava disposta a abrir mo de dez dlares pelo cara que ela amava
mais do que qualquer pessoa ou qualquer outra coisa no mundo.
- Esta  muito legal - Nate ergueu a cueca e examinou o veleiro. - Mas acho que ningum
vai poder ver.
Um jato de rubor subiu pelo pescoo de Jenny quando ela pensou em ver Nate de cueca.
- No, mas tem de ser sua - insistiu ela. -  to totalmente voc.
Ela dobrou a cueca e a levou ao balco.
- Pode embrulhar para presente, por favor? - Ela se virou para Nate. -  mais divertido se
voc abrir como um presente de verdade. - Os olhos castanhos dela brilharam de excitao.
Jenny tinha um namorado lindo, comprou para ele um presente muito bacana e ele estava
sorrindo para ela daquele jeito que a fazia ter vontade de gritar: EU estou TO FELIZ! Ela
passou para Nate uma sacolinha preta da Barneys. - Feliz Hanykkah - disse ela toda alegre,
embora s fosse meio judia e Nate no fosse nada judeu.
- Obrigado, Jennifer - Nate no esperava encontrar alguma coisa de que realmente gostasse,
mas ele at achou a cueca bonitinha. Ele pegou a mo dela. - Agora vamos comprar uma
coisa para voc. Venha.
Ele a levou ao elevador e ao sexto andar. Jenny no sabia aonde estavam indo at que as
portas se abriram e eles saram no departamento de lingerie.
Ela hesitou. Imaginou que Nate compraria para ela alguma coisa bonitinha de Natal, tipo
um cachecol com uma rena idiota ou coisa parecida. Mas no lingerie.
- Escolha o que quiser - disse Nate.
Jenny olhou as prateleiras de lingerie importada feita a mo, o rosto vermelho de vergonha.
Ela sempre comprou suti Bali na Macy's porque tinha suporte extra e tiras extralargas para
evitar que o peso de seus peitos estupendos deixasse marcas nos ombros. Parecia que os
sutis da Barneys iam se esfrangalhar se ela colocasse s um peito neles, e ainda mais os
dois. No havia jeito de ela pegar um suti, um busti e nem mesmo um top. Primeiro, ela
morreria se Nate descobrisse o tamanho deles. Segundo, eles provavelmente nem faziam
coisas bonitas e de renda no tamanho dela.
Jenny queria poder dizer a Nate que no queria lingerie nenhuma, mas no queria ferir os
sentimentos dele. Em vez disso, ela pegou uma simples calcinha de seda branca La Perla
com costoura cor-de-rosa e um lao de cetim rosa no elstico.
- Esta aqui  legal.
- No quer um suti combinando com ela? - grasnou uma vendedora de uns 17 anos,
zanzando por ali para ajudar.
- No - Jenny praticamente gritou. Ela tirou a calcinha do cabide e doi at o balco para que
Nate pudesse pagar e eles sassem correndo dali.
A caixa pegou a calcinha e comeou a embrulh-la em papel.
- S o fio dental, senhorita? - perguntou ela.
Jenny olhou para a pea de seda branca nas mos da mulher. Podia ver que basicamente
faltava a rea da bunda.
No conseguiu deixar de olhar para Nate.
-  - guinchou ela. -  s isso.
- E queremos para presente, por favor - acrescentou Nate. Blair usava fio dental o tempo
todo. Ele no entendia por que Jenny estava to envergonhada.
Quando o embrulho ficou pronto, Nate o entregou a Jenny e a beijou no rosto.
- Feliz Natal.
Jenny ergueu os olhos do trecho do carpete creme que olhava fixamente e pegou a sacola.
Aqui estava outra coisa que ela adorava em Nate - ele no se espantava com coisas como
tangas fio dental. Era sempre calmo e frio.
Bem,  meio difcil no ser calmo quando se est chapado na maior parte do tempo.
Enquanto desciam pelo elevador, Jenny se perguntou o que deviam fazer agora. Ir para casa
e desfilar com os presentes um para o outro? S a idia de andar de um lado a outro diante
de Nate com a bunda de fora fazia Jenny querer morrer.
A porta do elevador se abriu.
- Eu estava pensando que a gente podia ir a p para o St. Regis - disse Nate enquanto
passavam pelo departamento de cosmticos, a caminho da sada da loja. O corao de
Jenny bateu erraticamente no peito. O St. Regis era um hotel. Ai, meu Deus.
- Tem um barzinho timo l. A gente podia tomar um chocolate quente ou coisa assim -
acrescentou Nate.
Parecia que ele genuinamente queria um chocolate quente, e no um showzinho ertico
num quarto de hotel. Jenny soltou um suspiro de alvio.
- Parece bom mesmo.
Mas, antes de chegarem  porta da frente, Nate viu duas meninas, uma de cabelos louros
puxados para cima num rabo-de-cavalo e outra com cabelos castanhos que caam pelas
costas.Eram Serena e Blair, paradas no balco da Este Lauder, bem no caminho deles.
Nate colocou o brao em torno de Jenny e comeou a lev-la na direo contrria, de volta
 loja masculina e para uma sada diferente. No que ele se importasse em ser visto com
ela.S seria mais fcil se no tivessem de falar com ningum, especialmente com a Blair.
Jenny hesitou e fez uma careta para ele.
- Pera. Aonde estamos indo? - perguntou ela, confusa.
- Hmmm, acho que talvez eu deva pegar um cinto novo na sada - disse Nate, esperando
que Blair e Serena ainda no os tivessem visto.
Tarde demais.
- Nate? - ele ouviu a voz de Serena atrs dele. - Ei, Natie!
Ele se virou devagar. O doce aroma de sndalo e lrio j estava enchendo suas narinas
enquanto ela atirava os braos nele. Ela o libertou e beijou Jenny no rosto.
- E a, o que compraram?
Jenny corou novamente.
- Hmmmm, nada demais.
Blair estava parada um pouco afastada deles, criticando em silncio a feia parca preta de
Jenny e seu chapu vermelho felpudo. Nate sorriu para ela.
- E a, Blair.
Blair suspendeu a bolsa Prada nos ombros e sacudiu o cabelo do rosto.
- Oi - disse ela a ningum em particular. Ela olhou brevemente para Jenny. - Oi, Ginny.
Feliz Natal.
Jenny segurava a bolsinha da Barneys atrs das costas, como se temesse que Blair pudesse
peg-la para ver o que tinha dentro.
- Feliz Natal- respondeu ela com a voz fraquinha.
Blair ficou to irritada em v-los fazendo compras de Natal juntos como um casal chatinho
e feliz que no conseguiu resistir a uma sacanagem.
- Talvez vocs possam nos ajudar - ela pareceu subitamente alegre. - Estamos comprando
presentes para Flow e Miles ... Sabe quem so, os caras que ficaram com a gente na outra
noite. Mas no sabemos bem o que levar. - Ela cutucou
o cotovelo de Serena. - Serena estava pensando em um perfume. Nate, se importa se a gente
testar em voc?
Nate no usava perfume e realmente queria dar o fora rapidinho
dali, mas no tinha capacidade intelectual para se livrar
da situao.
- Claro - respondeu ele sem entusiasmo.
Blair os levou para um balco e, antes que ele pudesse protestar, pegou a mo direita de
Nate e borrifou uma colnia Dolce & Gabana que ela sabia que cheirava a bunda e a queijo
blue mofado.
- O que voc acha? - perguntou ela, colocando a mo de Nate sob o nariz de Jenny.
Jenny comeou a espirrar.
- Sade - disse Serena.
Jenny espirrava sem parar. No conseguia se conter.
Nate estremeceu.
-  meio forte.
-  mesmo? E este aqui, ento? - Blair pegou a mo esquerda dele e borrifou Eau D'Orange
Verte, de Hermes. Era um aroma clssico e puro que ela adorava e s vezes ela mesma
usava, embora fosse masculino.
Nate cheirou a mo e de imediato foi tomado pela nostalgia, pensando nos tempos em que
se deitava na cama de Blair, beijando sua barriga nua e fazendo-a rir.
- Legal- disse ele, dando outra fungada.
O nariz de Jenny estava escorrendo. Ela o enxugou na luva. Serena pegou a mo esquerda
de Nate e a colocou sob o prprio nariz.
- Ah,  to totalmente voc, Nate - ela sorriu com sinceridade para Jenny. - Devia comprar
um desses para ele de Natal.  sensacional.
Jenny limpou o nariz de novo. No tinha mais dinheiro e, alm disso, j havia comprado
um presente muito melhor para Nate. Ela olhou para ele, esperando que ele dissesse a
mesma coisa e depois eles pudessem ir embora, mas Nate s ficou
parado ali, olhando para Blair, com as mos esticadas feito um boneco.
A dvida se esgueirou novamente no corao de Jenny.
Como Nate podia ser to maravilhoso quando estava sozinho com ela, mas quando estava
com outras pessoas ele ficava to ...Idiota?
Blair franziu o nariz.
- No sei no - murmurou ela. - Acho que talvez agente deva dar uma coisa mais pessoal.
- Tipo o qu? - perguntou Serena, entrando no jogo.
- Acabo de comprar para o Nate uma samba-cano legal com a estampa de um veleiro -
sugeriu Jenny cheia de esperana. - Tm outros diferentes. Vocs deviam ir l ver.
Nate riu timidamente.
- .  bem bacana.
Blair agarrou o frasco verde de amostra da colnia Hermes, pronta para atir-lo na cabea
de Jenny. Samba-cano? Essa putinha.
Serena viu que a brincadeirinha de Blair parecia estar se voltando contra ela.
- Vamos, Blair - ela cutucou levemente o cotovelo de Blair. -Vamos subir. Tem um biquni
que quero experimentar. Voc pode me dizer o que acha.
Blair colocou o frasco de perfume de volta no balco.
- T legal - retorquiu ela friamente.
- Vamos para St. Barts amanh. - Serena plantou um beijo no rosto de Nate. Depois se
abaixou e beijou Jenny.
- Mas a gente se v no Ano-novo, t bem?
Nate observou Blair remexer no anel de rubi no dedo. Ele deu um passo  frente, colocou a
mo na manga do casaco dela e a beijou no rosto.
- Feliz Natal, Blair.
As melhores atrizes sempre permanecem compostas diante de insultos.
- Feliz Natal - respondeu ela, mantendo o queixo erguido o mximo que era fisicamente
possvel sem cair de costas. Depois, com a maior pose que pde formar, ela se virou para os
elevadores nos fundos da loja, puxando Serena atrs de si.
Nate as viu partir, admirando o modo como os longos cabelos escuros de Blair caam nas
costas do casaco de cashmere azul-celeste. Ele ergueu a mo esquerda e respirou aquele
perfume puro e fresco que o lembrava da pele nua de Blair. Depois
se virou para Jenny. O pompom de cabelos crespos dela. A parca preta avantajada. As mos
miudinhas. O sorriso tmido. Foi um alvio Blair ter ido embora, para que ele parasse de
comparar as duas. Porque a verdade verdadeira era que no havia comparao.
Um frasco de perfume na forma de uma bailarina estava no balco de vidro atrs deles.
- Ei - disse Nate mudando de assunto. - J viu O quebra-nozes? - Jenny estudava arte, ento
provavelmente sabia tudo de bal.
Jenny sacudiu a cabea, tentando sorrir. Tinha ido ao Lincoln Center com a turma de
arquitetura e design, mas foi o mais perto que chegou de ver um bal de verdade.
- No, ainda no.
Isso no estava bom. Definitivamente no estava bom.
Nate tinha levado Blair para ver O quebra-nozes nos ltimos trs natais e, embora ele
soubesse que era muito idiota, sempre gostara. Era meio que uma viagem: na primeira cena,
durante uma festa de Natal, a rvore no palco era s uma rvore
normal de tamanho mdio. E a, depois que a menininha dorme e comea a sonhar, a rvore
sai do cho, transformando-se em uma rvore bombada de esterides - era maior at do que
a rvore do Rockefeller Center. E depois todos os brinquedos ganham vida e comeam a
brigar. Era sensacional.
Nate puxou o celular do bolso.
- Tem um jantar com seu pai amanh  noite, n?
Jenny assentiu.
- Ento vamos ver se eles tm entradas para a matin.
Jenny se apoiou no balco de perfumes, dominada por aqueles sintomas de gripe
novamente. Nate ia lev-Ia ao bal! Como ela poderia no amar Nate?
d tenta escrever sobre sexo de um jeito novo

Assim que as provas acabaram na quinta-feira, Dan foi para a cafeteria sino-cubana favorita
na Broadway e pediu um caf com leite e rolinho primavera. Depois pegou um novo bloco
preto e uma caneta esferogrfica preta. A semana toda ele ficou tentando escrever alguma
coisa meio decente para manter com a proposta para a universidade, mas tudo que escrevia
era um completo lixo. Ele nunca teve problemas para escrever
antes - em geral, as palavras simplesmente fluam dele.  claro que ele foi distrado pelas
provas, mas isso ainda no era justificativa. Ele estava com bloqueio de escritor.
Dan bebeu um gole, pingando gotas de caf com leite em toda a primeira pgina em branco
do bloco. De certa forma, ter bloqueio de escritor o associava aos grandes. Tolstoi teve.
Hemingway teve. Ele no tinha certeza se seus existencialistas franceses favoritos tiveram,
mas deduziu que provavelmente todos deviam passar por isso uma vez ou outra. Isso no
tornava as coisas menos dolorosas, porm. Na verdade, era excruciante.
Coitadinho, que alma atormentada.
Dan sabia, s de olhar para o velho bloco preto, que a ltima vez em que escrevera alguma
coisa de valor foi antes do Dia de Ao de Graas, antes que ele e Vanessa se beijassem
pela primeira vez e percebessem que estavam apaixonados.
Ele girou o rolinho primavera em um molho grosso de ameixa e deu uma mordida. Alm da
morte, o amor era seu tema favorito, mas, agora que estava amando, as palavras que usava
para escrever sobre ele pareciam superficiais e toscas. Se ele ao menos pudesse encontrar
um novo ngulo para abordar o tema do amor. Mergulhou o rolinho primavera no molho e
deu outra dentada. A gordura quente do rolinho escorreu pelo pulso. Uma garonete
esbarrou no cotovelo dele com o quadril e ele deixou cair o que restava do rolinho na
caneca, espalhando caf com leite por toda parte.
A maioria das pessoas se irritaria, mas para Dan foi um
momento de iluminao.
Sexo!, pensou ele. O sexo era a expresso fsica definitiva do amor, e era por isso, embora
nunca o tinha feito, que ele queria que acontecesse no momento certo, quando a nica
forma de dizer o que verdadeiramente queria dizer era fazer amor.
Dan tirou a tampa da caneta. Ele leu muita teoria crtica para saber que alguns dos maiores
clichs para escrever sobre sexo era usar imagens de flores desabrochando, o nascer do sol
e fogos de artifcio. Ele tambm sabia que era possvel fazer alguma coisa que no
parecesse sexual. Mas ele queria escrever sobre o sexo de formas novas e inesperadas.
Ele olhou para o rolinho primavera meio comido, marrom de caf, pensando.
Qualquer garoto normal que pensasse em sexo teria imediatamente pensado em tirar as
roupas da namorada. Contudo, Dan no era um garoto normal. Em vez de pensar em tirar as
roupas de Vanessa, ele pensava em palavras velhas, a no ser que fossem usadas de uma
forma sensual. E para fazer isso voc tem de parar de pensar em palavras e comear a
pensar em alguma coisa ou, ainda melhor, em algum. De preferncia em algum sem
roupa.
Mas Dan estava preso s palavras. Quanto mais agonizava sobre que palavras usar, mais
convencido ficava de que no podia escrever sobre sexo porque ainda no tinha feito. E se
ele no conseguisse escrever sobre sexo, no ia conseguir escrever sobre amor. E se no
conseguisse escrever sobre amor, na ia conseguir escrever mais nada.
Ser que o sexo era a cura para o bloqueio do escritor?
v descobre a victoria 's secret
Na quinta-feira depois da escola, Vanessa andava pela Broadway,
no Soho, filmando um travesti vestido com um macaco
de PVC preto e botas de PVC com salto plataforma 15, passeando
com um minsculo chihuahua preto enfiado num suler
laranja felpudo, quando foi parada na frente da Victoria's
Secret por uma mulher que distribua folhetos promocionais
Ipresentando a coleo de lingerie Very Sexy.
Compre dois sutis Vty Sexy e ganhe uma calcinha v-string ou
uma tanga combinando!, dizia o folheto.
Vanessa no sabia bem o que era uma v-string ou uma tanga. Ela comprava calcinhas de
algodo Hanes Her Way e tops da Rite Aid, e nunca tinha entrado na Victoria's Secreto Ela
olhou o pster da Gisele Bndchen usando a coleo Angels que enchia as vitrines.
Lingerie sem costura com um caimento
celestial ,dizia o pster. claro que qualquer coisa ficaria celestial em Gisele, mas ser que
ficaria bem nela?
Vanessa passou a ala da cmera no ombro e abriu a pesada
porta de vidro da loja, pensando que podia ser meio divertido descobrir.
Ela foi abordada assim que a porta se fechou atrs de si.
- Bem-vinda  Victoria's Secret - disse uma loura mignon
com um terninho preto apertado. - Posso ajud-Ia a encontrar
alguma coisa hoje?
Vanessa olhou para ela. Odiava vendedores que adejavam
em volta das pessoas.
- No - respondeu ela, dispensando a mulher. - S
estou dando uma olhada.
A mulher sorriu graciosamente.
- Tudo bem. S para voc saber, meu nome  Vanessa.
Vanessa olhou para ela, surpresa.
-  meu nome tambm - disse ela, sentindo-se meio
mal por ter sido to grosseira com a mulher. - Temos o mesmo
nome.
A Vanessa Loura sorriu radiante para ela.
- Mas que coincidncia! Bem, voc no vai esquecer meu
nome. Me chame se precisar de alguma coisa - depois ela se
virou para ajudar outra cliente.
Vanessa olhou a loja. Perfume e msica de cmara enchiam
o ar, e o carpete era de um vermelho aveludado profundo.
Mesas redondas cobertas de cetim vermelho tinham pilhas d
tangas e calcinhas em cores slidas, padronagens animais e
florais. Em cada parede havia prateleiras de sutis de renda,
cetim stretch e algodo. Havia corpetes, tangas, v-strings e
shortinhos. Anguas, bustis, ligas e cintas-ligas.
Vanessa nunca tinha visto tanto espao dedicado ao tipo
de vaidade de mulherzinha que ela sempre abominou. Mas
talvez, s talvez, um conjunto de suti de renda meia-taa Very
Sexy e uma tanga de renda fosse o tipo de coisa que ela precisava para ficar to irresistvel
para Dan, que ele teria seu momento
potico orgnico ou o que fosse que estivesse esperando
e decidisse que estava pronto para transar.
Ela foi a uma prateleira de sutis de renda vermelhos e vasulhou.
34B, 36C, 38D.
Nem mesmo sabia qual era o tamanho
dela. Debaixo da prateleira de sutis havia uma prateleira
de calcinhas de renda, mais para tiras de renda do que para
calcinhas - tiras extremamente pequenas. Vanessa examinou as
etiquetas. Ento isso era uma tanga. Bom, no pareciam assim
to ruins. Ela olhou em volta da sala, procurando pela xar loura.
- Decidiu se quer experimentar alguma coisa afinal?- perguntou a Vanessa Loura, saindo de
um balco  esquerda de' Vanessa, onde estava ocupada dobrando uma pilha de tangas de
algodo brancas.
Vanessa deu de ombros, desamparada.
- Hmmm, tem preto? - ela ergueu um suti meia-taa de renda vermelho Very Sexy.
- De que tamanho precisa? -perguntou a VanessaLoura.
Vanessa franziu a testa. Como podia ter chegado aos 17 anos sem saber qual era o tamanho
de seu suti?
No sei bem - murmurou ela quase inaudivelmente.
Vanessa Loura sorriu de um jeito benevolente.
- Vamos para uma sala de provas, e a vou medir voc.
Depois falamos do que est procurando. Vamos encontrar alguma coisa no estilo que voc
goste, que fique bem em seu corpo e seja confortvel tambm! O que acha? Vanessa
assentiu com relutncia. No gostava exatamente da idia de algum medir seus peitos e
no sabia o que queria, mas a Vanessa Loura parecia uma profissional e ela j havia ido
longe demais para desistir.
- Desde que seja preto - insistiu ela.
Ns sabemos, ns sabemos.
Gossipgirl.net
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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

AME SUA IRM, MAS NO DEMAIS

Chamou minha ateno que a gente no tenha ouvido um pio sobre o meio-irmo de
trancinhas de B, o adorvel A. Voc pode estar pensando que ele est ocupado demais
estudando para as provas e se reunindo com a nova banda. MAs no. Ele est se
escondendo. E eu estou quase convencida de que o motivo para ele se esconder  porque
ele est lidando com uns problemas srios. O mais recente deles  que ele convidou seu
amigo baterista M para ir com ele para o St. Barts, e desconfio de que o motivo para ele
fazer isso  que M manter B ocupada e fora de sua vista.

Seu e-mail

P: Cara GG,
So da turma de sade de J e sei que ela est fazendo terapia por causa da obsesso que tem
com umbigos. Ela, tipo assim, tem de ir ao banheiro toda hora pra ter certeza de que o dela
ainda est l, e quando trocamos de roupa para a aula de educao fsica ela sempre olha
para o de todo mundo.  mesmo uma aberrao.
- ronisays

R: Oi, ronasays,
E da, qual  o problema? Umbigos so sensuais. Pelo menos o meu .
- GG

P: Oi, GG,
S estava pensando que voc gostaria de saber que eu acho que moro no mesmo prdio da
B que voc sempre fala, e s vezes eu pego a correspondncia dela por engano. A me dela
recebe toneladas de cartas da New Beginnings, que  ou uma clnica de fertilidade ou um
centro de aconselhamento para drogas e lcool. Eu procurei na lista telefnica.
- peekaboo

R: Oi, peekaboo,
Vamos esperar que ela s d dinheiro a eles e no use realmente seus servios.
- GG
Flagra

S dando ao porteiro um boneco de neve de chocolate slido com um metro de altura
embrulhado em papel dourado da Godiva. Flow realmente est exagerando, a no ser que S
tenha outro admirador - ela joga os cartes fora sem nem mesmo ler. D olhando a gua no
per da 79, procurando por inspirao. V em um bar em Billyburg, testando sua nova figura
aprimorada pela Victoria's Secret, talvez? B e S saindo do J. Sisters Salon, depois de
fazer depilao com cera para o St. Barts.

Parece que vai ser surpreendente por l!
Tenham frias maravilhosas e no se esqueam de se divertir como loucos. Eu sei que vou.
Vejo vocs l!



Pra voc que me ama,

gossip girl
b est presa na classe econmica, atraindo homens como moscas

Blair Waldorf, Ensaio da Proposta para a Universidade de Yale, 23 de dezembro

O que eu mais gosto na persona de cinema de Audrey Hepburn  que ela  altiva e
acessvel ao mesmo tempo. Ela paira, mas tem os ps no cho.  misteriosa, mas aberta.

Blair parou de digitar e pressionou o backspace de seu iBook at que todas as palavras
fossem apagadas. Persona de cinema? Que diabos era isso? Fazia com que ela parecesse
alguma anormal que banca a cineastra, como Vanessa Abrams, a de cabea raspada e
joelhos gordos da turma de cinema. O caso era que Blair tinha de escrever sobre Audrey
Hepburn como aparecia nos filmes, e no como uma pessoa real, porque Blair sinceramente
no sabia tanto sobre a verdadeira Audrey, a no ser que tinha parado de usar Givenchy
quando ficou mais velha, cortou todo o cabelo e s usava cala cqui e gola rul preta o
tempo todo. Blair tinha pegado um monte de livros sobre Audrey Hepburn na biblioteca,
mas nem passou do primeiro captulo. No queria saber dos problemas de colite de Audrey,
nem de seu trabalho no UNICEF. Era muito mais interessante imaginar como tinha sido a
vida de Audrey do que ler sobre a vida real.
- O que est escrevendo? - perguntou Miles, completando o suco de laranja com uma
minigarrafa de vodca Smirnoff.
Aaron tinha convidado Miles para passar o Natal com ele no St. Barts e decidiu no contar
a Blair at que se encontrassem no balco do check-in da United Airlines. Era bastante
bvio que o nico motivo para Miles ter ido era porque ele achava que passaria todo o
tempo da viagem com Blair. Mas Blair estava decidida a fazer com que ele entendesse,
antes mesmo da aterrisagem, que ele havia cometido um triste erro.
- Nada - retrucou ela sem olhar para ele.
Eles tiveram de sair do apartamento na pssima hora das 7:45 da manh. Agora era uma da
tarde e o avio ainda estava a uma hora de St. Barts. Aaron estava dormindo- ou talvez
estivesse s fingindo, para no ter de ver Miles dando em cima de Blair. Serena estava
ouvindo Coldplay no discman, aliviada por estar longe da inundao constante de presentes
de Flow. Tyler jogava xadrez em seu Game Boy e estava de mau humor, poque no ltimo
minuto a me de seu amigo, o prncipe Rolf von Wurtzel, decidiu no deixar que Rolf fosse
para St. Barts com Tyler porque o jovem prncipe alemo tinha um problema constrangedor
de fazer xixi na cama. Blair mexeu os cubos de gelo de sua bebida com um canudinho de
plstico marrom. Graas a Deus pelos pequenos privilgios.
- Tentei falar com voc a semana toda - disse Miles enquanto reclinava a poltrona numa
tentativa de esticar as pernas compridas. Para grande consternao de Blair, todos estavam
espremidos feito sardinhas na classe econmica. - Mas eu devo ter escrito seu nmero
errado ou coisa assim.
Blair continuou com os olhos na tela do computador. No, respondeu ela em silncio. Eu 
que dei a voc o nmero errado.
Miles estendeu o brao e passou os dedos pelas pontas do cabelo de Blair.
- Senti saudade - sussurrou ele.
Ela olhou para ele, sem sorrir, e afastou os olhos novamente, perguntando-se o que Audrey
Hepburn faria nessa situao desagradvel.
Sabe aqueles fanticos religiosos que tm adesivos no carro que dizem: "O que Jesus
faria?" Bem, Blair tinha um parecido que dizia: "O que Audrey faria?"
No  que ela tivesse alguma coisa errada contra Miles. Ele no era um seboso e usava
roupas Armani maravilhosas. Ele era bonito e era amigo de Aaron, que tambm era um cara
legal, embora, se ela pudesse escolher, no teria meio-irmo nenhum. Blair devia ter se
sentido lisonjeada com a ateno de Miles, e talvez se sentisse, se estivesse com humor
para azarar o cara. Mas a realidade era que,  uma da tarde, espremida na classe econmica
de um avio pequeno e vagabundo, com o computador no colo e o cabelo sujo num rabo-
de-cavalo, ela no estava com vontade de paquerar ningum.
- Com licena, senhorita, estaria interessada em um exemplar da Vogue brtnica?-
perguntou o comissrio de bordo da primeira classe. Ele parecia um Pierce Brosnan mais
novo e mais alto e, se no estivesse usando um uniforme United Arlines, bem que podia ser
um gato.
Blair pegou a revista. Percebeu que o comissrio de bordo no estava passando a revista a
todos na classe econmica, s ela.
- Posso lhe servir uma bebida? Champanha?- ofereceu ele com uma pscadela.
Blair largou a revista no cho. No dava para ele ver que ela estava ocupada?
- No, obrigada- respondeu ela.
Miles entregou o copo vazio de vodka com suco de laranja ao comissrio.
- Vou querer outro desse.
O comissrio de bordo pegou o copo, olhando irritado porque tinha perguntado
especificamente a Blair se ela queria alguma coisa e agora ia ter de bancar o garom para o
arrogante adolescente sentado ao lado dela.
Miles voltou a mexer na ponta dos cabelos de Blair.
- No vai ler a revista?
Blair queria dizer a ele para enfiar a revista no rabo de Armani dele, mas ela sabia que
nessa situao Audrey permaneceria calma e continuaria a fazer o que estava fazendo na
esperana de que o impertinente entendesse a dica e a deixasse em paz.
Ela voltou sua ateno para o ensaio. O que queria dizer era que Audrey tinha todas as
qualidades que Blair achava que uma mulher devia ter. Estilo, beleza, graa, inteligncia,
espirituosidade, coragem e um certo mistrio que faziam com que os homens se
apaixonassem por ela. Mas Blair no era idiota. No podia dizer em sua proposta para Yale
que o motivo de admirar Audrey Hepbrun era qe ela era irresistvel para os homens-
especialmente depois de Blair ter beijado o entrevistador.
A Srta. Glos tinha dito a ela para no ser literria demais. Blair colocou os dedos no teclado
novamente e comeou a digitar, deixando que as palavras flussem, sem planejar o que ia
dizer.

s vezes eu sonho que sou Audrey Hepburn. Snto-me mais leve e mais pura, e falo com o
mesmo sotaque elegante dela. Audrey fazia tudo parecer mais fcil. Ela nunca teve provas
de estudos avanados, nem teve de reescrever um ensaio imbecil para uma proposta de
universidade. Nunca teve de sair de frias com a me nem com o padrasto gordo e
irritante, nem com o irritante e excitadinho amigo do meio-irmo. O namorado dela nunca
a trocou por uma garota de dez anos. E, mesmo quando tinha problemas, ela os guardava
para si mesma e lidava com eles sozinha, em vez de contar a todos no mundo, inclusive ao
entrevistador de Yale. Quando eu sou a Audrey sinto que posso dominar o mundo.

Blair releu o que tinha escrito e depois marcou o pargrafo todo e o deletou. Quando eu sou
Audrey eu sou uma psicopata era mais adequado.
"E es um lindo dia na regio, enquanto comeamos nossa descida a St. Barts", a profunda
voz do capito saiu do sistema de voz do avio. "Quero aproveitar para agradecer a todos
por voarem conosco hoje. Especialmente quero agradecer  linda morena na 24B. Tenham
timas festas, e espero que escolham a United novamente sempre que viajarem."
Vinte e quatro B. Blair olhou para a pequena etiqueta no teto. Era o lugar dela. Ela
imaginou que o piloto deu em cima dela ou ele deu mesmo?
Miles ainda estava afagando os cabelos dela. O comissrio de bordo voltou com o drinque
de Miles e uma taa de champanha para Blair, embora ela tivesse dito que no queria.
- Com os cumprimentos do piloto- disse o comissrio de bordo com um sorriso malicioso.
Blair se sentiu como Mia Farrow em Alice, o filme de Woody Allen que o Sr. Beckham
fizera a turma ver no uma vez s, mas duas. No filme, Alice- aquela obtusa me da Park
Avenue- foi a um lugar estranho em Chinatown, onde comeu aquelas ervas daninhas
chinesas interessantes que atraam os homens feito moscas.
Como nunca recusa uma bebida quando lhe  estendida, Blair pegou a taa de champanha e
fechou o laptop, enfiou-o na pasta Louis Vuitton e a colocou debaixo do assento da frente.
O avio estava comeando a descer, e o lado de fora da janela o mar quente do Caribe
brilhava promissor. Blair girou o anel de rubi repetidamente no dedo, ansiosa para colocar o
novo biquni preto Gucci e ir  praia, ficar longe de tudo e de todos.
Aaron abriu os olhos e se endireitou na poltrona, bloqueando sua viso. Ele sorriu para ela.
- Terminou seu ensaio?
- V se foder- respondeu Blair.

d est pronto, ou no

- Mais curry!- rosnou Rufus Humphrey para o molho de tomate depois de prov-lo.- Mais
rum!- Era sexta-feira  tarde e sua farra anual de feriado devia comear em uma hora.
- Mas, pai, a lasanha no devia ser italiana?- argumentou Dan.
O pai dele vincou as bastas sobrancelhas grisalhas e limpou as mos sujas de molho na
camiseta SAVE THE COMMIES! branca e suja.
- Quando foi que voc virou po-duro?- Ele acenou uma colher de pau acima da cabea
dele.- No existem regras, s possibilidades!
Dan deu de ombros e colocou alguns copos de rum escuro no molho. No surpreendia que
todos sempre delirassem com a lasanha do pai dele. Depois de algumas mordidas, ficavam
num porre completo.
- E a, quem  o cara que sua irm convidou?- perguntou Rufus. Ele usava palavras como
cara para zombar da forma como Dan e Jenny falavam. Era totalmente irritante.
O nome dele  Nate- disse Da distraidamente.-  muito legal- acrescentou ele, embora
tivesse muita certeza de que o pai desprezaria Nate, que usava camisa plo e tinha um corte
de cabelo caro. Usava sapatos e cinto de couro, e em geral estava to chapado que no
podia ter uma conversa sem irromper em uma risadinha asinina no meio dela. Mas Da no
se preocupou em explicar isso ao pai. Estava distrado demais com o fato de que Vanessa ia
chegar a qualuqer minuto e ele quase se convencera a dizer a ela que queria transar.
- Bem, vamos esperar que esse Nate goste da Lasanha Punjabi- gracejou Rufus, enchendo
chianti a caneca gigante de caf dos Mets.
A campainha da porta tocou e Rufus correu para receber o velho amigo, Lyle Gross, que ele
tinha conhecido no parque vinte anos antes. Lyle era um daqueles caras que no
envelhecem, e sempre os vemos sentados em um banco de parque, ouvindo um jogo dos
Mets no rdio porttil e estudando um exemplar de semanas do Daily News que tinha
encontrado no lixo. Era um escritor, disse ele, embora Dan nunca tenha visto nenhuma
prova disso.
- Trouxe uvas- anunciou Lyle. Tinha penteado o cabelo grisalho sobre a careca e usava um
suter amarelo-mostarda, cala de l marrom e um tnis Nike branco. Havia feridas em
todo o pescoo, onde ele se cortou enquanto se barbeava. Era meio difcil olhar para ele.-
Oi, Danielson!
- Oi.- disse Dan. Lyle sempre acrescentava uns floreios ao nome das pessoas.
Provavelmente ele achava que era hilrio, mas Dan no via nenhuma graa nisso.
Rufus pegou as uvas e as atirou para Dan.
- Coloque umas dessas a dentro tambm- ordenou ele.
- Tudo bem.- desconfiado, Dan pegou algumas umas do saco e colocou no molho. A essa
altura ele podia jogar um dos ccs de Marx ali que ningum ia notar. Marx era seu gato
obeso, que agora estava esparramado na mesa da cozinha, entre um baguete e uma rodela
enorme de queijo parmeso.
Enquanto Rufus e Lyle estavam na sala escolhendo um vinil da colao de Rufus, Dan
mexou o molho com a mo trmula, perguntando-se como exatamente devia mencionar o
assunto sexo com Vanessa. Ele disse a ela que queria que fosse orgnico, mas a quem ele
estava enganando? Agora s o que queria era que acabasse rpido, para que pudesse voltar
a escrever, porque estava enjoado de ficar olhando o bloquinho preto com a cabea to
branca e vazia quanto a folha de papel.
Dan mexeu o molho cada vez mais rpido, at que o grude vermelho de tomate transbordou
da beira da panela. Ele simplesmente ia ter de falar de estalo e esperava que Vanessa no
risse dele.
v est no lugar certo na hora errada

Vanessa j devia estar na casa de Dan, mas tinha carregado todo o equipamento de cinema
comj ela, e foi uma pedreira - primeiro no metr da linha L de Williamsburg para a 14
Oeste e depois na linha E para o Central Park -, e a tarde estava to bonita que seria uma
pena no filmar alguma coisa enquanto estava na rua. Tinha nevado na noite anterior e os
caminhos do parque estavam congelados e escorregadios. A caminho do lago congelado,
Vanessa queria ter colocado a nova roupa ntima Victoria's Secret na bolsa em vez de estar
usando debaixo das roupas. A renda parecia fria na pele e estava arranhando em todos os
lugares errados.
Depois do lago havia um imenso carvalho, os ramos caindo com os pingentes de gelo.
Vanessa pegou a cmera da caixa. Podia filmar os pingentes e us-los nos crditos de
abertura do ensaio cinematogrfico sobre Nova York. Que maneira bacana de introduzir o
filme. Por um momento, as pessoas pensariam que tinha sido rodado numa serena rea
rural. Depois ela cortaria para alguma coisa distintamente urbana, como carregadores de
carne desembarcando carcaas sangrentas na West Street.
Ela perdeu tempo com as lentes, tentando fazer um close dos pingentes e depois voltando a
uma panormica. Parecia meio National Geographic fazer isso de outra forma. Dan sempre
lhe dizia que ela precisava ter mais ao nos filmes, mas Vanessa insistia em que cinema
era exatamente como poesia. Nada tinha de acontecer necessariamente; s era preciso sentir
alguma coisa.
E enquanto Vanessa estava parada na neve, na margem do lago congelado, tentando
capturar a beleza momentnea e perfeita dos pingentes de gelo, ela definitivamente sentiu
uma coisa: uma tanga preta de renda congelando na bunda.
Naquela tarde, Nate tinha levado Jenny para ver a matin de O quebra-nozes no Lincoln
Center. Foi exatamente como Nate se lembrava, com a enorme rvore de Natal e os
espantosos camundongos em tamanho natural brigando. Jenny ficou sentada maravilhada,
fascinada pela msica, pelo cenrio, bailarinos e o figurino - especialmente a Fada do
Acar. O corao dela ficou a ponto de explodir no fim, quando Clara e seu prncipe
Quebra-nozes vo para o cu num tren puxado por cavalos.
Depois, Jenny e Nate deviam seguir direto  casa dela para o jantar de Rufus, mas no
havia uma forma mais perfeita de destruir uma tarde do que ir a p para a casa do pai, que,
com aquela camiseta dele, estava na cozinha despejando rum e um frasco de ketchup
tamanho econmico em uma panela. Nate fora to perfeito o dia todo, segurando a mo
dela e apontando para as partes preferidas do bal. At a aparncia dele era perfeita, no
palet de cashmere cinza e camisa azul de pervinca.
Ento, em vez disso, Jenny decidiu ir para casa pelo caminho mais longo, atravs do
Central Park.
Quando chegaram ao caminho para o lago dos barcos, ela pegou a mo de Nate e apertou.
Suas botas pretas de camura tinham um solado liso e ela escorregava no gelo. Agora que
no estava mais distrada pelo bal, ela no conseguiu deixar de perceber a estranha
sensao de irritao na bunda. Em silncio ela lembrou a si mesma para relaxar - no
estava com a calcinha enfiada, s estava usando a nova tanga.
A mo livre de Nate estava agarrada ao saquinho de erva no bolso do palet de l,
mantendo-a aquecida. No havia nada pior do que erva congelada. Fica toda ensopada e faz
uma fumaa tremenda quando voc acende. Ele pretendia acender assim que sassem do
bal, mas havia alguma coisa de surreal e bonita no sol mergulhando na neve e no calor da
mo de Jenny na sua que o fez no se incomodar em apertar um. Ele s queria conversar.
-  um saco ter de ir para o Maine amanh - disse ele. - Mas j terminei minha proposta
para a universidade, ento vai ser bom ir para um lugar tranqilo. Meu entrevistador na
Brown disse que eles tm um curso novo bacana chamado Estudos de Cincia e
Tecnologia. Eu estava pensando que, se for para l, eu podia desenhar barcos como parte da
minha graduao.
Jenny assentiu, concentrada nos ps. Ela no queria que Nate viajasse amanh. No queria
que ele fosse para a universidade tambm.
O lago estava  vista agora. Na primavera, Nate gostava de ficar no gazebo, apertar um e
olhar os patos e os filhotinhos nadando por ali. O lago agora estaria totalmente congelado.
Talvez eles at pudessem andar nele.
-  estranho - continuou ele. - Nessa poca, no ano passado, eu sabia exatamente onde
estaria no ano seguinte: aqui, na cidade, indo para a escola e zanzando com os amigos,
como sempre fiz. Mas no tenho idia de onde vou estar no ano que vem.  muito louco.
Jenny voltou a olhar para Nate, perguntando-se como ele reagiria se ela lhe dissesse agora
mesmo que o amava. O rosto dele estava rosado do frio, bem como a ponta das orelhas
adorveis e perfeitas. Ele era to lindo que Jenny tinha vontade de gritar sempre que olhava
para ele.
- Estou usando o fio dental-Jenny soltou antes que conseguisse se conter. Ela comeou a
andar mais rpido. No conseguia acreditar que tinha dito isso!
- Pera. O qu? - Nate acelerou o passo para acompanh-la. Nem tinha ouvido o que ela
disse.
Jenny soltou a mo dele.
- Estou usando o fio dental! - exclamou ela, agora um pouco mais alto. Depois ela riu e
comeou a correr, escorregando e deslizando pelo morro at o lago congelado.
Nate ouviu dessa vez. Ele soltou o saquinho e comeou a correr atrs dela.
- Volte aqui! Eu querro ver essa tanga! - gritou ele com voz de vampiro.
Jenny guinchou e continuou a correr. Os olhos dela lacrimejavam do frio e a respirao
estava presa na garganta.
Nate a perseguiu por todo o gelo coberto de neve, onde os ps de Jenny escapuliram
debaixo dela, caindo estatelada sob um grande carvalho enfeitado com longos pingentes de
gelo cristalino. Ele se atirou em cima dela como uma bomba e os
dois rolaram, rindo sem flego e grudando neve nos cabelos.
Nate virou Jenny de bruos e puxou o casaco dela.
- Deixe eu ver, deixe eu ver! - gritou ele, segurando a cala de veludo preto de Jenny por
trs e puxando-as para baixo para ter um vislumbre da bunda nua.
- Pera! - gritou Jenny, rindo e guinchando. Ela fechou os olhos com fora, incapaz de
prender por mais tempo. Espere. Nate, eu te amo.
Nate se interrompeu por um momento, absorvendo a informao.
Depois, em vez de vir-la, beij-la e dizer que tambm a amava, ele soprou ruidosamente
uma das bochechas rosadas e bonitinhas do traseiro dela e depois a virou de costas,
exalando nuvens de ar quente para o frio cu azul.
Jenny ficou estatelada por mais uns segundos, recuperando o flego. Depois se colocou de
p e arrumou as roupas.
Estava feliz por finalmente ter falado, mas teria sido muito mais legal se Nate dissesse a
mesma coisa. Ele devia ter dito "Eu te amo" e depois a levado em um tren a cavalo para a
terra do nuncca.
Mas s o que Nate fez foi dar um pum-de-boca na bunda pelada de Jenny.
- Voc no est usando a cueca com o veleiro, est? - perguntou ela cheia de esperana,
tentando manter a brincadeira
como tinha comeado.
- Sei l. - Nate desabotoou o cinto. Arriou as calas at os quadris. -Xadrez azul. Desculpe.
- Tudo bem - respondeu Jenny rapidamente, puxando casaco em volta do corpo. - Ei - disse
ela, mudando o assunto. - Vamos at a esttua de Romeu e Julieta.  a minha favorita e fica
no caminho.
Nate passava muito tempo no parque, mas no tinha idia do que ela estava falando.
- Que esttua de Romeu e Julieta?
Jenny esfregou os braos com as mos.
- Deixa pra l.Vou mostrar a voc quando a gente chegar.
-Est com frio? - perguntou Nate, apoiando-se nos cotovelos e pegando a mo dela. -
Venha c. Jenny hesitou por um segundo e depois se abaixou. Nate a puxou para cima dele
e passou os braos dela por baixo de seu casaco, beijando a testa e depois cada uma das
bochechas rosadas e frias dela. Ela passou os lbios no queixo dele e no conseguiu resistir
a dizer de novo. Talvez, s talvez, ele no tivesse ouvido da primeira vez.
-Eu te amo - sussurrou ela.
Desta vez Nate tinha de responder. Ele estava abraado com ela e Jenny olhava nos olhos
verdes dele com seus grandes olhos castanhos, esperando.
E eles tinham acabado de assistir ao Quebra-nozes, pelo amor de Deus, que era uma
histria de amor, para o caso de voc no se lembrar.
- Eu tambm te amo - murmurou ele.
Depois eles se beijaram por um longo tempo. O chapu vermelho de Jenny caiu e seus
cachos castanho-escuros tombaram no rosto, escondendo-o.
Mas no muito bem.
Dan tinha dito a Vanessa que os filmes dela precisavam de mais ao. Bem, aqui havia
definitivamente alguma ao. Sim, os pingentes de gelo eram timos, soberbos. Mas
quantas vezes voc via uma mulher com a bunda de fora na neve? Quantas vezes voc via
um cara totalmente arrumadinho arriando a cala em plena luz do dia no meio do inverno?
E quantas vezes voc via um casal rolando dentro do mesmo casaco em pleno lago
congelado no meio da cidade mais movimentada do mundo? Se ao menos Vanessa tivesse
um helicptero, ela teria sobrevoado e filmado o caminho, subindo depois at que o casal
fosse s um pontinho no meio da grade de Manhattan. Mas ela no tinha helicptero, ento
teria de ser criativa na montagem. O melhor de tudo era que ela no tinha dado um zoom
completo no rosto do casal, ento eles podiam ser quaisquer pessoas de quaisquer idades -
voc com o seu namorado, ou sua av com o namorado dela. Era pura poesia, rude e bela.
Ela mal podia esperar para mostrar a Dan.
Espere a. Ser que vai fazer isso antes ou depois de mostrar a ele o que ela tem embaixo da
gola rul preta e da saia de l preta?

Ia isla bonita

O resort Isle de IaPaix, na ilha de St. Barts, era o tipo de lugar aonde vo as celebridades
que querem se esconder e as mulheres de meia-idade da sociedade de Nova York que
querem e recuperar de uma cirurgia plstica. A no ser que seja algum ou conhea algum,
voc no pode se hospedar ali. Mas por mero acaso Cyrus Rose, o padrasto de Blair, tinha
uma construtora que havia feito o resort, e assim as trs vilas que ele e a me de Blair
reservaram para a famlia eram as melhores de todas. A vila de Blair e Serena tinha um
deque envolvendo a casa do qual podiam ver a piscina do resort, onde mulheres com mais
de quarenta anos com peitos cirurgicamente aumentados e coxas cirurgicamente reduzidas
deitavam-se em espreguiadeiras usando culos de sol enormes e mais sem ala, fingindo
ler revistas de moda francesas enquanto tomavam um porre com o ponche de rum da casa.
Uma das mulheres tinha um pequeno bichon fris, e at o cachorro usava culos de sol. Do
outro lado do deque, elas podiam ver o trecho perfeito de areia branca da praia, onde as
mulheres mais novas estavam tomando sol de topless e os homens velejavam
despreocupadamente em pranchas de windsurfe, fingindo no ver. O mar era to claro e
num tom de azul-esverdeado to perfeito que parecia falso.
Serena se sentou na varanda, fumando um Gitane e folheando a Elle francesa, esperando
que Blair se arrumasse antes de encontrarem os outros na sala de jantar para um almoo
tardio. Ela j havia lavado os cabelos, que caam nos ombros nus e nas costas de seu top
amarelo Diane von Furstenberg. Depois do banho, ela passou uma loo Lancme de auto
bronzeamento em todo o corpo e a pele j havia adquirido um castanho dourado saudvel.
A minscula minissaia de brim
Agnes B. mal cobria as coxas, e nos ps estava um par de sandlias de tiras brancas de
couro incrustadas de cristais.
Perto da grade do deque, um beija-flor sugava o plen de um hibisco, adejando de uma flor
a outra. Serena se perguntou por que no ficava numa s flor e tomava um bom e longo
drinque em vez de ficar se mexendo tanto.
Boa pergunta.
- Ol? Perdo? - Serena ouviu um homem dizer com um sotaque francs. Ela apagou o
cigarro com a sola da sandlia e se levantou. Um cara usando uma camiseta Isle de Ia Paix
estava parado ao p da escada do deque, segurando um enorme buqu de flores tropicais
raras. - a e'est pour vous,
mademoiselle - anunciou ele, levando as flores para cima e entregando-as a Serena.
Meu Deus. Ser que Flow tinha espies ou coisa assim? Como foi que ele a encontrou?
Serena pegou as flores e as cheirou.
- Obrigada.
- De nada - respondeu ele. Ele estava quase se virando quando Blair abriu a porta de tela da
vila e saiu para o deque.
-  melhor que minha me tenha uma conta no bar disse ela a Serena antes mesmo de
perceber o c.ara.Blair estava usando um tomara-que-caia de jrsei de seda bege que era
praticamente da mesma cor de seu bronzeado Lancme. De longe, parecia que estava
completamente nua. Nos ps havia
um par de sandlias vermelhas de borracha que tinha comprado na drugstore, e ela colocou
um anel de diamante falso no dedo do p esquerdo, experimentando um novo visual lixo-
endinheirado. Ela percebeu o cara do resort olhando para ela. - Sim? - perguntou. - Parlez-
vous anglais?
O cara pareceu envergonhado.
- Desculpe. Eu s queria dizer "bem-vindas" s duas garotas mais bonitas da ilha.
Felizmente, o sotaque dele era muito sensual. Era a nica forma de ele poder sair dessa
dizendo alguma coisa completamente brega.
- Obrigada. A gente se v depois - acrescentou Blair, dispensando-o.
- Desfrute das flores, mademoiselle - disse o cara, assentindo para Serena. Depois ele riu
para Blair novamente e saiu.
Blair penteou os cabelos com os dedos e espiou o mar. J estava ficando meio entediante
levar cantada de cada homem por que passava.
Serena colocou as flores na mesa de rattan no meio do deque.
- De quem so? - perguntou Blair.
Serena deu de ombros.
- No acho que voc deva perguntar.
Blair foi at a mesa e pegou o carto do vaso quadrado de vidro onde estavam as flores.
- "Tenha frias maravilhosas e no se estresse demais com os planos de casamento" -leu ela
em voz alta. - "Com amor, suas queridas amigas K e L"
Blair e Serena se olharam e explodiram numa gargalhada.
Serena estava realmente aliviada por descobrir que talvez Flow no tenha lhe mandado
todos aqueles presentes. O boneco de neve de chocolate e o cesto cheio de baby barracudas,
por exemplo. Talvez Kati e Isabel tenham mandado estes tambm.
Vamos - ela pegou o brao de Blair, puxando-a para a escada da vila. -Vamos deixar Cyrus
nos pagar uma bebida!
Aaron e Miles j estavam no bar jogando gamo e tentando fazer com que Tyler comesse
mexilho frito. A me de Blair e Cyrus ainda estavam velejando no iate de algum, ento
no os tinham visto ainda.
O salo de jantar do resort no era realmente um salo, sim um grande deque coberto de
frente para a praia e o mar perfeitamente azul-esverdeado. De um lado do deque, havia um
bar de bambu e vidro, com bancos de couro branco. Muito tropical chique moderno.
- Duas Cocas com rum, por favor - disse Blair em francs ao bartender. O bom em estar
numa ilha francesa era que voc no precisava se preocupar em mostrar identidade.
No que ela mostrasse a dela com muita freqncia.
Serena pegou o drinque e bateu o copo no de Blair.
- A ns - brindou ela. Depois as duas atiraram a cabea para trs e beberam de um gole s.
- Uau - murmurou Miles, olhando Blair com admirao. Ele tinha vestido a cala cargo
preta Armani e uma camisa plo cinza-cimento Armani e parecia plido, agora que estava
fora da cidade. - Como fazem isso sem arrotar depois como um motorista de caminho?
Blair riu e limpou os lbios com as costas da mo.
- Prtica.
Aaron sacudiu a cabea. Suas trancinhas pareciam mais adequadas agora, com a praia ao
fundo. Ele enfiou as mos nos bolsos do short cargo verde-oliva.
- No sei bem se isso  motivo de orgulho.
Blair revirou os olhos.
- At parece que voc nunca bebe.
Aaron deu de ombros.
- Eu bebo. S que prefiro beber gua quando estou com sede.
Tyler deu uma dentada no mexilho e depois o cuspiu no guardanapo do coquetel.
- E Blair bebe todas - brincou ele.
Blair estava prestes a bater nele, mas ento viu sua me e Cyrus andando pelas docas.
Cyrus segurava o cotovelo de Eleanor como se estivesse preocupado de ela tropear. Se
fosse qualquer outra pessoa, Blair podia ter pensado que era doce, mas em sua opinio nada
do que Cyrus fazia era doce.
Eleanor usava um vestido berrante rosa e verde Lilly Pulitzer coberto de sapos brancos que
seria melhor se fosse todo de uma cor e cobrisse um pouco mais suas pernas no muito
magras. Os cabelos com luzes estavam presos com uma faixa de linho
branco, e seu rosto estava profundamente bronzeado. Cyrus estava com cala de linho
vermelha de prega e uma camisa plo listrada de azul-marinho e branco. O rosto dele
estava vermelho e brilhava, e ele no poderia parecer mais porcino.
O que significa "como um porco", para os que se deram mal no teste de aptido verbal.
Eleanor Waldorf Rose guinchou quando os viu ali no bar.
- Oi, meninos! - gritou ela, correndo e dando um abrao apertado em Tyler.Ela o largou e se
atirou em Blair.  Senti muitas saudades de vocs. E tenho tanta coisa para contar!
Serena sorriu educadamente.
- Oi, Sra. Rose - a me de Blair era meio excntrica, mas era muito menos arrogante que a
me de Serena.
Cyrus apertou a mo de Aaron.
-  bom ver voc, filho. Meu advogado no me ligou, ento acho que voc e Blair
conseguiram no incendiar o prdio enquanto estvamos fora.
Aaron riu.
- Ah, incendiamos. Estamos construindo um novo pra voc agora. Vai ver quando voltar.
Vai ficar muito legal.
Blair decidiu se divertir um pouco tambm. Ou talvez ela s estivesse bbada.
- E eu estou grvida - disse ela. Ela ps o brao em volta de Miles. - Este  Miles. Ele  o
pai.
O riso desapareceu do rosto de Aaron.
- Desde quando voc  comediante?  perguntou Eleanor, empinando a cabea de surpresa
para o senso de humor obsceno da filha.
Blair tirou o brao dos ombros de Miles e disparou para a me um sorriso torto.
- Desde que fui expulsa da Constance.
Serena riu.
-  uma cascateira.
Cyrus pegou Blair com a pata carnuda e a puxou para um abrao.
- Algum est de bom humor! - disse ele.
No mais.
Largando Blair, Cyrus fez sinal para o bartender.
- Champanha para todos!
Blair estremeceu. Que coisa mais brega.
Eleanor deu um tapinha na barriga.
- Para mim no, querido.
Desde quando ela recusava champanha?
- Sobra mais para ns - Cyrus piscou para Blair e passou as taas para Aaron, Blair, Serena,
Miles e Tyler. Deu a Eleanor uma taa de soda e depois ergueu a taa na frente dele. - A
nossa grande famlia feliz - brindou ele, rindo feito um idiota.
Blair j havia tido o bastante de famlia por hoje.
- Podemos sentar para comer? - gemeu ela.  Estou faminta - no tinha vomitado desde que
a me e Cyrus partiram, mas estava com a sensao de que qualquer coisa que comesse
hoje no ia ficar nela por muito tempo.
Eles foram em bando para o salo de jantar ao ar livre e se sentaram em uma das banquetas
brancas de couro. Um ventilador circulava preguiosamente no teto e uma leve brisa
soprava pelas folhas das palmeiras em volta. Todos, exceto Aaron, pediram hambrgueres.
Era um restaurante francs e no havia um nico prato vegetariano no cardpio.
- S quero salada e fritas - disse ele ao garom, acendendo um de seus cigarros naturais
especiais.
- Tivemos uma lua-de-mel maravilhosa - falou Eleanor entusiasmada, passando manteiga
num pozinho e devorando-o como se estivesse presa numa ilha h semanas sem comida
nenhuma. Ela engordou tanto desde que saiu em lua-de-mel que Blair se perguntou se devia
dar um toque. Mas estou feliz que vocs tenham vindo, meninos.
Cyrus apertou o brao dela.
- E sua me e eu temos uma grande surpresa para vocs - disse ele, os olhos azuis mais
bulbos os do que nunca.
Eleanor colocou os dedos cheios de diamantes nos quadris gordos.
- Shhh - disse ela. - S no Natal.
Aaron sentiu o joelho de Blair tocar sua perna por baixo da mesa e, em vez de se afastar,
ele o deixou ali. Era um de seus pequenos prazeres desvirtuados - o esbarro casual do
joelho, a mo dela roando a dele quando ela pegava o po, o hlito dela em sua orelha
quando ela suspirava de tdio.
Ele sabia que Blair tinha acabado de tomar banho, embora o cabelo dela estivesse seco,
porque ela cheirava a seu xampu favorito, de coco, da Kiehl. Ele tambm percebeu que a
pele dela estava mais dourada do que quando estavam no avio, ento ela obviamente usou
algum tipo de loo de bronzeamento logo depois que chegou. Ele sabia que as unhas dela
estavam pintadas de rosa-claro e que ela estava sem relgio. E ele se odiou por perceber
estas coisas, porque eram coisas que um irmo no devia reparar.
Tyler encarava desanimado sua Coca-Cola. Queria ter um selo de discos um dia e fazer
clips para a MTV. No s era um saco ter s 11anos de idade e ter de passar as frias com a
famlia em vez de ir para a Ozzfest, como tambm todos os outros tinham um amigo ali
menos ele.
- No esquenta, cara - disse Aaron, percebendo o lbio inferior projetado do meio-irmo. -
Assim que a gente comer, Miles e eu vamos levar voc pra fazer jet-ski.
Tyler pescou uma palha do copo e tentou acend-la com o Zippo de Aaron.
- Legal - disse ele, tentando manter a imagem de mau enquanto usava short cqui de pregas
absurdamente nerd e uma blusa Lacoste verde.
Ento a comida chegou, e Cyrus e Eleanor comearam a falar dos pontos altos do cruzeiro
de lua-de-mel. Na semana passada eles subiram um vulco e viram raias-lixa na Martinica.
Em St.Johns, Cyrus comprou para Eleanor um broche de coral e diamante que tinha sido
encontrado em um navio naufragado.E em Virgin Gorda eles tomaram coquetis com
Albert Finney, que supostamente era um ator antigo muito famoso de que nenhum deles
jamais ouvira falar.
Serena se desligou. Ela e Blair estavam sentadas de frente para a praia, e no cu acima da
gua um hidroavio fez um loop e mergulhou. Logo ficou evidente que o avio escrevia
letras no cu. Como faziam isso?E no seria divertido se o piloto fosse semi-analfabeto?
Ela semicerrou os olhos enquanto lia a palavra se desenhando no cu, supondo que seria em
francs.
S-E-R-E-N-A.
A mo de Serena voou para a boca e ela cutucou Blair com fora no cotovelo. Blair cutucou
Serena com a mesma fora. Ela pegou um cartozinho branco dobrado, colocado no centro
da mesa, e entregou a Serena.
Os dedos de Serena estavam tremendo enquanto ela lia a tipologia dourada impressa no
carto:
Por favor,faam suas reservas para a Isle de Ia Paix
Festa de Natal apresentando o 45
De oito  meia-noite
Serena pegou a mo de Blair e apertou. A nica coisa que manteria as duas ss nesse Natal
era ficarem de porre juntas.
- Ah, olha! - sibilou Eleanor, fazendo com que Serena e Blair saltassem na cadeira. Ela
apontou para a mesa de recepo do restaurante. - So Misty e Bartholomew Bass! Ela
baixou a voz para um sussurro. - Ouvi dizer que Misty removeu o fgado... ela tem um
problema terrvel com a bebida... mas eu acho que ela est bem. Eu me pergunto se eles
vieram para c de barco. Que maneira inteligente de ficar a seco. Quer dizer, no se pode
beber muito em um barco se no levar nenhuma bebida alcolica.
Misty e Bartholomew Bass, pais do infame Chuck Bass, estavam dando entrada no hotel,
uma pilha de malas Louis Vuitton aos ps deles. Blair e Serena esperaram que Chuck
aparecesse atrs dos pais - seria muita sorte delas -, mas no havia sinal dele.
- Foi o apndice dela, me - disse Blair depois de um minuto. Parecia que Chuck tinha
ficado em casa, graas a Deus. - Ela teve apendicite. No foi grande coisa.
- Bem, no foi o que eu soube - insistiu Eleanor. -De qualquer forma, no sei se eles vo
passar o Natal aqui. Ela olhou em volta no restaurante, afagando o broche de diamante e
coral com a ponta dos dedos. - Eu soube que algumas celebridades costumam ficar aqui
tambm, embora no tenha visto nenhuma que eu reconhecesse.
Cyrus a fez se calar colocando uma batata frita na boca de Eleanor.
- S para ter certeza de que est consumindo todas as vitaminas e sais minerais, querida -
disse ele amorosamente.
Blair tinha certeza absoluta de que a me no precisava de mais batata frita e tambm tinha
certeza absoluta de que no queria ficar sentada ali vendo Cyrus alimentar a me. Isso lhe
dava uma vontade ainda maior de vomitar.
- Com licena - murmurou Blair e disparou da mesa em busca do banheiro das mulheres
mais prximo.
Todos estavam to acostumados com as sadas repentinas de Blair que ningum deu a
mnima para isso, mas Serena odiava pensar em Blair no banheiro forando o vmito. Ela
deixou o guardanapo de pano sobre o hambrguer intocado.
- Obrigada pelo almoo - disse ela com a voz fraca. Depois se levantou e correu atrs de
Blair para ver se ela estava bem, mantendo os adorveis cabelos louros para baixo no caso
de Flow estar ali por perto, espiando por trs de uma palmeira.

quem realmente quer saber da victoria's secret?

- Espere s para ver o que acabei de comprar - disse Vanessa Dan enquanto se sentava a
mesa da sala de jantar do pai dele.
Jennye Nate ainda nao tinham chegado, mas Rufus havia bebido vinho tinto demais e
estava ansioso para comer. -  totalmente maluco. Vai ficar muito orgulhoso de mim.
- Voce  cineasta, Vanessamonda? - perguntou Lyle, O amigo do pai de Dan, servindo-se
de um pouco de lasanha.
- Que tipo de filmes voce faz?
Vanessa bebeu um gole de gua.
- Em preto-e-branco. Sabe como , Sem muita ao.
Lyle encheu o resto do prato com feijoes assados, O acompanhamento que Rufus tinha
escolhido para servir com a lasanha.
- Filmes de arte, hein?
Vanessa assentiu.
- Acho que sim.
- Estou mais para os filmes de aventura. J viu A mumia?
Para mim,  um filme perfeito.
Mas Vanessa nao estava ouvindo. Nate e Jenny tinham acabado de chegar e estavam
tirando o casaco no vestibulo.
- Desculpe, pai - Jenny estava sem flego, tirando o chapu. Vanessa reconheceu o chapeu
imediatamente. Era vermelho e felpudo, como o da garota no parque. E Nate estava usando
um casaco azul-marinho comprido, como o do cara no parque. Ele tambem tinha o mesmo
jeito de mauricinho e os mesmos cabelos castanho-dourados. Vanessa baixou o garfo.
Epa.
- Pai, esse e o Nate - disse Jenny, levando Nate para a mesa. Ela parecia estar danando em
volta da mesa, beijando todo mundo ali. Nao sabia que era possvel ficar tao feliz. Nate
tinha dito que a amava!
Nate apertou a mo do pai dela.
- Prazer em conhece-Io, Sr. Humphrey.
Rufus estava de boca cheia e usou o vinho para ajudar a engolir.
- Nate, meu rapaz, voce  o motivo de minha filha ter pegado mais de quatrocentos dlares
emprestado comigo no ultimo ms  timo finalmente conhecer voc - Rufus afastou da
mesa a cadeira ao lado da dele. - Venha, sente-se.
Jenny estava tao alvoroada que nem se importou de o pai te-la constrangido. Ela s
esperava que ele fosse legal com Nate.
- Entao, diga-me, Nate - tornou Rufus, servindo o vinho de um galo na taa de Nate. -
Qual  a sua?
Nate sorriu. O pai de Jennifer parecia legal.
- Barcos - respondeu ele. - Meus pais tem uma casa em Mount Desert, no Maine. Eu e meu
pai fazemos barcos e velejamos la.
Dan esperava que Rufus comeasse a devorar Nate vivo, esbravejando sobre o egosmo da
classe ociosa e a inutilidade de coisas como veleiros, mas Rufus parecia estar fascinado e
continuou fazendo perguntas a Nate.
Normalmente, uma hipocrisia dessas teria deixado Dan maluco, mas ele tambem estava
distrafdo demais com o que queria dizer a Vanessa para se incomodar com seu pai falando
merda com um chapado mimado como o Nate. Ele pegou sua lasanha. Mais dez minutos e
ia pedir licena para que ele e Vanessa pudessem "conversar" em seu quarto.
De repente, Rufus bateu na mesa.
- Um momento, todos me passem os pratos. Acho que essa lasanha teria um gosto muito
melhor se estivesse flambada.
- Pai - gemeu Jenny. Ele ia envergonha-la totalmente.
Era inevitavel.
Nate passou o prato a Rufus, que acendeu um fsforo e deixou cair na lasanha de Nate.
Tinha tanto rum no molho que a lasanha pegou fogo.
-  isso a! - exclamou Nate.
Rufus riu alegremente e Jenny passou o prato para ele, um largo sorriso de excitao preso
no rosto. Parecia que eles estavam noivando!
Dan nao conseguiu aguentar mais. Virou-se e inclinou a cabea para Vanessa.
- Posso falar com voce um minuto? - Ele estava muito nervoso, as mos tremiam.
- Tudo bem - rebateu Vanessa, de repente nervosa tambm.Ser que ousaria ir adiante com
isso e mostraria os trajes novos a ele? Lyle pegou o prato dela e ele voltou em chamas.
- Obrigada - murmurou ela distrada.
Dan se levantou.
- Vamos.
Vanessa pegou a bolsa e o seguiu pelo longo corredor at o quarto.O partamento dos
Humphreys era uma daquelas relquias alugadas que no eram reformadas desde a dcada
de 1940.
Era grande e sujo, com o piso de madeira rachado e a pintura descascando nas paredes, e
cheirava a sapato velho e a encadernao mofada. Dan uma vez encontrou um baralho
que fora impresso em 1955, ainda lacrado, em uma prateleira do escritrio do pai. Todos os
reis pareciam Elvis Presley. Eram espantosos.
- E a?- comeou Dan desajeitadamente enquanto fechava a porta do quarto. - Eu queria te
dizer uma coisa.
Vanessa sentou-se no chao e desamarrou os cadaros da bota de combate. Se ia continuar
com aquilo, tinha de fazer rpido, antes que parasse e pensasse no assunto.
- Arr - ela tirou as meias de la e enfiou nas botas. Duas noites atrs, ela deixou a irm,
Ruby, pintar as unhas dos ps dela de marrom-chocolate. Ainda estavam muito boas. Ela se
levantou e desabotoou o cardiga preto.
Dan foi ate a mesa e pegou o ultimo bloco preto, pensando que talvez, se mostrasse a
Vanessa como sua poesia estava ruim, ela entenderia por que ele tinha de transar. Ele
folheou as paginas. Estavam cheias de comeos de poemas como: voc  minha
Frankenstein, minha Liechtenstein, minha divina.
Nenhum deles tinha fim porque todos eram medonhos demais para que fossem concludos.
L-los o deixava vermelho de vergonha.
- Nao consigo escrever mais nada de bom - disse ele, ainda folheando o bloco.
Vanessa tirou a saia de l preta e puxou a blusa de gola rul preta pela cabea raspada.
Depois se levantou com as maos nos quadris, esperando que Dan se virasse.
- E eu andei pensando, talvez o motivo de eu no conseguir escrever nada seja porque ... -
Dan fechou o bloco e se virou. - Eu preciso ... - Ele parou de repente.
Vanessa estava de pe, perto da cama dele, usando um suti meia-taa de renda preta e short
de renda preta tao finos e transparentes que Dan podia ver tudo atravs deles.
E claro. E para isso que servem.
Ela riu e bateu as pestanas.
- O que acha?
Dan olhou para ela, aterrorizado. Era a ultima coisa que esperava ver.
- O que esta fazendo?
Vanessa se aproximou dele, tentando nao pensar no que eram suas coxas e a parte inferior
do traseiro naquela tanga supercurta. Ela passou as maos nos ombros de Dan. Todo o corpo
dele tremia. Ela no sabia se isso era bom ou ruim.
Dan deu uma olhada no quarto.
- Nao esta filmando isso, esta? - perguntou ele, desconfiado.
Em geral Vanessa perguntava a ele primeiro se ele queria estar num dos filmes dela, mas
ele ja havia visto Vanessa tentar filmar alguma coisa totalmente tosca sem dizer nada a
ele primeiro.
Ela sacudiu a cabea.
- Me beije - disse ela.
Dan cruzou os braos. Ele sabia o que Vanessa estava armando.
E da? Eles estavam apaixonados. Por que ele simplesmente nao atacava?
Qualquer outro cara definitivamente atacaria.Mas Dan no era um cara qualquer. Ele era
Dan, o romntico sensvel. Ele nao queria que a primeira vez fosse atravancada por uma
lingerie de renda preta. Era premeditado demais e cliche demais e... errado. Ele queria que
fosse puro, espontaneo e... perfeito.
Dan deu um passo para tras e virou a cabea para o lado.
- Desculpe - disse ele.
Vanessa entendeu que tinha pressionado Dan e talvez no estivesse sendo justa, mas estava
s tentando se divertir um pouco. Tambm estava tentando se fazer irresistvel para ele,
mas ele obviamente era capaz de resistir bem. Ela pegou a saia na cama e rapidamente a
vestiu sobre a cabea, sentindo-se completamente humilhada.
Dan acendeu urn cigarro e tirou urn longo trago.
- Quer me mostrar o que voce filmou no parque? - perguntou ele.
Hmmm. Talvez nao.
Vanessa sacudiu a cabea, incapaz de olhar para ele. Puxou a saia e abotoou o cardig.
Dan colocou o cigarro em uma caneca de cafe vazia.
- Acho que a gente deve voltar a mesa, ento.
Vanessa amarrou a bota e se levantou.
- Acho que vou embora - disse ela, a voz tremendo.
Nao chorava desde que tinha uns quatro anos, mas parecia que estava prestes a chorar
agora.
Dan assentiu, sentindo-se dividido entre perguntar a ela qual era o problema e querer que
ela sasse para que ele pudesse tentar escrever de novo. O que eles diriam um ao outro
se ela ficasse, alias?
E estranho como um relacionamento pode mudar totalmente depois de ver sua namorada
usando uma lingerie pequena.
Vanessa foi para a porta e a abriu.
- Tchau - disse ela baixinho.
- Tchau - respondeu Dan enquanto a porta se fechava.
Ele foi para a mesa, sentou-se e abriu o bloco, esperando que sua confusao sobre o que
acabara de acontecer o inspirasse a escrever alguma coisa brilhante. Mas no aconteceu, e
ento ele ficou sentado ali, fumando feito uma chamin.

a arte de j deixa n assustado

- Pode me dar licena, pai? - perguntou Jenny.  Quero mostrar meu quarto a Nate.
Rufus mal olhou para ela.
- Mais oui - disse ele em urn frances terrfvel.-Bien sr.
Jenny revirou os olhos. Quando o pai bebia muito vinho tinto, ele tentava assumir a
personalidade de um poeta beat cool, fumando cigarros e falando francs num caf boemio.
Tal pai, tal filho.
- Venha - disse ela a Nate, levando-o pelo corredor para o quarto. Ela abriu a porta e
acendeu a luz.
Nate no esperava ficar surpreso com o quarto de Jenny.
o resto do apartamento era meio confortave1 e caindo aos pedaos, como uma casa de
campo que nunca era limpa, e ele esperava que o quarto dela fosse mais assim. Mas Jenny
odiava as paredes lisas de um branco encardido, o teto rachado, o piso de madeira nu e os
velhos lenis brancos, e ela era uma boa artista. Ento, nos ultimos meses, ela comeou a
pintar, especificamente retratos, e seu tema favorito, naturalmente,
era Nate. Havia seis deles no total, cada um feito no estilo de um artista diferente. Havia a
Nate de Monet, no estilo impressionista; o Nate de Picasso, com as olhos nos ps; o Nate de
Dal, escorrendo numa poa na calada; o Nate de Warhol, com os olhos verdes eletricos e
a cabelo em, ouro, o Nate de Pollock, com a tinta respingada no formato de uma cabea; e o
Nate de Changall, com a cabea de Nate voando pelo cu noturno.
- Gosta? - perguntou Jenny cheia de esperana. _ Estou tentando copiar todos os estilos
diferentes. O Pollock  um dos mais difceis.
Nate olhou boquiaberto as pinturas na parede. No sabia qual era Pollock, nem reconheceu
nenhum dos estilos dos outros artistas que Jenny usara, mas ele se reconheceu seis vezes e
isso foi o bastante para faz-lo parar.
-Ento  nisso que eu passo a maior parte do tempo -explicou Jenny alegremente. Nate
tinha sido to encantador conversando com o pai dela que ela ficou ainda mais apaixonada
por ele. Corajosamente, ela se ergueu na ponta dos ps e colocou as mos nos ombros dele.
-Eu meio que queria beijar voc a noite toda - sussurou ela com a voz rouxa; Nate ficou
rgido, mas no da forma como voc est pensando.
Sim normalmente esse tipo de avana daria uma bela ereo, mas Nate tinha acabado de ter
um quadro muito claro de Jenny passando horas sozinhas no quarto pintando aqueles
retartos bons, mas extremamente estranhos, dele.
O caso era que ele tinha dito a Jenny que a amava. E ele meio que foi sincero o tempo todo.
Mas ser que ela agora esperava que ele, tipo, assim a deflorasse ou coisa parecida?
Ele a beijou de leve na boca.
- melhor eu ir. Tenho de fazer as malas para amanh, essas coisas.
Jenny franziu a testa.
-Ah, por favor, no v - ela riu e olhou para o cho. - Ainda estou como fio dental.
Nate tinha de sair antes que ela comeasse a tirar as roupas na frente da coleo de artes
dela. Felizmente no teve de inventar uma boa desculpa para ir embora imediatamente,
porque o celular dele tocou.
Ele o tirou do bolso da cola e olhou o nmero que piscava na tela. Era Jeremy.
-E a cara, onde voc est?
-Estamos prestes a nos encontrar naquele bar da Rivington. Sabe qual , aquele onde o
Charlie foi expulso por acender um cachimbo do bagulho na sada de incndio.
-Tudo bem, calma - insistruiu Nate, pensando que, se fizesse que o telefonema parecesse
urgente, Jenny ia deix-lo sair.
-Hein? - disse Jeremy.
-J vou pra - Nate desligou e pegou a mo de Jenny. -Desculpe, Jennifer, ams eu realmente
tenho de ir. Jeremy disse que Charlie e Antony tiraram um E e esto pirando. tenho de ir l
ajudar os caras antes que eles causem algum prezuso srio.
Jenny assentiu, o lbio inferior tremendo. Nate ia para o Maine amanh. Ela no ia v-lo
por dias e dias.
-Tudo bem.
Ele a puxou num abrao.
-Vou voltar para o Ano-Novo. Fique direitinho, t bem?
Ela fechou os olhos com fora e o abraou apertado.
- Eu te amo - nao conseguia se cansar de dizer isso.
Nate se afastou e pegou um panda de pelucia na cama de Jenny. Ele o colocou nos braos
dela.
- Finja que sou eu - disse ele, beijando-a no nariz. Depois ele saiu do quarto e passou pelo
corredor, acenando um obrigado educado ao Sr. Humphrey antes de saltar em urn txi
direto para o bar na Rivington Street, onde ia pagar um belo drinque ao amigo Jeremy em
agradecimento por salvar a pele dele sem saber.

Gossipgirl.net
___________________________________________________________________
temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas
Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

Desculpem se foi um adeus, mas voces sabem o que  certo: acabou a escola e c estou eu -
toda noite!

E DA, QUEM TEM O LINK?

Tudo bem, ento todos ouvimos falar daquelas pessoas no Eyewitness News que dao
informaes a policia porque por acaso estavam filmando 0 filho brincando no jardim
quando aconteceu um tiroteio e eles pegaram o numero da placa do carro com sua camera
digital ou sei fa com o que. Bem, tenho uma coisa aqui que  meio o contrrio disso. Eu sei
quem est na fita, ou, nesse caso, no link - mas como isso foi parar em toda a Internet?
Tenho certeza de que voces agora sabem de que link estou falando.
Clique nele e vocs descobrirao uma cobertura excelente, de duas pessoas que conhecemos
e amamos, na neve do parque, arriando a cala e rolando juntos dentro de um quente casaco
de inverno. J at que tem uma bunda bonitinha, nao que eu tenha prestado ateno.
E,mesmo com a cueca samba-cano, a bunda de N no decepciona. No surpreende que o
link esteja rolando pela Internet como o ltimo CD ao vivo do 45.
No vamos dar nomes, mas tenho quase certeza de que V fez o trabalho com a cmera - vi
seus ngulos artsticos e a mo firme. Mas por que ela colocaria isso na Web? No faz
sentido. Se foi ela que colocou, ela nunca vai se redimir e, se no foi ela, ento, quem foi?
Tenho de dizer uma coisa definitivamente pela primeira vez: estou perplexa.

Flagra

Esta veio do exclusivo resort Hotellsle de Ia Paix na ilha de St. Brats, hmmm, quer dizer,
St. Barts: Flow saindo de uma pet shop em Gustavia - a nica cidade de verdade em St.
Barts - levando uma gaiola. No pergunte. A Sra. E.W.R. vomitando na cesta de lixo do
toalete das mulheres. Agora sabemos de onde B tirou essa mania. B e S contrabandeando
outro jarro de ponche de rum para sua vila, onde esto escondidas desde que chegaram
ontem. EA tocando violo sozinho na praia. Ele pode ser uma gracinha, mas no h nada de
sensual num pateta vegetariano com uma camiseta LEGALIZE HEMP. E aqui em NYC: K
e I chorando e se abraando na Park Avenue enquanto tomavam rumos separados para o
Natal. Hmmm, talvez elas devessem trocar alianas de noivado.

Seu e-mail

P: Cara Gossip Girl,
Tenho um amigo cuja irm mais velha  amiga do relaes pblicas de Flow, e ela contou a
minha irm que Flow est em St. Barts tentando passar pela crise de abstinncia de cocana.
- Brownie

R: Oi, Brownie,
Bem, j ouvi que St. Barts  tipo o paraso das drogas, ento, se voc estiver certo, ele
provavelmente no vai durar muito l.
-GG

DECOREM OS CORREDORES

Hoje  vspera de Natal. A ltima oportunidade para comprar tudo de sua lista. A ltima
chance de dar uma olhada debaixo da rvore e se certificar de que a maioria dos presentes
est ali e, se no estiver, de colar novas etiquetas nas caixas.
A ltima chance de comer quantas trufas de chocolate Godiva seu coraozinho deseja. A
ltima oportunidade para se sentir com cinco anos de novo e deixar biscoitos de mel para
Papai Noel.  tambm a ltima chance para ser muito, muito legal com as pessoas que
esto comprando presentes para voc, para que elas afinal mudem de idia e decidam
comprar aquela bolsa Hermes Birkin de pele de porco.

Tenham um Natal muito legal!

Pra voc que me ama,
gossip girl

s e b deixam que os meninos sejam meninos

A gente no pode s ficar aqui o dia todo - disse Serena a Blair.Era quase meio-dia na
vspera de Natal e ela estava parada  janela de sua vila, olhando desejosa o deque na praia
de areia branca e o mar turquesa alm dele.
- Mas e Flow e Miles? - raciocinou Blair enquanto apertava a pasta Tom's of Maine na
escova de dentes eltrica aun. -Achei que estvamos nos escondendo. - Blair pensou que se
esconder na vila com Serena daria a ela tempo para trabalhar no ensaio para Yale, mas
desde ento s o que fizeram foi beber copos altos de ponche de rum com fatias de laranja,
cerejas marasquino e guarda-chuvas de papel, jogar bridge e pintar as unhas uma da outra
de rosa. Era hora de fazer uma pausa em seu iBook.
Serena tinha outras idias. Toda uma noite e metade de uma manh presa fazendo nada
tinha seus limites.
- Vamos para a praia  anunciou ela, puxando um short curto Miu Miu sobre a calcinha de
seu biquni branco.  E se algum quiser falar com a gente, vai ter de falar com isto aqui -
ela andou pelo quarto e afastou os pequenos tringulos brancos do suti de seu biquni,
mostrando rapidamente a Blair.
Blair ergueu as sobrancelhas e depois voltou a escovar os dentes. Cuspiu na pia.
- Quer dizer, fazer topless? - perguntou ela,j gostando da idia.
Serena assentiu, um sorriso diablico brincando no rosto.
-  exatamente o que eu quero dizer
Aaron, Miles e Tyler estavam tendo uma aula de windsurfe a alguns metros de onde Serena
e Blair desdobraram suas toalhas de praia amarelas na areia, tiraram a parte de cima do
biquni e se deitaram de costas com os peitos nus para os cus.
- Argh - disse Tyler, virando-se de costas para no ter de ver.
Miles largou a vela e caiu na gua. Chegou  superfcie e sacudiu a cabea para Aaron, que
ainda estava de p na prancha.
- No consigo acreditar que voc consegue viver com isso - disse ele com inveja.
A vela de Aaron estava ensopada. Ele puxou a corda com fora, tentando ergu-Ia e
bloquear sua viso da praia, mas, por mais que puxasse, a vela continuava embaixo da
gua. Blair provavelmente achava que estava sendo europia e sofisticada fazendo topless
daquele jeito, mas na opinio dele aquilo era
coisa de piranha. Qualquer um que andasse por ali podia ver, e depois, no jantar, eles as
veriam vestidas e seriam capazes de imaginar exatamente como eram nuas. Pensar nisso o
deixava meio tonto.
O instrutor de windsurfe rastafri que usava Speedo, Prinz, andava na gua de costas para a
praia.
- Deixe eu dar uma mozinha - disse ele e mergulhou, como um golfinho, surgindo sob a
vela de Aaron e empurrando- a para cima da gua com a cabea.
Que truque legal.
Aaron puxou o cabo at que a vela ficasse onde devia, perpendicular  prancha. Ele agarrou
a ala de borracha presa  vela e se inclinou para trs enquanto a vela pegava o vento.
A prancha deslizou na superfcie da gua, fazendo uns barulhinhos de tapas quando atingia
as ondas e deixando um lindo rastro no caminho. Aaron se sentia extremamente cool.
Estava conseguindo!
Umas pessoas comearam a gritar atrs dele, e ele olhou por sobre o ombro.
Serena e Blair estavam de p nas toalhas, ainda sem o suti do biquni, batendo palmas e
gritando para ele.
- Vai, Aaron, vai, Aaron! Que garanho!
Aaron olhou para elas - ele no conseguiu evitar - porum segundo a mais. Quando se virou
novamente, a prancha tinha atingido um banco de areia que saa da enseada e ele voou para
trs, aterrissando como um caranguejo capotado de costas na gua rasa.
Ai.

Miles queria falar com Blair, mas no tinha certeza se havia algum cdigo tcito sobre a
que distncia chegar de uma garota de topless sem dar a impresso de estar olhando para
ela com m inteno.
Prinz tinha nadado para resgatar Aaron do banco de areia, ento Miles empurrou sua
prancha para a praia e andou pela areia at ficar a cerca de dois metros e meio da toalha de
Blair.
Ela e Serena ainda estavam deitadas de costas. Ah, cara, era uma viso e tanto.
- Oi - disse Miles com indiferena.
Blair virou a cabea e semicerrou os olhos para ele. Isto ia ser engraado. Ela se sentou,
dando-lhe uma nudez frontal total. Isto , da cintura para cima.
- Oi.
Miles olhou para a areia, corando contra a sua vontade. Ele estava uma gracinha de calo
de surfe laranja e colar de concha, o cabelo louro espigado apontando em todas as direes.
- Hmmm, eu s estava me perguntando se voc est planejando ir na festa de Natal hoje 
noite.
Blair olhou para Serena.
- Est planejando ir  festa de Natal hoje  noite? Sussurrou ela.
Serena riu, mantendo a mo sobre os olhos como uma viseira.
- Mas  claro.
Blair se virou para Miles.
- Claro que estamos - respondeu ela.
Miles assentiu, tentando manter os olhos no rosto dela.
- Legal. A gente se v depois.
Blair sorriu e escudou os olhos, observando-o se arrastar para a prancha de windsurfe e
mostrar os msculos enquanto a empurrava de volta para a gua. Isso sim era divertido.
Quantas vezes os garotos davam a voc dois metros e meio de espao para respirar? Ela se
deitou de costas na toalha e virou sobre a barriga.
Podia ser divertido, mas, mesmo usando filtro solar 45, havia um limite para o sol que os
peitos de uma garota podiam tomar!
Depois de uma hora e meia de sol, Serena tinha se bronzeado completamente dos dois
lados. Estava prestes a dizer a Blair que j chegava de sol quando ...
- Serena?
Ela girou e se sentou.
Sim, era Flow. E, sim, ela ainda estava sem a parte de cima do biquni.
Ele nem pareceu se importar. Foi direto para a beira da toalha de Serena e se inclinou sobre
ela. Ao lado, Blair estava deitada de bruos, a cabea coberta com uma camiseta
branca,fingindo dormir.
- At que enfim - suspirou Flow, afastando com uma sacudida os cachos escuros dos olhos
azuis de clios longos.
Estava usando calo de surfe laranja-eltrico e nada mais, e seu corpo magro e musculoso
era bronzeado com uma perfeio de torrada amanteigada com canela. No pescoo, um
dente de tubaro pendurado em um cordo de couro.
- No sentiu minha falta?
Serena deu de ombros e esfregou os braos nus, meio que escondendo os peitos para
impedir que Flow tivesse uma boa viso deles.
- Bem ... voc me mandou muitos presentes.
Ele franziu a testa.
- Nem tantos assim.
Talvez mais presentes tivessem vindo de Kati e Isabel do que ela pensava. Com aquelas
duas era difcil saber.
- Bem, sei l - disse Serena. - De qualquer modo,j ouviu as novidades? Ao que parece,
estamos noivos.
Flow riu.
- , eu j soube. No esquente com isso. Voc vai se acostumar.
O caso era que Serena tinha certeza absoluta de que no queria se acostumar com isso.
Nunca tinha sado com uma estrela do rock antes e tinha se divertido muito com Flow
naquela noite, mas havia muitos outros caras por l. Tietes de rock, fotgrafos, pilotos de
corrida, atores, DJs. De certa forma, Serena era como o beija-flor que tinha visto na noite
anterior enquanto ele zumbia incansavelmente de uma flor a outra. Ela no queria se
prender a uma s flor, bebendo at a ltima gota. Queria saborear o maior nmero possvel
de flores.
Serena arrastou o rabo-de-cavalo sobre o ombro e examinou as pontas, sem dizer nada.
Quando  que ia atirar os braos em volta dele e dizer o quanto tinha sentido saudade como
nunca quis ficar sem ele?
- E a, minha banda vai tocar na festa de Natal hoje  noite - disse ele por fim. - Estava
esperando que talvez a gente pudesse sair depois, para eu te dar seu presente de Natal.
Serena sorriu. Ah, meu Deus, outro presente no.
- Estarei l.
- Legal - ele fez uma pausa, esperando que ela dissesse mais alguma coisa. Mas ela no
disse. - T legal. Vejo voc  noite.
- A gente se v - Serena se deitou de costas novamente e cutucou repetidamente as costelas
de Blair.
Voc  to hipcrita - murmurou Blair, virando-se e tirando a camiseta do rosto.
Serena virou a cabea.
- Como assim?
- Voc age como se odiasse todas as coisas que ele lhe d, mas aposto que mal pode esperar
para ver o que de vai lhe dar de Natal.
Serena riu. Blair estava certa. Ela podia lamentar o quanto quisesse sobre o fluxo constante
de presentes de Flow, mas as garotas gostam de presentes, especialmente de estrelas do
rock famosas e criminosamente bonitas.

o link explicado

- Que cmera? - murmurou Ruby, a irm de 22 anos de Vanessa.
Eram trs da tarde de sbado, mas parecia que Ruby s tinha ido para a cama algumas horas
atrs; os olhos dela estavam borrados do delineador da noite anterior e ela ainda vestia a
cala de couro vinho colada na pele. Ruby dormia num futon no que devia ser a sala de
estar de seu quarto-e-sala no segundo andar de um prdio em Williamsburg, no Brooklyn.
O apartamento era cheio de equipamentos - amplificadores, caixas de som, guitarras e
microfones da banda de Ruby, a SugarDaddy, e cmeras e equipamentos de iluminao das
filmagens de Vanessa. No cho havia um tapete que seus pais artistas hippies meio malucos
tinham tecido num tear na casa deles nos arredores de Burlington, em Vermont. O tapete
era verde-oliva e vermelho-ma e tinha um tema Arca de No, com animais parados aos
pares em uma balsa num mar vermelho, mas estava to coberto pelas roupas de Ruby e
equipamento de som que
os animais estavam completamente escondidos.
- Minha cmera de vdeo digital Sony - insistiu Vanessa furiosa. - Eu deixei na bancada da
cozinha ontem - ela estava planejando analisar a filmagem que havia feito no parque na
sexta-feira para ver se tinha algum pingente de gelo que valia a pena salvar e queria deletar
a parte de Nate e Jenny, mas agora no conseguia encontrar a cmera em lugar nenhum.
Ruby revirou os olhos e puxou o travesseiro sobre o rosto.
- Eu emprestei.
Vanessa olhou para ela. Ruby ainda estava irritantemente com o travesseiro cobrindo o
rosto.
- Como assim, emprestou? Que porra  essa?
- Emprestei a uns amigos no Five and Dime. Eles esto usando para fazer um filme sobre
skate.
- Tinha umas coisas nela! - gritou Vanessa horrorizada.
- Coisas de meu novo filme!
Ruby tirou o travesseiro da cara e se sentou.
- At parece que voc no tem mais dez cmeras. Desculpe - disse ela sarcasticamente. -
Desculpe por ter invadido seu espao sem permisso. Posso ganhar um abrao?
Vanessa encarou a irm com as mos fechadas com tanta fora que as unhas deixaram
marcas na palmadas mos. Agora ela sabia por que tinha recebido 15 e-mails esta manh
acusando-a de ser uma voyeur piranha, lsbica e porngrafa. Os amigos de Ruby
obviamente fizeram mais do que pegar a
cmera emprestada; eles pegaram o que estava nela e colocaram na porra da Internet.
Dan j pensava que ela era pervertida. O que estaria pensando dela agora?

Na tarde da vspera de Natal, Dan estava navegando Internet, procurando por artigos sobre
bloqueio de escritor e como cur-lo. Tudo que encontrava era to escandaloso e estpido.
Saia para caminhar. Como se ele j no andasse toda Manhattan diariamente, ruminando
sua incapacidade de escrever alguma coisa coerente. Tome um banho quente. Ele odiava
banhos. S o que faziam era deix-lo sonolento. Pratique exerccios [i/].No, obrigado. Sua
dieta de cigarros e caf no conduzia aos exerccios. Um site discutia os mritos de tomar
cido. Aparentemente, um escritor premiado tinha escrito todo um romance numa viagem
de cido numa noite e nem se lembrava de t-lo escrito de manh. Mas, a no ser pelas
bebidas em festas, Dan ficou careta em todo o secundrio, e ele no ia comear a tomar
cido agora. Outro site aconselhava a tentar um exerccio em que voc escreve a primeira
palavra que vem  mente e depois extrapola a partir dela.  possvel terminar  com uma
lista de compras, disse o site, mas mesmo isso era melhor do que nada. Dan decidiu tentar
esse. Abriu uma pgina em branco do bloco e aprumou a caneta.
Ele escreveu a palavra telefone, mas ento seu computador bipou, indicando que tinha uma
nova mensagem de e-mail.
Ele pegou o mouse e clicou na caixa de entrada. A mensagem era de Zeke, seu nico amigo
na Riverside.
D uma olhada no link abaixo, cara. - Z
Dan clicou no link, pensando que provavelmente era outra bobagem de basquete idiota que
Zeke tinha encontrado.
Ele se voltou para o bloco sem esperar para ver o que surgia na tela.
Telefone. E agora? Ele precisava de outra palavra.
O pai dele bateu na porta aberta e enfiou a cabea no quarto.
- Oi, Dan, vou sair para comprar uns pes. Algum pedido especial?
Dan girou na cadeira, prestes a dizer ao pai para trazer um grande copo de caf preto, mas
de repente o rosto do pai ficou medonho enquanto olhava a tela do computador de Dan.
- Jennifer Tallulah Humphrey ...  voc!? - trovejou
Rufus, invadindo o quarto como um urso hidrfobo. Estava usando uma camiseta branca e
rasgada Onion e o cabelo grisalho crespo espetava de todos os lados da cabea.
Dan girou a cadeira de volta para ver a tela do computador.
A primeira coisa que reconheceu foi o chapu vermelho de Jenny. Depois ele viu o que
parecia ser a bunda exposta de Jenny em um fio dental branco. De repente um cara com
cabelos dourados ondulados colocava a boca na bunda de Jenny.
A cmera rapidamente cortou para o cara arriando a cala, depois a imagem voltou para os
dois, abraados com fora por dentro do casaco dele, fazendo o que parecia obsceno.
Pai e filho assistiam numa descrena horrorizada enquanto o filme se repetia
interminavelmente.
- Jennifer! - Rufus berrou novamente, espalhando um cuspe de raiva na tela do computador.
Jenny apareceu na soleira da porta parecendo a imagem da inocncia em um vestido de
malha aveludada com o cabelo puxado para trs em um pompom crespo de rabo-de-cavalo.
- Que foi? - perguntou ela.
Dan empurrou a cadeira para trs para que ela pudesse ver a tela de onde estava parada.
- Que foi? - repetiu Jenny impaciente. Ela deu um passo para a frente, depois a mo voou
at a boca quando viu sua bunda nua na tela. Era como assistir a um filme de terror em que
ela era a estrela. Como foi que isso aconteceu?, perguntou- se ela, totalmente mortificada.
- Esses so voc  seu companheiro Nate  assinalou Rufus desnecessariamente, a cara
retorcida de raiva.
Ele era um pai liberal. Deixava Dan fumar no quarto e beber sempre que quisesse. Deixou
Jenny comprar o primeiro par de sapatos plataforma quando ela tinha nove anos. Mas Jenny
ainda era seu beb, e v-Ia se contorcendo seminua com um garoto na Internet era mais do
que o suficiente para dar a ele uma prova da realidade.
Emudecida de horror, Jenny encarou a tela enquanto o filme se repetia. Ali estava o chapu
dela, a tanga, a bunda com a mo de Nate nela, depois os dois rolaram na neve dentro do
casaco dele. Tinha sido um momento to particular e to especial, mas agora estava ali para
o mundo todo ver  inclusive seu pai e seu irmo. Ela soltou um pequeno guincho ao arfar e
disparou para fora do quarto.
Rufus olhou para a tela por um segundo a mais e depois para Dan.
- Sabe alguma coisa sobre isso?
Dan sacudiu a cabea indicando que no, embora de certa forma se sentisse responsvel.
Ele ficou to distrado com o bloqueio de escritor e sua enrolao sobre transar com
Vanessa que no tinha protegido Jenny daquele canalha rico e ladro de bebs do Nate.
- Bem, de agora em diante eu quero que fique de olho nela - grunhiu Rufus. - Posso ser
tolerante, mas no posso v-Ia por a como uma prostituta.
Dan assentiu solenemente. Rufus deu um tapinha no ombro dele e foi para o quarto de
Jenny, onde ela estava deitada de cara para baixo na cama com a cabea enterrada em um
macio travesseiro de pena de ganso, cercada de retratos
de seu amado Nate.
- Jennifer. - Seu pai controlou a voz ao mximo. Eu nunca pensei que teria de fazer isso,
mas voc no me deixa escolha. Est de castigo pelo resto das frias. Sem sair. Sem filmes.
Sem mesada. Sem telefonemas. Sem e-mails. Sem nada.
E certamente sem nenhum contato com esse Nate. Dan vai observar voc como um falco e
se certificar de que voc no fuja, porque voc claramente no merece confiana.
Jenny se sentou. O rosto estava manchado e o lbio inferior tremia.
- No  justo! -protestou ela. -Eu no sei quem fez isso! No foi minha culpa! Nate e eu
estamos apaixonados!
Ele me levou para ver O quebra-nozes. No fizemos nada de
errado!
Rufus acenou a mo no ar para silenci-Ia.
- Voc  nova demais para saber alguma coisa, especialmente do amor - trovejou ele
rispidamente.
- Mas pai, no sei quem filmou a gente  implorou Jenny, abraando seu panda.
Rufus ergueu as sobrancelhas espessas, desordenadas e grisalhas e esfregou o queixo
eriado.
- Acha que por isso fica tudo bem?
- Eu no ligo! - gritou Jenny, atirando o panda no cho e irrompendo num ataque furioso de
lgrimas. - No ligo para o que voc pensa! A gente no fez nada de errado.
Rufus se agachou e puxou da estante de Jenny um exemplar intacto de Anna Karenna que
ele lhe dera no vero passado.
Ele se levantou e o atirou na cama.
- Vou lhe dizer o que eu penso - berrou ele. - Eu penso que voc precisa ficar dentro de
casa lendo mais livros!
Jenny olhou para o livro e o chutou infantilmente at que ele escorregou da cama e caiu no
piso de madeira. Rufus sacudiu a cabea de desgosto e se virou, fechando a porta atrs de si
antes que realmente perdesse a cabea.
Dan ouviu de seu quarto, ainda vendo o filme que se repetia na tela do computador. Agora
que tinha passado o choque inicial de ver sua irmzinha estrelando um filme porn na Web,
ele via que havia alguma coisa terrivelmente familiar no trabalho da cmera. Os ngulos
incomuns. O modo como a cmera se aproximava muito, as imagens eram quase abstratas,
e depois, numa panormica, Nate e Jenny apenas um ponto se contorcendo na pura neve
branca. Era obra de Vanessa Abrams, Dan tinha certeza disso.
Ele desligou o computador, enojado consigo mesmo por ter visto por tanto tempo, mas
ainda mais enojado com Vanessa e Jenny. Como foi que elas se transformaram em... Dan
pegou o bloco preto e pensou de imediato em uma nova palavra ara comear o exerccio de
bloqueio de escritor. Ele pegou a caneta e escreveu.
Putas
n d uma reuniozinha

Voc pode achar que ter uma casa de veraneio to longe da cidade como em Mount Desert
Island, no Maine, seria meio solitrio, mas Mount Desert estava cheia de enormes "chals"
de frias de propriedade das famlias mais antigas e mais ricas de Nova York e os filhos
brincavam juntos durante os veres e nos feriados desde que engatinhavam. No secundrio,
a maioria deles foi para diferentes internatos em toda a Costa Leste. Assim, quando eles se
viam na ilha novamente, era como uma reunio de ex-colegas. Em todo 4 de Julho uma
imensa gangue deles fazia uma fogueira na praia e acendia fogos de artifcio que tinham
contrabandeado do Canad. E em toda vspera de Natal Nate sempre andava com os
mesmos dois caras e fumava seu cachimbo no salo de jogos.
O salo de jogos era revestido em painis de carvalho, tinha uma enorme lareira de pedra e
um piso de ardsia que era aquecido por canos de cobre por baixo dele. Havia
impressionantes chifres pendurados nas paredes, tirados de cervos e
alces caados pelo av de Nate. Havia um bar em carvalho cheio de usque escocs
envelhecido e raros conhaques europeus, e uma adega de vinhos aonde se chegava
descendo uma escada atravs de um alapo sob o tapete persa tecido a mo.
Uma antiga mesa de sinuca de mogno com pernas em mogno entalhado e um tampo de
feltro vermelho ocupava o meio da sala.
Nate encheu o cachimbo. Ele o tinha desde os 13 anos, e estava coberto de Band-Aids
Looney Tunes. Os outros dois garotos riram para ele como um velho camarada que tinha
passado por ainda mais merdas extravagantes do que eles.
- Cara - disse John Gause, que tinha trazido o bagulho. -  bom ver voc.
John usava um colete caramelo de pele de ovelha, jeans desbotado e um par de botas de
caubi em couro caramelo.
No era um timo visual, a no ser que voc fosse o homem da Marlboro ou um modelo da
Ralph Lauren, e ele no era nenhum dos dois.
Uma semana antes das provas, John tinha sido expulso de.Deerfield por trfico e estava
voltando de uma temporada de dez dias em um rancho no Wyoming, aonde foi mandado
para aprender valores como honestidade, confiana e respeito
por seu companheiro.
Nate encheu o cachimbo e o passou a Ryan O'Brien, que s tinha 15 anos mas era mais
chapado do que John e Nate juntos. Aps ter sido expulso da St.Jude's na primeira semana
do ano letivo, Ryan foi para a Hanover Academy, o internato para o qual Serena tinha ido.
- Acho que voc cresceu - disse Nate.  Rayn no parece maior para voc? - perguntou ele
a John.
Ryan acendeu o isqueiro sobre o cachimbo. Tinha 1,85 de altura e o cabelo preto e crespo
que caa sobre os ombros era quase igual ao de Flow, s que mais escuro.
- V se foder - disse ele, puxando para cima a cala baggy cinza de snowboarding Burton.
Nate esperou que Ryan desse um trago e passasse o cachimbo a ele. O sol estava se pondo e
as janelas do salo de jogos ficavam rosadas. Tinha nevado muito no inverno, e a enorme
casa estava aninhada em um monte de neve de dois
metros e meio. Do lado de fora no havia alarmes de carro nem nibus roncando. Era
completamente silencioso. Mas, se apurasse o ouvido, Nate podia escutar o som do mar
batendo nas pedras. Ele adorava aquele som. s vezes,  noite,
ficava deitado na cama, ouvindo.
Ele deu um trago, cobrindo o topo do cachimbo para que a fumaa no escapasse. Depois
deu outro, recompensando-se por passar duas horas inteiras daquele dia lendo as propostas
para a universidade e preenchendo as partes fceis. Ele exalou, passou o cachimbo a John e
fechou os olhos. Era bom estar fora da cidade -longe da escola e de todos que falavam tanto
do futuro. Aqui ele podia relaxar e desfrutar de si mesmo sem se preocupar com provas,
universidade ou em responder a algum.
John terminou e baixou o cachimbo na mesa de sinuca.
Pegou a bola branca e a rolou nas mos.
- E a, Nate - comeou ele. - Qual era a daquele filme porn na Internet?
Nate piscou lentamente para ele, como um lagarto piscandopara o sol.
- Hein?
Ryan acendeu um Marlboro Light e soprou uns anis de fumaa para o teto de vigas e
colunas.
- Voc sabe. Voc e aquela baixinha de cabelo castanho crespo e as tetas enormes.
Nate assentiu. Ele sabia do que Ryan estava falando, mas por uma frao de segundo no
conseguiu lembrar o nome dela.
- Jennifer - disse ele, lembrando-se de repente.
- , isso a, Jennifer. Voc no viu o link?
Nate sacudiu a cabea.
- Que link?
John pegou um taco de sinuca no suporte da parede e o girou nas mos como uma baioneta.
- O link que, tipo assim, todo mundo est comentando, cara! - ele riu. - No acredito que
voc no viu!
Ryan pegou o cubinho azul de giz de taco, levou-o ao nariz e cheirou, como s um
chapado faria.
-  tipo um filme inteiro de voc e essa garota, a Jennifer - explicou ele. - Tipo assim,
trepando no Central Park.
Nate ergueu o cachimbo na frente do rosto. No se lembrava de ter trepado com Jennifer no
parque. No se lembrava de ter trepado com Jennifer em lugar nenhum. S do quese
lembrava era dos retratos malucos dele nas paredes do quarto dela. Ele sacudiu a cabea
pesada e doidona e riu para si
mesmo. Um filme porn na Internet? Essa era boa. Esses caras sempre estavam sacaneando
ele. Dando de ombros, ele pertou a boca na haste do cachimbo e acendeu o isqueiro,dando
um longo e timo trago de vspera de Natal. Estava indo a um lugar muito suave, onde
Jennifer e aqueles retratos malucos eram pontos minsculos na distncia nevoenta.
O interfone da casa estalou. De repente a voz de country club da Nova Inglaterra do pai de
Nate encheu a sala.
- Sua me e eu vamos tomar uns coquetis no salo. Quer vir conosco?
Voc poderia pensar que eles estavam empatando, mas Nate sempre saa com os pais
aristocratas quando estava doido.
Eles faziam os drinques mais fortes, e alm disso era vspera de Nata!.
Nate passou o cachimbo paraJohn e apertou o boto do interfone.
- J vou subir - soltou o boto e assentiu para John.V em frente. Mais um trago e depois 
melhor ir embora.
Ele e Ryan olharam John dar o ltimo trago.
- E a, voc e essa garota, a Jennifer, ainda esto, tipo assim, juntos? - perguntou Ryan.
Nate pegou a bola oito e a rolou pela mesa de sinuca. Tentou se lembrar do modo como
tinha deixado as coisas com ]ennifer, mas s o que lhe vinha  mente era o panda de pelcia
que estava na cama dela.
Era engraado como ele continuava se esquecendo da parte "eu te amo".
- No - disse Nate. - No mesmo.
John terminou e Nate deixou que ele e Ryan sassem pela porta dos fundos do salo de
jogos para a neve. Depois ele fechou a porta, enfiou o cachimbo em uma lata velha de
Triscuits sob a pia do bar e subiu a escada para tomar gim-tnica e coIher ostras frescas do
Maine com os pais.

a me de b revela a surpresa

Blair tinha tomado um banho e colocado o novo vestido rosa transparente da Calypso.
Agora ela estava sentada no deque fumando um Merit e esperando que Serena se arrumasse
enquanto pensava em Audrey Hepburn.
Como se ela no estivesse sempre pensando em Audrey Hepburn.
Outra coisa que ela adorava em Audrey, e que queria discutir o ensaio para a universidade,
era a versatilidade de Audrey. Independentemente do cenrio ou do tipo de figurino que
tivesse de usar - como a roupa de tweed de estudante na cena da livraria em Cinderela em
Paris, ou o chapu maluco e o vestido de renda na cena Ascot em Minha querida dama ela
parecia perfeitamente  vontade, adaptando-se ao ambiente e ao mesmo tempo mantendo
seu audreysmo elegante.
Blair gostava de pensar que ela seria capaz de fazer isso quando fosse para a faculdade.
Uma vez que ela e Nate no iam viver mesmo juntos num apartamento perto do campus em
New Haven, ela podia muito bem ter de morar num alojamento com algumas colegas de
quarto desconhecidas. Podia ter de comer no refeitrio, e definitivamente tinha de ir s
aulas. Mas de jeito nenhum ia comear a usar suteres larges de Yale e mochila. Ia manter
a dignidade, o senso de estilo e o blairismo singular.
Blair deu um trago no cigarro, tentando imaginar Audrey em Yale, usando o vestido preto
de Bonequinha de luxo, com as luvas pretas at o cotovelo e a gargantilha de diamantes e
prolas.
E depois ela caiu em si. Era exatamente o que devia fazer no ensaio: tornar Audrey uma
aluna de Yale no roteiro de um filme!
A Srta. Glos disse a ela para ser criativa. Bem, no se pode ser muito mais criativa do que
isso! Blair saltou e abriu a porta da vila com um baque, ansiosa para comear a escrever
imediatamente. Ela podia pular a festa de vspera de Natal idiota. Ir para Yale era muito
mais importante.
 Serena estava parada diante do espelho amarrando uma canga verde-mar com contas na
cintura. Ainda estava usando o biquni branco molhado e tinha areia nos cabelos.
- Achei que j tivesse se arrumado - disse Blair.
Serena franziu a testa.
- No estou a fim. - Todos esperavam que ela se embonecasse toda e ficasse linda para
Flow, mas, na verdade, por que deveria?
O caso era que Serena ainda era dez vezes mais linda do que qualquer outra garota na ilha,
independentemente do que estivesse vestindo.
- Ento vai usar o biquni? - perguntou Blair, confusa.
- Arr.
Blair pegou o iBook da bolsa e o abriu no colo.
- Acho que voc est se contradizendo.
Serena deixou-se cair pesadamente ao lado dela.
- Talvez - ela olhou inquisitivamente para Blair, que j estava digitando. - O que est
escrevendo?
- Um roteiro - Blair digitou seu nome e 24 de dezembro no alto da pgina, e depois o ttulo
provisrio: Audrey vai para a universidade. - Acho que vou pular a festa para poder
trabalhar nisso.
- E vem me falar de contradio. Miles est totalmente doido para sair com voc hoje, e eu
no vou nessa coisa sozinha - declarou Serena. Ela pousou a cabea no ombro de Blair. -
No quer ter uma vspera de Natal divertida?
Blair mordeu o lbio inferior.
- Quero, mas quero mais entrar em Yale.
Serena estendeu a mo e rapidamente fechou o laptop.
- Bem, eu vou cuidar para que voc tenha tudo o que quer - gritou ela, pulando e puxando
Blair. -Venha, por favor?
Blair suspirou. Serena tinha a incrvel capacidade de ir do mau humor  alegria num piscar
de olhos.
- Tudo bem - suspirou ela. - Mas, se eu no entrar em Yale, a porra da culpa vai ser toda
sua.
Miles e Aaron estavam esperando pelas meninas no bar.
Aaron tinha arrumado as trancinhas para que ficassem retas nas laterais da cabea e
subissem no topo. Usava um casaco de linho preto sobre uma camisa cinza e cala preta de
linho.
E, se no fosse meio-irmo de Blair, ela podia at ter achado ele uma gracinha.
Aaron achava que Blair era mais do que uma gracinha.
O bronzeado dela estava mais forte e os cabelos castanhos tinham faixas douradas do sol. O
vestido rosa era frouxo, mas o tecido transparente aderia ao corpo nos lugares certos. Ela
parecia uma deusa, mas  claro que ele no podia dizer isso a ela.,
Aaron tinha tanto medo de dizer alguma coisa inadequada que se tornara quase robotizado
quando lidava com Blair.
-  melhor a gente ir e se sentar - disse ele a ningum em particular. - Sua me e meu pai
tm uma surpresa das grandes que querem contar para a gente. Esto esperando por voc h
quase uma hora.
Blair espiou a sala de jantar lotada, onde a me, Cyrus e Tyler j estavam sentados  mesa.
-,- Ai, meu Deus, mal posso esperar. Por favor, posso tomar uma bebida primeiro? -
implorou ela.
- Desde que beba rpido - cedeu Aaron.
At parece que isso era um problema.
Miles sorriu para Blair.
- Voc est muito linda.
Em silncio, Aaron se amaldioou. Ele podia ter dito isso!
Miles tambm estava timo, usando uma camisa Armani preta com botes brancos, cala
de algodo branco cremoso e sandlias de couro - um visual que s os caras com um estilo
srio podiam exibir. Blair sorriu para ele, contra a prpria vontade. Podia ficar feliz por ter
vindo  festa, afinal.
- Obrigada.
Serena arrumou o n da canga e olhou em volta, procurando por Flow; Algumas mesas da
sala de jantar tinham sido empurradas para os cantos para abrir espao para a pista de
dana, e um palco equipado com os instrumentos, amplificadores e microfones do 45 estava
montado ao lado da piscina.
Mas no se via a banda em lugar nenhum.
- Eles s vo comear a tocar s nove - disse Aaron, lendo a mente de Serena. - Eu
perguntei ao bartender.
Serena no respondeu. Faltavam s vinte minutos, e ela no estava exatamente desesperada
pelo aparecimento de Flow, de qualquer forma.
Blair terminou rapidamente a vodca com tnica e passou o copo vazio a Aaron.
- Tudo bem, estou pronta.
O restaurante na Isle de Ia Paix era o lugar para se estar na vspera de Natal. No canto mais
distante da sala, a supermodelo inglesa mais famosa do mundo estava alimentando seu beb
de colo com sopa de peixe, e ao lado deles estava a estrela
muito grvida do seriado Friends de mos dadas com o gato do marido ator de Hollywood.
O resto da sala de jantar estava cheio de pessoas bronzeadas usando roupas de grife tpicas
de resort servindo-se do jantar especial de vspera de Natal, um peixe inteiro assado, com
cabea e cauda intactas, batata-doce
misturada com caviar preto e alho-por cozido no vapor.
- No se preocupe, querido - Eleanor tranqilizou Aaron quando eles se sentaram. - Pedi
uma refeio especial para voc.
Cyrus tinha pedido duas garrafas de Cristal, e o garom voltou com as fltes de champanha
e comeou a ench-Ias.
A me de Blair deu uma risadinha e olhou para Cyrus. Ele deu um tapinha tranqilizador na
mo dela e ela pigarreou.
- Muito bem. No acho que consiga guardar um segredo or mais um minuto que seja -
Eleanor respirou fundo e se endireitou na cadeira. - Cyrus e eu vamos ter um beb.
Blair vinha pensando em como comear a primeira cena do roteiro quando as palavras
perturbadoras da me ressoaram em seu crebro, alterando para sempre seu universo. O
rosto de Blair se retorceu com uma combinao de descrena
e desprazer enquanto ela olhava para a me.
Perdo?
- Sei que quarenta e sete anos  uma idade avanada para se engravidar, mesmo em Nova
York, mas o mdico me garantiu que sou perfeitamente saudvel e no tenho com o ue me
preocupar - ela deu uma risadinha. - A no ser por
ficar grande como uma casa!
Por um momento, ningum respondeu. Cyrus colocou o brao em volta de Eleanor e lhe
deu um aperto.
- No conte tudo de uma vez - brincou ele embaraado, alisando a barriga gorda com a mo
livre.
Serena no queria ser rude.
- Isso  to maravilhoso! - exclamou ela, rompendo o silncio com todo o entusiasmo que
conseguiu reunir.
Ela pulou da cadeira e se inclinou sobre a mesa para dar beijos de parabns no rosto de
Eleanor e Cyrus, enquanto tambm dava ao resto da sala uma boa viso de seu diafragma
nu.
Blair teve vontade de bater nela. Serena no teria sido mais agradvel se fosse a me dela,
isso era certo.
- Para quando ? - perguntou Serena, sentando-se novamente.
Eleanor resplandeceu feliz.
- Dezoito de junho.
Blair nem sequer tentou pensar em alguma coisa para dizer. Parecia que tinha sido atingida
na cabea por uma palmeira voadora, e havia uma boa chance de nunca mais voltar a falar.
Aaron olhou ansioso para Blair, depois ergueu a taa de champanha e sorriu para o pai e
Eleanor.
- Parabns - disse ele, esperando que Blair se juntasse ao brinde.
Mas  claro que ela no fez isso, nem mesmo quando ele cutucou delicadamente a canela
de Blair com o p por baixo da mesa. Ao lado de Blair, Miles tamborilava os dedos longos
na mesa e se mexia pouco  vontade na cadeira, desejando
poder voltar ao bar. Ele era amigo de Aaron desde a stima srie, mas isso era meio ntimo
demais para ele.
Eleanor estendeu o brao por sobre a mesa e pegou os dedos rgidos de Blair.
- Espero que reconsidere assumir o sobrenome de Cyrus agora, querida - disse ela. - Agora
vamos ter uma tima e grande famlia.
Tyler e Eleanor tinham mudado o sobrenome para Rose quando Eleanor se casou com
Cyrus, mas Blair se recusou.
Blair Rose? No, obrigada. Parecia o nome de um perfume feito especialmente para a
Kmart.
-  claro que voc no precisa decidir agora  acrescentou Eleanor.
Blair afastou-se da mo da me com um puxo. Se no estivesse entre Serena e Miles na
banqueta de couro branca, ela teria voado para o banheiro das mulheres para vomitar. Em
vez disso, pegou a flte de champanha e drenou o contedo em um gole s.
- Onde o beb vai dormir? - perguntou Tyler. Ele passou manteiga em um pedao de
baguete e enfiou na boca. Agora que Aaron est no quarto de hspedes.
Eleanor e Cyrus olharam-se como se no tivessem pensado nisso antes. Eleanor deu de
ombros.
- Bom, Blair e Aaron vo para a universidade no outono que vem. Tenho certeza de que
no vo se importar de dividir o quarto de hspedes quando vierem em casa. E depois ns
podemos transformar o quarto de Blair no quarto do
beb!
Aaron sentiu as bochechas arderem. Blair estreitou os olhos para a me e para o estpido
cabelo louro dela em sua faixa pudica. Ento agora eles estavam falando de tomar o quarto
dela para dar espao  horrorosa prole do demnio?
Ela estava se preparando para dizer alguma coisa para calar a boca da me e correr para o
banheiro para botar as tripas para fora, mas ento, sem nenhuma apresentao, os quatro
membros do 45 silenciosamente subiram ao palco, pegaram os instrumentos e comearam a
tocar. E a msica era alta. Fantstica e ensurdecedoramente alta.
Miles pegou a mo de Blair.
- Quer danar?
Em vez de responder, Blair atirou a cadeira para trs e praticamente arrancou a toalha da
mesa, puxando Miles consigo.
A banda no tinha ganhado o MTV Award por ser chata - eles eram demais. E no havia
jeito de Serena ficar sentada  mesa enquanto eles tocavam. Ela pegou a mo de Aaron e
Tyler e os arrastou dali.
- Vamos, vocs dois - gritou ela. - Dancem comigo!
Quando os ps nus de Serena atingiram a pista de dana, ela fechou os olhos e deixou que a
msica dominasse seu corpo, atirando os cabelos louros para trs, balanando os quadris e
batendo os ps com abandono. No biquni branco e na
canga verde-clara, ela parecia uma sereia que tinha fugido do mar. Flow no conseguia
deixar de olhar para ela enquanto cantava as palavras do sucesso Karnage. Ela era todas as
mulheres que ele cantava. A garota dos sonhos dele.
Blair atirou toda a energia de sua raiva na dana, socando o ar com os punhos, chutando,
batendo a cabea e chicoteando Miles no rosto com os longos cabelos castanhos de uma
maneira nada audreyana. O vestido rosa grudou na pele suada,
mas ela no se importou mais com a aparncia. No que estivesse ruim. Miles no
conseguia tirar os olhos dela. A terceira msica foi lenta, e a pista de dana se encheu de
casais mais velhos que se uniram a eles. Serena danou com Tyler, sorrindo para ele
enquanto ele colocava as mos em seus quadris nus. Tyler corou, mas no saiu. Ele sabia da
sorte que tinha. At meninos de 11 anos tm testosterona.
A msica era lenta e sensual. Miles passou as mos na cintura de Blair e puxou a cabea
dela para o peito dele. Blair no recuou. Em vez disso, apertou o corpo no dele, com fora.
Sua mente estava to cheia de raiva e desespero que ela tremia. No queria pensar em nada;
s queria se sentir bem, e graas a Deus estava com Miles, um cara que, sim, no era Nate,
mas que era bem gostoso e ela gostava dele, ou pelo
menos agora gostava. Ela afastou a cabea do peito de Miles e olhou para os olhos
amendoados e castanhos dele, deixando que o champanha e a vodca subissem  cabea.
Antes que conseguisse se conter, ela puxou a cara dele para a dela e o beijou longamente e
com fora enquanto os corpos balanavam no
ritmo da msica.
Aaron estava de p no bar, alternadamente olhando Blair e Miles e no os olhando
enquanto dava o primeiro gole de tequila e depois outro. Estava grato por Miles poder fazer
Blair se sentir melhor, mesmo que ele prprio no pudesse. Depois,
de novo, eles estavam danando obscenamente perto e a msica estava quase acabando. Ele
acendeu um cigarro natural, tirou dois tragos e depois o apagou em um cinzeiro, andando
trpego entre os casais de meia-idade na beira da pista
de dana enquanto Flow tocava os ltimos acordes da msica.
Mas quando Aaron chegou onde Blair e Miles estavam, eles j se afastavam de braos
dados, passeando pelos arbustos de hibisco que cercavam a piscina e descendo o caminho
para as vilas.
Aaron ficou no meio da pista de dana lotada com as mo nos bolsos de sua cala de linho,
olhando-os partir. No conseguia acreditar que tinha achado uma boa idia trazer Milles
para St. Barts.
A banda acelerou o ritmo, tocando Kiss, Kiss, Kiss, um de seus sucessos das pistas com
uma batida ska retr. Ainda parecendo um brinquedo de mola, Serena saltou para Aaron.
danou num pequeno crculo em volta dele.
- Venha, estraga-festa. Largue essa cala e dance!  gritou ela.
Aaron sorriu timidamente para ela e deixou que ela o puxasse para a multido de
danarinos suados se contorcendo.
Ele precisava se distrair, e Serena podia distrair muito quando queria. Arrancou o palet e o
atirou no ar, as trancinhas saltitando enquanto ele pulava e balanava.
A canga de Serena se desamarrou e caiu no cho, mas ela continuava danando  medida
que a msica ficava mais alta e o ritmo se acelerava, sacudindo os cabelos louros
embaraados e atirando os braos por cima da cabea. Ela gostava do modo como Aaron
danava com todo o corpo. Tantos caras
s sacudiam a cabea e mudavam de um p para o outro, mas Aaron era natural. Estava
adorvel essa noite, tambm, com a elegante cala preta de linho, as trancinhas apontando
para o alto. Serena danou um pouco mais perto dele, soprando nele enquanto balanava os
quadris. Por que no tinha notado antes
como ele era uma gracinha?
Flow via os dois danando, editando o roteiro do show na cabea. Era bastante doloroso ver
o amor de sua vida danar seminua com outros caras e o mnimo que ele podia fazer era ter
certeza de que no houvesse mais msicas lentas.
Tarde demais. Porque algumas pessoas j estavam danando sua prpria msica particular.
Na cama.

b decide perd-la de uma vez por todas

Talvez fosse o calor. Ou talvez fosse o fato de que sua vida estava uma baguna to
completa que ela queria fazer alguma coisa drstica para mud-Ia. Qualquer que fosse o
motivo, Blair sabia que estava seguindo Miles para a vila dele com um propsito: transar.
Na verdade, ele  que a estava seguindo. Ela praticamente o arrastava.
- Prefere ir para o seu quarto? - perguntou Miles no caminho. Ele, Aaron e Tyler estavam
meio que dividindo o lugar.
Blair pensou que devia deixar a vila para Serena, para o caso de ela precisar de um lugar
para escapulir com Flow.
- Serena pode precisar - disse ela. - No acha que Aaron vai se importar, acha?
- No. - Miles fechou a porta de tela atrs de si.  Eu estava comeando a pensar que voc
no estava mais a fim de mim. - Ele piscou ao acender a luz. O cho estava coberto de
roupas dos meninos e CDs. Havia at uma banana meio comida na mesa-de-cabeceira que
as arrumadeiras de certa forma esqueceram quando fizeram as camas e deixaram pequenos
chocolates mentolados nos travesseiros.
Uma banana meio comida? Mas que romntico.
Mas Blair no se importou. Tirou as sandlias de correia Jimmy Choo e puxou o vestido
pela cabea, deixando-o cair no cho com as roupas dos meninos. S o que restou nela foi a
tanga cor-de-rosa curtinha La PerIa que usava por baixo do
vestido.
- Eu estou a fim de voc - disse ela com a voz mais apaixonada, caindo de costas na cama
de Miles. - Venha c.
Miles tirou a camisa, os sapatos e deitou ao lado dela. Pegou o chocolate mentolado no
travesseiro, abriu a embalagem dourada e colocou-o na boca de Blair.
Blair manteve o chocolate intacto na boca, pegando a cabea de Miles e beijando-o,
forando o chocolate pelos dentes dele com a lngua. Ela no estava mais interessada em
imitar Audrey Hepburn em Bonequinha de luxo]. Audrey j era, era passado. Ela agora era
Debbie, como em Debbie Doese Dallas.
Ela pegou o cinto branco de lona dele com uma das mos, passando a outra mo sob o cs
de elstico de sua tanga, abaixando-a.
Ol, mulher - adeus, garotinha!
Depois de mais algumas msicas, Serena, Aaron e Tyler voltaram  mesa para jantar.
- No  divertido? - disse Eleanor, resplandecente.
Tinha comido todo o prato de peixe, batata-doce com caviar e alho-por, e j estava
atacando a musse morna de chocolate.
Era to bom ver que as crianas estavam se divertindo. Ela nem se importou que Blair e o
amigo bonito de Aaron no tivessem voltado para comer.
Aaron fez uma careta para seu prato de espinafre murcho e frio e alho-por ao vapor.
Tyler tirou a cabea do peixe e a atirou no ar como um torpedo para Aaron.
_ Cuidado! - gritou ele. - Peixe voador!
_ Tyler Waldorf Rose! - sibilou Eleanor.
Aaron bateu na mo de Tyler e a cabea de peixe mutilado caiu em seu prato. Ele piscou.
_ Tudo bem, eu no estou mesmo com fome.
Serena no sabia por que Aaron estava num mau humor to grande, mas queria ajudar.
_ Aqui - ofereceu ela, pensando que ele devia estar faminto.
Ela pegou uma de suas batatas-doces e comeou a dar pancadinhas nela com o guardanapo.
- Pode comer isso se eu limpar todo o caviar?
Ela estava to ocupada preparando a batata de Aaron que nem percebeu que a banda tinha
feito um intervalo e Flow estava vindo na sua direo.
_ Serena? - chamou ele, chegando por trs dela. Serena olhou para ele. Flow usava uma
camiseta regata preta e o colar de dente de tubaro, e seu pescoo e os ombros stavam
escorregadios de suor. Os cabelos crespos escuros
caam sobre os olhos, as bochechas brilhavam como bronze olido e os olhos azuis
cintilavam de adrenalina.
Serena passou a batata a Aaron, pegou o garfo e ps um edao de peixe na boca.
_ Oi - disse ela animada, com a boca cheia.
Flow olhou para Eleanor e Cyrus.
- Ol - disse ele.
- Gostaria de se sentar, filho? - ofereceu Cyrus.  Deve star esgotado. Vocs foram
fantsticos l. Fantsticos. Como se ele entendesse alguma coisa de rock.
Flow sacudiu a cabea.
- Obrigado, mas tenho de voltar em um segundo.  Ele se virou para Serena novamente, o
rosto sulcado de fervor. Gosta da msica?
Ela riu e deu outra garfada de peixe. No a tinha visto danando feito louca ali?
- , vocs so timos. Voc  demais.
Flow pareceu aliviado.
- Que bom. T legal. Bem, vamos tocar mais algumas msicas e depois eu estava pensando
em te pagar um drinque ou coisa assim, e talvez te dar o presente de Natal.
Serena tomou um gole de gua. Estava meio cansada de toda aquela dana. E, alm disso,
nem era Natal ainda.
- Na verdade, eu estou realmente meio cansada. Que tal a gente se encontrar no caf da
manh? Voc s devia me dar o presente no Natal, de qualquer forma.
- Caf da manh? - disse Flow, em dvida. Afinal, ele era uma estrela do rock. Na maioria
das vezes, no acordava antes do meio-dia.
- . L pelas dez e meia, por a? - piou Serena.  Vai ser legal!
O baixista tocou um acorde e o baterista bateu os tambores algumas vezes para que Flow
soubesse que a banda estava esperando por ele.
- Tudo bem. - Ele se inclinou, fechou os olhos azuis e beijou Serena na boca. - No se
esquea.
Ela sorriu com doura para ele.
- No vou esquecer.
De repente a sala zumbiu de fofocas.
- Viu aquilo?
'- Eu soube que ela est andando com o baixista tambm.
-' Acha que eles vo se casar mesmo?
- Ouvi dizer que eles se meteram num lance de contrabando de drogas.
Algumas garotas gritaram quando Flow pulou de volta no palco e pegou a guitarra branca
Fender. Ele ajeitou o microfone com os dedos longos e delicados e olhou por sobre a
multido de espectadores para uma s garota.
- Esta  para Serena - murmurou ele, as sobrancelhas juntas de emoo. Depois ele
comeou os primeiros acordes de sua msica favorita, Dark knight. Agora ele entendia de
onde vinha a letra e para quem era.

Girl, you're my bright star
I `ll follow you wherever you are
Fighting of wolves that bite at your heels

Serena se endireitou na cadeira, vendo Flow se derreter para ela. Era difcil no se sentir
lisonjeada. Ele era to lindo.
Enquanto ele tocava aquelas notas sensuais e agudas, ela no conseguiu deixar de sorrir.
De repente Aaron se levantou da mesa.
- Quer danar? - perguntou Serena cheia de esperana.
Ele sacudiu a cabea.
- Acho que vou voltar para o meu quarto  murmurou ele.
Serena se levantou. Aaron agia de uma forma to estranha que ela estava preocupada com
ele.
- Vou com voc - ofereceu-se ela, esquecendo-se completamente de Flow:
Serena acompanhou Aaron pela beira da pista de dana e atravs da multido que se
aglomerava no bar. Antes que chegassem ao caminho para as vilas, ela teve um vislumbre
do mar verde e parado e da areia branca e perfeita brilhando  luz da lua e se lembrou
daquelas noites de vero na casa de praia de Blair em Newport, quando ela e Blair bebiam
martnis, saam da casa e iam pela areia para mergulhar sem roupa na gua clarae fria.
Serena no conseguiu resistir.
- Vamos nadar!
Aaron ficou onde estava.
- No - disse ele. - V voc.
- Tem certeza?
Ele assentiu.
- Mas no v muito longe.
- Tudo bem! - gritou Serena, comeando a correr. Ela disparou pela praia, esbarrando nas
ondas, e mergulhou, ansiosa para sentir o arrepio da cabea aos ps quando a gua fria a
envolvesse. Nadando como uma foca, ela ficou embaixo da gua at que a cabea
finalmente surgiu na superfcie e ela
respirou exaltada o ar da noite. s vezes era muito bom viver.

 um saco quando voc no consegue achar as roupas

Blair queria acabar com aquilo rapidinho, mas Miles queria levar todo o tempo do mundo,
seguindo por cada centmetro do corpo de Blair de uma forma que parecia quase clnica,
comose estivesse fazendo um exame dermatolgico  ca ade eczemas, melanomas ou
coisa assim. Ela tentou relaxar e curtir a sensao de Miles lambendo o peito de seu p, mas
eles estavam completamente nus e ela no conseguia deixar de pensar que, se Miles fosse
Nate, a essa altura eles j teriam terminado.
Quando excitado, Nate ficava meio violento. No de uma forma assustadora, mas de um
jeito apaixonado, tremendo, irreprimvel. Blair sempre teve de ser firme quando dizia no,
no estava pronta para ir at o fim, e depois tinha de encontrar
um jeito de distra-lo.
Ah, ? E como?
Desta vez ela no teria de dizer a Nate para parar, e agora eles estariam deitados um nos
braos do outro, olhando para as estrelas atravs da janela, fumando cigarros e conversando
preguiosamente sobre o futuro.
Miles comeou pelo outro p, mordendo a ponta do dedo de Blair e trabalhando com a
lngua pela superfcie do anel de diamante. Blair recuou involuntariamente. Tudo sempre
parecia to perfeito quando ela estava com Nate. Eles eram
como as peas de canto de um quebra-cabea, encaixavam-se perfeitamente e, quando
estavam juntos, tudo fazia sentido.
Era por isso que no fazia mais sentido nenhum que ela estivesse deitada pelada em uma
cama de quarto de hotel em uma ilha no meio do Caribe enquanto um Miles pelado lambia
seus ps e Nate estava no frio congelante do Maine completamente s, possivelmente,
assim ela esperava, pensando nela.
Blair tirou o dedo da boca de Miles e rolou na cama. Miles mergulhou a cabea por baixo
do lenol.
-. Qual  o problema?
- Tenho de ir - disse ela sem nem mesmo olhar para ele. Ela se agachou, procurando pelo
vestido, mas estava escuro e tinha tanta porcaria no cho que no conseguiu encontr-la.
Miles ficou pendurado na beira da cama, vendo-a enquanto tamborilava os dedos nas
pernas.
-.- Eu estava tentando ir com calma.
Ns sabemos disso.
Blair o ignorou.
- Onde. est a porra do meu vestido? - murmurou ela.
De repente a luz se acendeu e o vestido tornou-se extremamente visvel em um monte no
cho aos ps da cama. Aaron estava na soleira da porta, mas, em vez de se desculpar
rapidamente e sair do quarto como um meio-irmo devia fazer, ele encarou Blair e
continuou a encarar.
A princpio Blair ficou completamente envergonhada. Dois segundos depois o
constrangimento tinha se transformado em raiva. Como ele ousa? Como ousa ficar olhando
para ela daquele jeito? Ele era a merda de seu meio-irmo.
Aaron sabia que devia se virar e deix-Ios a ss, mas seus ps no se mexiam. Miles se
abaixou e pegou o vestido rosa de Blair no cho aos ps dele.
- Cara - disse ele a Aaron, atirando o vestido para ela. Blair puxou o vestido por sobre a
cabea e marchou para a porta.
- Qual  o seu problema? - sibilou ela, esbarrando em Aaron quando saiu.
No que ela realmente quisesse saber.
A vila que Blair e Serena dividiam ficava a apenas seis metros de distncia - no era longe
o suficiente, no que dizia respeito a Blair. Ela passou pelas vilas e seguiu para a praia e,
quando os ps pisaram na areia, ela comeou a correr. Blair
no se importava de ter encomendado especialmente o vestido rosa na Calypso e de ter
pagado uns 150 dlares a mais por isso. Ela correu com a maior rapidez que pde at
chegar  gua e se atirou nas ondas, arruinando o vestido. Tomando uma grande golfada de
ar, ela mergulhou, impelindo o corpo para a frente com toda a fora de seus braos e
pernas. Depois, quando os pulmes estavam prestes a explodir, ela subiu  superfcie,
arfando e piscando com a gua salgada nos olhos.
A lua brilhava e a msica da festa de vspera de Natal ecoava na gua. O 45 tinha parado e
um DJ tocava Blame It on the Boogie, um clssico de Michael Jackson. Na praia, Blair
podia ver a vaga silhueta de uma garota, os ps batendo na gua rasa, parecendo Halle
Berry em Um novo dia para morrer, mas com
o cabelo louro comprido e usando um biquni branco em vez de um laranja.
 claro que era Serena.
- Cad o Miles? - gritou Serena, colocando as mos emconcha na boca.
- E quem se importa? - respondeu Blair, entrando nagua. - Cad o Flow?
- E quem se importa? - respondeu Serena.
As duas riram e Blair boiou de costas por alguns segundos, olhando a lua. Depois ela se
virou e nadou em direo a Serena.
- Estou pensando em voltar amanh - disse ela, saindo da gua. Tinha um roteiro para
escrever e queria trabalhar nele sem a me grvida, o meio-irmo esquisito ou o amigo
perseguidor dele por perto para incomod-Ia.
Serena sabia que era melhor no perguntar o que tinha acontecido.
- Mas amanh  Natal- assinalou ela. - Sua me no vai ficar chateada?
Blair espremeu a gua dos cabelos e a gua caiu na areia, deixando uma trilha atrs de si.
- Como se eu ligasse. Alm disso, Cyrus  judeu.
As duas meninas andaram lentamente pela praia de volta  vila, saboreando a companhia
uma da outra e os sons tranqilizadores das ondas quebrando na praia. Se ao menos
pudessem ficar andando para sempre.
Quando finalmente chegaram  vila, elas descobriram o
que parecia uma grande gaiola de ferro coberta com uma capa listradinha de vermelho e
branco esperando por elas na porta.
Feliz Nata!!
Serena pegou a gaiola pela ala de bronze e levou para dentro. Colocou a gaiola na mesa-
de-cabeceira e tirou a capa enquanto
Blair acendia a luz.
Dentro da gaiola havia um lindo papagaio verde e azul com o bico amarelo empoleirado em
um fino anel de madeira. O papagaio piscou para Serena com seus olhos de conta.
- Eu te amo, Serena! Eu te amo, Serena - guinchou ele.
- Case comigo. Case comigo.
Blair riu.
- Acha que  de Kati e Isabel?
Serena riu tambm.
- Sei l. No tem carto.
- Eu te amo, Serena! Case comigo. Case comigo  disse o papagaio novamente e agitou as
penas.
Serena colocou a capa de volta e se afastou da gaiola. Flow podia ser insanamente lindo e
lisonjeiramente generoso, mas isso estava ficando demais. Ela olhou para Blair.
- Sabe o que voc disse sobre ir embora amanh?
- ? - Blair tirou o vestido ensopado e o atirou na direodo cesto no canto.
Serena foi para o armrio e puxou a mala Kate Spade daprateleira de cima.
- Estarei pronta quando voc estiver.

Gossipgirl.net
___________________________________________________________________
temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

Ho, ho, ho e Feliz Natal para todos!

Sei que a famlia de V no festeja o Natal, mas tenho um presente para ela, de qualquer
forma. Parece que uma coisa boa pode vir daquele link que est voando pela Internet. Veja
a seguir:

Cara Gossip Girl,

Meu nome  Ken Mogul e sou cineasta independente. Voc pode ter visto meu filme
Seahorse, estrelado por Chle Sevigny e Tobey Maguire, que saiu agora em DVD. Por
acaso vi o filme no link que voc discutiu em seu site, e queria perguntar se voc sabe
como entrar em contato com a pessoa que o realizou. Seja quem for, tem muito talento, e
gostaria muito de trabalhar com ele ou ela. Muito obrigado e, a propsito, voc arrebenta.
- xoKM

Tomei a liberdade de bancar o Papai Noel e a fada madrinha ao mesmo tempo e dar o nome
de V ao Sr. Mogul e disse a ele que ela morava no Brooklyn. A, hein, V: hoje porns na
Internet, amanh o Festival de Cannes!

Os outros e-mails

P: oi, gg,
Tenho de te contar que eu soube que S voltou para as drogas. Todo aquele boato de que ela
e Flow esto noivos  totalmente falso. O verdadeiro motivo para ela ir a St. Barts era para
encontrar um traficante para que pudesse trazer uma carga completa de coisas para vender.
Mas todo mundo deve saber disso.
- insider

R: oi, insider,
Voc deve ter razo. Eu ouvi dizer que ela est pensando em cair na farra no Ano-novo
tambm. Mas, no se esquea, ela ainda tem de passar pela segurana do aeroporto.
- GG

P: Cara Gossip Girl,
Tenho uma casa em Mt. Desert, Maine, e encontrei alguns amigos l para fazer
tobogganing inclusive N. Achei que ele tinha uma namorada mas ele estava azarando todas
as garotas l at eu e ele estava to chapado que eu no quis ir de carro com ele para fazer
tobogganing.
- pumpkim

R: Cara pumpikin,
Parece que N est buscando sua alma gmea. Ele pode fazer tobogganing comigo quando
quiser.

Flagra

B e S pegando um txi do JKF para a Quinta Avenida, parecendo maravilhosamente
bronzeadas e felizes por estarem em casa. K e I reunidas novamente, na Williams Sonoma
na Madison, verificando para ver se S e Flow j haviam registrado a lista de casamento.
Um cara sarado com uma camiseta da equipe de Isle de la Paix devolvendo um grande
papagaio verde e azul a uma pet shop em Gustavia.

Um ltimo desejo

Ento, eu tinha conseguido toda a minha lista de Natal, at a minha bolsa laranja Hermes
Birkin. Sei que voc acha que sou mimada, mas eu mereo isso. O que ainda no consegui,
porque ainda faltam seis dias,  uma vspera de Ano-novo que transforme a vida. Vamos
esperar que S d mesmo uma festa, e quem sabe  Flow pode at aparecer!

Vejo vocs  meia-noite!

Pra voc que me ama,

gossip girl
prisioneira da torre

Presa em uma casa sem nada para fazer a no ser ler e devanear, Jenny se sentia uma
Rapunzel, s que com cabelos mais curtos e peitos maiores. Ela guardou a tanga de cetim
branca no fundo da gaveta de calcinhas at a prxima vez em que visse Nate. A vspera de
Ano-novo no estava longe e talvez ela nem tivesse de esperar tanto. No fundo ela esperava
que ele estivesse com muita saudade dela, que voltasse do Maine e se esgueirasse no quarto
dela no meio da noite pela escada de incndio. Imaginar que se veriam novamente a
mantinha ocupada por horas.
Coitado do Nate, preso naquele Maine cheio de neve e frio. Ontem foi Natal, e
provavelmente ele passou o dia todo assistindo a filmes antigos com os pais, de vez em
quando olhando a neve e se perguntando quando iria ouvir a voz dela novamente. Jenny
nem se importava de no falar com ele ao telefone  esta separao forada s estava
deixando seu amor muito mais forte -, mas ainda tinha de fazer alguma coisa para mostrar a
Nate que pensava nele e o amava mas do que nunca. E foi por isso que ela decidiu mandar
um pacote de lembranas para ele.
Primeiro ela encontrou uma caixa velha de tnis Nike, que ela revestiu de folha de estanho.
Depois, colocou um exemplar em brochura de Romeu e Julieta, de Shakespeare, na caixa.
O sofrimento dos amantes na pea trgica era muito parecido com o deles: estavam
profundamente apaixonados e foram proibidos de se ver, e ainda assim o amor vencia no
fim.  claro que ela e Nate no iam morrer, como Romeu e Julieta. Eles se casariam, teriam
uma famlia grande e contariam histrias aos netos sobre como se encontraram no parque
em um dia ensolarado de outono quando as foras do universo estavam perfeitamente
alinhadas.
Em seguida Jenny acrescentou uma embalagem de estanho de dois Pop-Tarts de blueberry
 caixa. Eram sua comida preferida, embora raramente comesse, porque tinha calorias
demais e absolutamente nenhum valor nutritivo. Mas ela gostou da idia de Nate comendo
uma coisa que ela adorava e sentindo falta dela.
Depois Jenny colocou uma foto dela que Dan tinha tirado no vero anterior. Ela usava um
vestido sem mangas amarelo e estava parada na beira de uma piscina de um hotel em
Hershey, na Pensilvnia, aonde Rufus os havia levado para passar um fim de semana. Jenny
gostava de com seus cabelos brilhantes estavam na foto, e como os braos bronzeados
cobriam as laterais dos peitos de forma que no se podia dizer que eram to grandes.
Em seguida ela colocou o programa de O Quebra Nozes que tinha guardado. Jenny queria
que Nate soubesse que, comeando com O Quebra Nozes, esse dia tinha sido o mais
maravilhoso da vida dela, o dia em que eles disseram que se amavam.
Por fim ela cortou uma mecha grossa dos cabelos crespos, amarrou com uma fita vermelha
e colocou dentro da caixa. Parecia meio estranho com todas as outras coisas, como um
memento de um morto ou coisa assim, mas ela queria que Nate sentisse que ela estava bem
ao lado dele e essa parecia ser a melhor maneira.
Com o acrscimo da mecha de cabelo, a caixa de lembrana parecia completa. Ento ela
fechou a caixa e prendeu a tampa com fita adesiva. Depois a embrulhou com pginas de
revistas para adolescentes que estavam espalhadas pelo quarto, com o cuidado de no
incluir nenhuma pgina com anncios constrangedores de absorventes ntimos, plulas
anticoncepcionais ou remdios para micoses. Finalmente ela colou um Post-it amarelo e
cuidadosamente escreveu o endereo de Nate no Maine, que ela havia colocado na agenda
com os endereos de todas as outras casas da famlia dele em Montauk, Nice, St. Anton e
Barbados, s para garantir.
Depois de colar na caixa vinte selos que tinha surrupiado da escrivaninha do pai, Jenny
levou o pacote para a cozinha e abriu a porta dos fundos para deix-la com o carteiro. Era
timo morar em um prdio antigo como o dela. No havia caixa de correio no trreo, ento
o carteiro usava o elevador de servio e entregava a correspondncia diretamente na porta
dos fundos. Ela colocou a caixa no cho, abaixo da pequena prateleira onde o carteiro
colocava a correspondncia, e fez uma carranca para ela, perguntando-se se talvez devesse
abri-la de novo e incluir a tanga para que a caixa ficasse um pouco mais sexy. Pensando
melhor, isso parecia meio de piranha. Alm disso, Nate tinha lhe dado a tanga de Natal. Se
mandasse de volta, Nate podia pensar que ela no tinha gostado.
Dan apareceu na cozinha e viu Jenny parada na porta dos fundos.
- O que est fazendo?  perguntou ele, desconfiado. Seu pai tinha pedido a Dan para ficar
de olho em Jenny e ele estava levando a tarefa muito a srio.
Jenny fechou a porta.
- S vendo se tem correspondncia.  Ela se virou e olhou para Dan com os olhos
semicerrados. O cabelo dele estava embaado e ele usava a mesma camiseta branca
manchada de caf h dois dias.  Voc est horrvel.
Dan colocou caf instantneo na caneca e abriu a torneira de gua quente at que estivesse
quente o bastante para dissolver os cristais. Ele encheu a caneca e bebeu um gole.
- Estou trabalhando num poema  disse ele, como se isso explicasse tudo.
Jenny abriu a geladeira, ia pegar um pode de iogurte de caf Dannon, e depois retirou a
mo e fechou a porta da geladeira com um baque. A ltima coisa que queria era engordar
antes de ver Nate novamente.
Dan soprou na caneca, observando-a.
- Voc sabe que foi a Vanessa n?- disse ele impassvel.  Quem filmou os dois no parque?
Jenny se virou, puxando para baixo o suti onde ele tinha subido entre os peitos. Ela no
voltou ao site desde que viu no computador de Dan, e nunca passou pela cabea dela tentar
deduzir quem tinha feito aquilo. A idia de Vanessa colocando o filme no site parecia
absolutamente ridcula.
- Como  que voc sabe?  perguntou Jenny.
Dan deu de ombros.
- Veja o filme. S pode ter sido a Vanessa.
Jenny cruzou os braos.
- Prefiro no ver. De qualquer forma, e da se foi ela?  jenny trabalhou com Vanessa na
Rancor, a revista de artes das alunas da Constance Billard, e elas sempre se deram bem. Se
Vanessa tinha filmado Nate e Jenny no parque, provavelmente havia uma explicao
perfeitamente boa para o motivo de ter feito isso e uma explicao perfeitamente boa para
como o filme foi parar na Web.
- S achei que voc quisesse saber,  s isso.  disse Dan e voltou ao quarto dele. Estava
arrumando e rearrumando a lista de palavras que tinha escrito para o exerccio de bloqueio
de escritor, e agora tentava mont-las em alguma ordem para o poema "Putas".
Piranha, escrava, raspada, preta, renda, gelo, frio, chuva, choro, leno, dormir, caf,
mancha, culpa...
Seria um poema muito raivoso,  claro, mas no era sobre estar com raiva. Era sobre
descobrir que a pessoa que voc ama no  quem voc pensava que fosse. Jenny no era a
doce e inocente irmzinha que ele pensava, e Vanessa era uma voyeur que usava calcinha
de puta e se aproveitava dos momentos de intimidade das pessoas para chamar ateno.
Ele comeou a usar palavras da lista, acrescentando o verbo ou adjetivo ocasional para
embelezar o texto.

Limpo o sono de meus olhos com o leno e sirvo outra caneca.
Vejo que voc tentou me dizer o tempo todo,
Raspando a cabea e me mostrando (to delicadamente)
Com cetim e renda:
Voc  uma piranha.

Dan gostou da retido do que tinha escrito e de sua energia. Ele continuou escrevendo,
revigorado pela sensao de encher uma folha de papel novamente. Depois que terminasse,
ia mandar por e-mail para Vanessa. Escrever o poema era a nica maneira que ele conhecia
de lidar com o que tinha, e mand-lo para Vanessa era a nica maneira que conhecia de
dizer a ela.

V encontra um jeito de se desculpar

Ruby enfiou a cabea no quarto de Vanessa. Estava usando uma jaqueta emborrachada
preta, jeans e sapatos pretos pontudos com salto agulha. Tinha cortado o cabelo com lmina
de barbear e ele estava supercurto.
- Algum mail? - perguntou Ruby.
Vanessa sacudiu a cabea. Seus pais estavam viajando pela Europa, numa turn de alguma
feira de arte, e ainda no tinham mandado nem um postal.
- Telefonemas? Recados?
Vanessa sacudiu a cabea novamente.
- Alguma possibilidade de voc vir comigo? -props Ruby. - Voc devia estar de frias,
sabe como .
Vanessa deu de ombros de novo e fechou o casaco de capuz at o queixo. Ainda estava
zangada com a irm por emprestar a cmera dela sem pedir, e ainda no queria fazer nada a
no ser falar com Dan. Ela no falava com Dan desde que saiu da casa dele na sexta-feira -
o tempo mais longo que j ficaram sem se falar desde que se tornaram amigos anos antes.
Ela queria explicar tudo a ele, como todo o desastre no link da Web tinha sido s um
acidente terrvel e como Vanessa s comprou a lingerie Victoria's Secret porque pensou que
o ajudaria a relaxar e se divertir. Queria dizer-lhe que eram amigos h tempos demais para
ficarem zangados um com o outro desse jetio e se desculpar de um milho de maneiras
diferentes. Mas no fundo ela esperava que Dan a conhecesse bem o suficiente para
imaginar que ela nunca teria colocado um filme no site explorando a irm dele daquele
jeito. E ela no fundo esperava que ele percebesse que a havia humilhado quando ela estava
de p, praticamente nua, com uma roupa de baixo mnima, e que ele  que devia se
desculpar primeiro.
- T legal. A gente se v depois. Vou trazer uma comida para voc - disse Ruby, virando-
se.
Vanessa foi at o computador para verificar pela centsima vez se Dan lhe mandara algum
e-mail.
Desta vez ele mandou! E era um poema! Ela puxou ansiosa a cadeira e clicou duas vezes no
arquivo. Assim que ele abriu, ela comeou a ler.
Leu o poema trs vezes na tela antes de imprimi-lo e ler novamente. As palavras eram feias
e raivosas, e a magoaram. Dan no a havia perdoado, isso estava muito claro.
Mas Vanessa sempre foi capaz de ver a beleza nas coisas feias, e ela leu solicitaes de
publicao suficientes na Rancor para saber que o poema dele era especial. Era cheio de
metforas ricas e uma linguagem apaixonada e, embora quisesse enterrar a cabea nas
cobertas e chorar, ela no conseguiu deixar de admirar as expresses inteligentes. Era
brilhante.
Mesmo que Dan nunca mais falasse com ela, e apesar de o poema tratar inteiramente dela e
da pessoa horrvel que ele pensava que ela fosse, ela ia conseguir que o poema fosse
publicado.
Dan nunca tentou publicar nada, mas no havia como ele no ficar estarrecido quando
abrisse um exemplar da The New Yorker e visse seu poema "Putas" impresso na revista. E
que maneira maravilhosa de impressionar as universidades a que ele estava se
candidatando. Ela no podia deixar de fazer isso. Devia isso a ele.
Pulando da cadeira, Vanessa vasculhou o quarto de Ruby at encontrar um exemplar da The
New Yorker enfiado por baixo da porta do armrio. Folheou a revista at encontrar o nome
do editor, voltou ao computador e escreveu uma carta a ele, colocando o nome de Dan e o
endereo dele no envelope selado para resposta.

audrey vai para a universidade

EXT. DEPART. INGLS. PRDIO DO CAMPUS DA NOVA INGLATERRA - DIA

Um prdio de quatro andares com colunas brancas e marfim. Um gramado verde na frente.
Escada de mrmore.

AUDREY, 18 anos, uma garota bonita de cabelos escuros com saia, blusa e sapatos de
solado baixo da moda, pedala sua clssica bicicleta Schwinn pelo gramado e a estaciona em
um suporte de um lado das escadas de mrmore. Ela sobe a escada e entra no prdio.

INT. DEPART. INGLS. PRDIO SEQNCIA

Um longo corredor ladeado por pequenas salas do departamento. Todas as portas esto
abertas, e dentro de cada um delas um professor est reunido com um aluno, discutindo as
questes mais admirveis da literatura.

ALUNO A
Eu realmente pensei que seria melhor se a baleia pudesse falar, senhor.

PROFESSOR A
Mas no se trata de uma baleia falante. Trata-se da busca de um homem por significado.

ALUNO B
No tem pontuao. Est vendo? No usei vrgula nem ponto.

PROFESSOR B
Isso no faz um poema. Um poema tem... bem, um poema tem poesia.
ALUNO C
Aquele sobre a baleia?

PROFESSOR C
rr. O que achou?

ALUNO C
Bem, eu realmente acho que seria melhor se a baleia falasse.

Um quarto professor vai at a porta, olha o corredor dos dois lados e depois bate a porta.
AUDREY corre pelo corredor, parecendo esfarrapada. Ela bate na porta do professor que
acabou de fech-la.

AUDREY
Professor Weeks! Oh, professor Weeks!

PROF. WEEKS
Est atrasada.

AUDREY
Sim, mas tenho uma desculpa perfeitamente boa.

O professor faz uma pausa, esperando ouvir a desculpa.

PROF. WEEKS
Sim?

AUDREY
(sem flego)
Oh, mas no posso contar ao senhor!  uma coisa ilegal.

PROF. WEEKS
(fazendo uma carranca)
Ilegal? Vou precisar chamar a segurana do campus?

AUDREY
(sacudindo a cabea)
Ah, no. Pelo menos, ainda no.

Ela passa seu trabalho a ele.
AUDREY
No consegui decidir sobre qual pela de Shakespeare escrever, por isso escrevi sobre todas
elas. Espero que no se importe.

O professor coloca os culos de leitura e comea a ler o trabalho. Ele se senta  mesa,
completamente absorto com o que est lendo. Enquanto ele continua a ler, Audrey
casualmente sai da sala dele e fecha a porta. Ela anda pelo corredor e sai pela porta do
prdio, pega a bicicleta e pedala pelo gramado.

EXT. QUADRA DA FACULDADE  SEQNCIA

Um enorme gramado triangulado por prdios de tijolinhos.

AUDREY pedala pelo gramado, olhando a folhagem cada em vez de olhar para onde est
indo. Ela se choca com um rapaz que usa um suter da equipe de remo que est a caminho
do treino. O rapaz cai no cho.

Ele  COLIN DAVIS
Ai!

Audrey desce da bicicleta e se agacha ao lado dele.

AUDREY
Desculpe. Est tudo bem?

COLIN
Acho que minha perna quebrou.
Ele tenta mex-la.

COLIN
Ai!

AUDREY
No se mexa. Vou chamar uma ambulncia.

Ela vasculha a bolsa procurando pelo celular. Uma arma cai da bolsa. COLIN olha para a
arma. AUDREY pega a arma e enfia na bolsa novamente. Ela abre o celular e disca o
nmero da emergncia.

s assume o agito

Serena concluiu que a nica maneira de consertar o Natal horroroso era ter um Ano-novo
verdadeiramente sensacional, e a melhor maneira de garantir isso era dar sua prpria festa.
Ela adorava planejar festas e era extremamente boa nisso, mas j era quarta-feira e s tinha
trs dias e meio para organizar tudo. Blair no ia ajudar. Estava isolada no quarto com o
iBook, um pacote de cigarros e uma mquina de caf expresso e no ia sair at que
terminasse o roteiro que estava escrevendo para a proposta para Yale. Serena sempre foi
melhor delegando tarefas do que fazendo tudo sozinha, ento, quem devia chamar a no ser
as duas garotas que queriam to desesperadamente ser suas novas melhores amigas?
- Al? Kati?  Serena.
- Oi!
- Olhe, Isabel est a?
- rr.
 claro que estava.
- Legal. Ento, eu estava me perguntando se vocs se importariam de vir me ajudar a
planejar minha festa de Ano-novo. Eu meio que decidi de ltima hora e realmente quero
que seja tima, mas estou com pouco tempo.
As duas meninas ficaram sem fala. Ento comearam a guinchar juntas.
- Ai meu Deus! Vai ser a melhor festa de todas! No se preocupe, vamos chegar a
rapidinho.
E chegaram.
Serena chegou  porta usando a cala de veludo vermelho Juicy Couture e uma camisetinha
com uma estampa de um boneco de neve.
- Ai, meu Deus, voc est to bronzeada exultou Isabel, beijando-a no rosto.
- Voc emagreceu?- acrescentou Kati, beijando-a tambm.
Como se Serena precisasse emagrecer.
A eterna anfitri graciosa, Serena levou-as para a sala de estar do enorme apartamento da
famlia na Quinta Avenida com vista para o Metropolitan Museum of Art. Os pais dela
foram para Ridgefield passar as festas e o irmo estava em Boston, com os amigos da
faculdade, ento Serena tinha o apartamento s para ela.
J havia colocado vrias folhas de papel em branco na enorme mesa de centro com tampo
de vidro e escrito cabealhos nelas: Local. Bebida/Comida. Msica/Som.
Tema/Decorao/Iluminao. Convites. Lista de Convidados. Ela passou as folhas de papel
para Kati e Isabel.
Viu como Serena sabia delegar?
- Vocs foram do comit organizador da festa Beijo na Boca em outubro, no ?
Elas assentiram.
- timo. Podem ligar para o mesmo buf e o mesmo decorador daquela festa?
- Claro!  Isabel inclinou-se para a bolsa procurando pelo PalmPilot.
- E vamos precisar encontrar um DJ legal  instruiu Serena.
Kati pareceu confusa.
- No  o 45 que vai tocar?
Serena piscou. No tinha idia de onde Flow ia passar o Ano-novo, mas tinha certeza
absoluta de que no queria que ele a ficasse perseguindo em sua prpria festa.
- No, na verdade ele est ocupado gravando o disco novo  mentiu ela.  Um DJ  melhor,
de qualquer forma. Mais variedade.
As duas meninas pareceram decepcionadas.
- Achei que podamos usar essa lista de convidados do baile Black-and-White  continuou
Serena, pegando outra pilha de papis na mesa de centro.   claro eu vocs podem
acrescentar quem quiserem.
- Flow vai, pelo menos?
Serena vacilou. Se dissesse que no ia, Kati e Isabel provavelmente comeariam a espalhar
boatos de novo, sobre como o noivado de Serena e Flow tinha terminado e bl, bl, bl. E
podia ser um gesto elegante mandar um convite para a casa de Flow em Malibu,
especialmente depois de ela ter deixado o papagaio na recepo do resort em St. Barts e
voltado a Nova York na manh de Natal, sem v-lo novamente. No era como se ele
realmente fosse  festa, de qualquer forma.
- Ele me prometeu que iria  disse ela, apontando para o nome de Flow na lista.
Sem pensar no que estava fazendo, Serena correu o polegar pela lista at chegar ao R para
se certificar de que o nome de Aaron Rose estava ali. Aaron s voltaria de St. Barts no dia
30, mas ela esperava que ele fosse  festa. Ele parecia to triste da ltima vez em que ela o
viu que ela queria fazer alguma coisa para anim-lo.
- Quer que eu cuide dos convites?  perguntou Kati, toda executiva. Tirou o celular Nokia
da bolsa Herv Chapelier vermelha.  Posso ligar para a papelaria agora mesmo.
- timo  disse Serena.  E, Isabel, por que no liga para o corretor de imveis para festas?
Diga-lhe que quero um grande loft no centro com uma boa vista dos fogos de artifcio. De
preferncia com um deque.
Enquanto passava a lista de convidados a Kati, um nome no topo da lista chamou a ateno
de Serena: Nathaniel Archibald. Onde diabos andava o Nate, alis?, perguntou-se ela. Ele
tinha de ir  festa dela. O Ano-novo no seria o mesmo sem ele.
Nate estava ocupado abrindo o pacote de lembranas de Jenny, o que no era uma tarefa
simples, uma vez que estava embrulhado numa camada de cinco centmetros de revistas
para adolescentes e fita adesiva Scotch. O pacote tinha chegado ontem  tarde, mas de
algum modo, entre fazer snowboarding descendo a montanha Cadillac com John e Ryan e
fumar haxixe na banheira de uma garota em uma festa em Bar Harbor, ele simplesmente
tinha se esquecido de abrir.
A nica cueca limpa que restava na gaveta de Nate era a que Jenny tinha comprado para ele
na Barneys, ento ele agora estava sentado no cho usando a samba-cano de veleiro e
rasgando as folhas de revista que cobriam a caixa do tnis Nike, exatamente do modo como
Jenny tinha imaginado.
Ele ergueu a tampa da caixa e olhou o interior, rindo consigo mesmo enquanto passava o
dedo na mecha de cabelo de Jenny. Mandar uma mecha de cabelo quase parecia uma coisa
que Blair faria, s que ela provavelmente encheria de perfume primeiro, e depois a
colocaria numa caixa de prata da Tiffany revestida de veludo vermelho e com um
monograma das iniciais de Nate ou coisa assim. Nate pegou o programa de O Quebra-
nozes e o folheou. Em vez de se lembrar de cinco dias antes, quando ele levou Jenny para
ver o bal e eles se sentaram na primeira fila do balco no New York State Theater do
Lincoln Center de mos dadas enquanto o exrcito de quebra-nozes de soldados de
brinquedo lutava contra os camundongos do mal sob a rvore de Natal enorme, ele pensou
na ltima vez em que levou Blair para ver o mesmo bal.
Blair tinha tido clica. Ento, no intervalo, Nate conseguiu um Advil e uma Perrier para ela
com o bartender e depois eles saram para fumar cigarros no balco. Eles ficaram se
beijando e passaram todo o segundo ato ali, fumando, beijando e vendo as pessoas
passarem pela fonte vazia e pelo Lincoln Center. Blair estava usando um casaco de plo de
camelo com gola de mink em que Nate gostava de encostar o rosto, respirando a
combinao dos aromas de pele de animal, perfume de Blair e fumaa de cigarro.
De cima da cmoda Shaker de bordo do quarto de Nate em Mount Desert, o celular tocou.
O telefone tinha nove mensagens, todas com o nmero de Jenny, e Nate ainda no tinha se
preocupado em responder a nenhuma delas. Mas dessa vez o nmero que piscava na tela
era diferente.
Nate riu. Ele sempre ficava feliz ao ouvir Serena.
, assim como todos os caras do planeta.
- E a? O que  que t rolando?
- Natie? - A voz de serena soou em seus ouvidos. - Eu estava me perguntando quando  que
vou ver voc de novo. Ou voc vai, tipo assim, ficar no Maine at a formatura?
Nate se inclinou e pegou o pacote de Pop-Tarts de blueberry na caixa de lembranas de
Jenny. Abriu com os dentes e tirou um dos Pop-Tarts, devorando-o antes de atirar o saco de
volta  caixa.
- Acho que vou ficar mais tempo por aqui - ele queria evitar de lidar com Jennifer at o
ltimo minuto. Ou para sempre, se possvel.
- Mas vou dar uma festa de Ano-novo - disse Serena numa voz de mau humor. - Kati e
Isabel esto aqui agora, me ajudando a planejar. O tema vai ser demais e vamos ter o
melhor DJ, e um deque enorme para que todo mundo possa ver os fogos. Voc  um man
se no vier, e eu prometo que vai se arrepender totalmente.
Nate riu. A festa parecia legal. Depois ele se lembrou de uma coisa.
- Ei, cad a Blair? Vocs no estavam em St. Barts?
- Voltamos mais cedo - suspirou Serena. - Blair est bancando a nerd e trabalhando na
proposta para Yale.
- Ah - Nate pegou o exemplar de Romeu e Julieta e passou o polegar na borda das pginas
cheias de orelhas. Depois ele olhou a capa, uma imagem clssica de um rapaz e uma garota
entrelaados num abrao. - Mas ela vai na festa, n?
- Claro que sim, bobinho - exclamou Serena. - Ela no est to nerd assim.
- Tudo bem - concordou Nate, ainda segurando o livro. - Eu vou.
Serena desligou. De frente para ela, sentadas no sof de chintz vermelho e branco, Kati e
Isabel estavam atarefadas ao celular, agendando o buf e encomendando mais bebida do
que jamais precisariam. Serena sorriu para si mesma. Era meio interessante como Nate s
disse que ia  festa depois que ela mencionou que Blair estaria l. Teve a sensao de que ia
ser um Ano-novo muito interessante.

os artistas atormentados de repente tm seu momento

Ainda usando a mesma camiseta branca manchada de caf que vestiu por quase uma
semana, Dan tinha praticamente enchido todo um bloco com poemas mrbidos sobre como
o amor era um embuste potico inventado pela Hallmark para vender cartes do Dia dos
Namorados e dar s pessoas a falsa impresso de que a vida delas tinha significado. Agora
mesmo ele estava trabalhando em um poema intitulado "Carro Cheio de Pedras", sobre um
cara que enche seu carro de pedras e o leva at um rio porque o carro o lembra da ex-
namorada que gostava de dirigir por a e ouvir a esttica do carro em vez de msica.
Jenny bateu na porta.
- Tem uma carta pra voc, Sr. Eremita.
Dan baixou a caneta e abriu a porta. Jenny estava usando um roupo cor-de-rosa e tinha um
bigode de creme branco. Ela lhe passou um envelope.
- O que  isso na sua cara?  perguntou ele, pegando a carta.
- Estou me depilando  disse ela, virando-se e seguindo pelo corredor at o banheiro.
Sei l o que isso significa, pensou Dan, fechando a porta. Jenny estava gastando tempo
demais presa em casa lendo revistas de moda, mas combinava bem com ela por ter sido
uma puta.
Dan virou o fino envelope branco e examinou o endereo do remetente. Era da New Yorker,
provavelmente oferecendo uma assinatura, quando seu pai j era assinante a vida toda. Ele
o abriu e desdobrou a folha de papel que estava dentro.

Prezado Sr. Humphrey,
Obrigada por mandar seu poema, "Putas",  The New Yorker. Nossos parabns! Fico feliz
em informa-lo de que publicaremos seu poema em nossa edio do Dia dos Namorados.
Preencha, se lhe interessar, a ficha de Informao do Autor anexada a esta, para que
possamos incluir aglumas informaes sobre o senhor em nossa pgina de colaboradores.
Um cheque no valor de 800 dlares lhe ser enviado.
Feliz Ano-novo!

Jani Price
Editora

Isso era alguma piada?, perguntou-se Dan. Ele releu a carta duas vezes antes de deix-la
cair na cama, todo o corpo tremendo de pavor. The New Yorker raramente publicava
poemas de autores desconhecidos, e Jani Price era famosa por mandar cartas de rejeio
desagradveis, como. "Boa tentativa!" ou "Lamento, Charlie". Dan analisou a letra. Parecia
autntica. Depois leu a carta de novo, as mos ainda tremendo loucamente com a idia de
que uma pessoa estranha  e ainda mais to famosa no mundo literrio como Jani Price 
tinha lido seu poema.
Quanto mais pensava nisso, mais evidente ficava que a nica pessoa que podia ter mandado
o poema para a revista era Vanessa. Como se j no tivesse causado estragos o suficiente.
Que diabos  no, que porra ela estava pensando?
Dan atirou a carta na cama e tirou a camiseta suja. Primeiro ia tomar um banho quente e
vestir roupas limas.
At que enfim!
Depois ia direto para o Brooklyn para dar uma bronca em Vanessa. Como ela ousou violar
seu trabalho mandando-o para algum sem ter o trabalho de perguntar a ele primeiro?
Quem ela pensava que era, afinal? Sua fada madrinha de cabea raspada e botas de
combate?
Que tal a Bruxa Boa M do Leste?
Ruby finalmente tinha recuperado a cmera digital Sony e Vanessa estava sentada no
computador, baixando as imagens dos pingentes de gelo e inserindo-as em seu novo filme,
pouco antes do trecho de pombos empoleirados em um caminho de lixo. Ela j havia
deletado o filme de Nate e Jenny na neve e decidira deixar tudo aquilo para trs e se
concentrar no novo filme. Alm dos pombos empoleirados no lixo, uma cabea de boneca
careca e caolha saa de um saco de lixo rasgado. Era sensacional.
Uma caixa de mensagem instantnea apareceu no canto superior direito do monitor e
Vanessa clicou nela, esperando que fosse Dan. A essa altura ele j devia saber da New
Yorker e talvez estivesse mandando a mensagem para agradecer porque eles decidiram
publicar e tudo estava perdoado. Mas o endereo na mensagem no era o de Dan.

KM10001: vc  vanessa abrams, cineasta?
Gatacareca: talvez
KM10001: estou procurando pela pessoa que filmou aqueles garotos no parque. o trabalho
com a cmera  inacreditvel.
Gatacareca:  mesmo? quem diz?
KM10001: Ken Mogul. fiz Seahorse, talvez vc tenha visto. ento estou falando com a
pessoa certa?
Gatacareca:est.
KM10001: uau. eu queria muito trabalhar com vc. estou terminando um filme agora que
vou mandar para Cannes. te interessa?
Gatacareca: ainda estou no secundrio. mas sim, me interessa.
KM10001: legal. posso ver vc em algum lugar? tipo hoje, mais tarde? estou em NY.
Gatacareca: vou filmar no Central Park  noite 10 horas, por a. me encontra l?
KM10001: timo. adorei ver teu trabalho. te vejo l.
Gatacareca: tchau.

Vanessa voltou a editar seu filme sabendo que havia uma grande possibilidade de a pessoa
que tinha conversado com ela ser na verdade um dos amigos mauricinhos de Nate que
estavam agora mesmo abrindo um buraco no gelo do lago no Central Park para atirarem
Vanessa na gua congelante e afog-la por causa do link que estava circulando.
Ou talvez fosse realmente Ken Mogul, o cineasta alternativo, um de seus heris. Riu alto.
Ela era uma pateta e tanto para e-mail. Mas, quem sabe? Tudo era possvel.

Gossipgirl.net
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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

COMO TER A FESTA DE ANO-NOVO MAIS AGITADA DO MUNDO

Dois conselhos:

1) Fique grudado em mim. Eu sei onde est o agito.

2) Beije pessoas. A meia-noite de hoje  a hora em todo ao ano em que voc tem um
convite aberto para beijar gente completamente desconhecida sem ter de dar nenhuma
explicao. Ento, v nessa!

Seu e-mail

P: Cara Gossip Girl,
Tudo bem, ento eu no sou uma grande fofoqueira, mas pensei em te contar por que ainda
estou aqui em St. Barts. Sabe aquele cara que estava com B-M? Bem, logo depois de B ir
embora, ele ficou com aquela francesa que ensina esqui aqutico e eles passaram
muitotempo juntos.
- bean

R: Cara bean,
Obrigada pela informao. Lamento por voc estar presa a em vez de estar aqui. Alis,
voc devia fofocar com mais freqncia. Deixa sua pele brilhante.
- GG

Flagra
A passeando com seu boxer pela Park Avenue. Imagino que ele voltou de St. Barts,
mesmo com o amigo M ficando l. Flow pegando um avio em L.A. para o Aeroporto
Kennedy em Nova York hoje de manh cedo. Ah,  mesmo?? B aventurando-se para fora
de casa para comprar um spray para cabelos extragrande Frderic Fekkai na Zitomer
Pharmacy da Madison. Parece que ela est preparando um penteado extravagante para a
festa de hoje  noite. Estou louca para ver. Estou louca para ver todos vocs!

A NICA FESTA QUE VALE A PENA

Se voc ainda no recebeu um desses, ento pode muito bem sair da cidade.

No seja um man.

Venha comemorar o Ano-novo comigo!

Tema: Uma Noite Muito Louca no Paraso

Onde? No Ice Castle, West 19th Street

Quando? Sbado  noite, d, das 9 at...

Levar o qu? Voc mesmo e quantos amigos seus couberem no elevador.

Te vejo l!

- Serena

NOSSA VIDA  MELHOR DO QUE OS FILMES

Se nossa vida fosse um filme vagabundo para adolescentes, convidaramos todos os
funcionrios da admisso de todas as universidades a que nos candidatamos para sair
conosco e cuidaramos para que eles se divertissem tanto que acabariam decidindo nos
deixar entrar. Mas nossa vida  melhor do que os filmes e no precisamos chegar a esse
extremo para entrar na faculdade. No ?

Mal posso esperar para ver quem vai beijar quem  meia-noite!

Pra voc que me ama,
gossip girl

j foge de casa

Jenny tinha raspado, depilado, pinado, esfoliado e hidratado o corpo todo, lixou as unhas,
secou o cabelo, e aplicou uma maquiagem sutil em tons de outro e bronze de acordo com
um mapa que tinha guardado da revista Allure. Depois vestiu o fio dental e a mesma cala
de veludo preta que usou no dia especial no parque, com o top preto apertado com gola em
V e fios de ouro que parecia brega no cabide mas ficou timo nela.
De acordo com ela, quero dizer.
Por ltimo, ela colocou o pingente turquesa que Nate tinha dado e um par de botas pretas de
salto alto com as quais no conseguia andar direito, mas quem ligava para isso? Eram seis
horas, e nas ltimas duas horas e meia ela tentou se distrair vendo reprises dos Osbournes e
detonando lentamente um saco inteiro de Pepperidge Farm de queijo cheddar, enquanto
mantinha o celular azul-metlico aninhado no colo. Mas agora j eram oito e meia da
vspera de Ano-novo e Nate ainda no tinha ligado.
Jenny ficou to preocupada em preparar o corpo para a noite e esperar pelo telefonema de
Nate que nem percebeu o que o resto da famlia estava fazendo. Ela desligou a TV e foi
para o corredor.
A porta de Dan estava entreaberta e ela a abriu completamente. O computador estava
desligado e no havia cigarros acesos queimando no cinzeiro.
- Dan?  chamou ela, mas no houve resposta.
Ela deu meia-volta e desceu o corredor para o escritrio do pai. A porta estava aberta.
Vazio.
- Pai?  Mas, novamente, nenhuma resposta.
Tradicionalmente, na vspera de Ano-novo, Rufus saa com alguns amigos para uma
maratona de leitura de poesia em um caf no Greenwich Village. Parecia que ele j havia
sado.
Jenny apertou alguns botes do celular e o telefone imediatamente discou o nmero de
Nate. O sistema de mensagens respondeu, de novo.
"Se estiver tentando falar com...", disse a voz robotizada de mulher.
"Nate", disse Nate com a prpria voz.
"Por favor, disque um e deixe um recado, ou espere pelo sinal", continuou a voz robotizada
de mulher.
- Sou eu de novo  piou Jenny, tentando parecer animada.  Acho que voc est preso no
trnsito ou coisa assim. Acho que vou para a festa da Serena agora. Talvez eu consiga que o
txi pare na sua casa, e eu interfono. De qualquer maneira, espero ver voc antes da meia-
noite! T legal. Eu te amo. Tchau.
Jenny desligou e foi para o quarto para pegar a bolsa e o casaco. E se ela no estivesse
oficialmente liberada? Rufus e Dan haviam-na deixado sozinha no apartamento. O que eles
esperavam de uma princesa que ficou presa na torre por tanto tempo?
Nate tinha pensado em no fumar nada at chegar  festa porque sabia que Blair preferia
quando ele no estava chapado. Ah, qual, era vspera de Ano-novo.
- Caraca  disse Jeremy, passando a Nate o enorme baseado que tinha acabado de acender.
Nate, Jeremy e Antony estavam juntos perto da esttua de Gandhi na Union Square. Perto
dali, algum tocava Yesterday em um gravador.  Puxe bem  aconselhou Jeremy.  Depois
 melhor a gente ir para a porra da festa. Aqui t parecendo a Antrtida.
Nate levou o baseado  boca e puxou, fechando os olhos. No havia nada melhor do que
um longo tapa em uma noite gelada. Ele passou o baseado a Charlie, prendendo a fumaa
nos pulmes por mais um instante.
- E se a festa estiver um saco?  perguntou Charlie antes de dar um tapa.
Nate lembrou o que Serena tinha dito sobre Blair se trancar no quarto a semana toda para
trabalhar na proposta para Yale. Sempre que passava muito tempo sozinha fazendo trabalho
da escola, Blair ficava extremamente excitada depois.
- Cara  disse ele, soprando uma nuvem de fumaa no ar perto da cabea de Gandhi.  Pode
acreditar, no vai ser um saco.

n ainda est com o corao de b na manga

Deixe que Serena eleve os padres das festas de Ano-novo, ou de qualquer festa, alis. Dois
minutos dentro do loft em Chelsea que ela alugou para a festa eram o suficiente para deixar
claro que esta era definitivamente a melhor festa a que algum poderia ir. Havia tochas
ardendo nos cantos e a pista de dana era de grama de verdade. Os bartenders usavam
biqunis de croch minsculos, e o DJ era algum rocker famoso da Islndia. No fim do loft
havia salas com sofs de couro branco e banheiras, para os que precisavam de alguma
privacidade ou s queriam tomar um banho. E havia um enorme terrao com vista para a
cidade nas trs direes, para quando comeassem os fogos.
Blair tinha dormido apenas algumas horas e no saa de casa desde que voltara de St. Barts.
Passou a caf expresso, adrenalina, cigarros e determinao. Seu roteiro ia dar certo, ela
podia sentir  ela ia para Yale!
Mas menos os melhores auteurs precisam fazer uma pausinha.
Ela chegou  festa usando a microssaia Dior de camura roxa, um top Chlo de cetim preto
e meias arrasto pretas. Os cabelos estavam puxados para cima num rabo-de-cavalo anos 60
superalto e superbalanante e ela usava clios postios e batom prateado. Nos ps o mais
novo par de botas de salto 10 Christian Louboutin de camura preta que o pai gay tinha
mandado para ela da Frana, de presente de Natal, com um carto que dizia: "Feliz Natal,
Ursinha Blair. Aviso: No saia desacompanhada com essas botas!" Mas Blair no obedeceu
ao conselho dele  ela chegou sozinha.
No levou muito tempo para encontrar Serena. Ela era a nica menina com listras cor-de-
rosa no cabelo, danando descala e usando um suti de biquni Missoni, short de veludo
preto curto e longos brincos de diamantes que balanavam nas orelhas. O DJ tinha
aumentado o volume e a msica estava to alta que as paredes tremiam.
- Meus peitos doem  gritou Serena para Blair, ainda danando.
- Meus peitos doem  gritou Serena para Blair, ainda danando.
- Minha cabea di!  gritou Blair de volta. O que ela precisava, antes de nem sequer
pensar em danar ou falar com algum, era de um drinque forte.
Ou trs, ou quatro.
- Acabei de ver o Nate!  gritou Serena, apontando ao acaso para a multido.  Estava
procurando por voc!
Claro que estava.
Blair passou por Serena, abrindo caminho na multido em direo ao bar. Ela merecia uma
bebida. Quase terminara o roteiro  s faltava o fim  e tinha certeza absoluta de que era
demais. Alm disso, era a porra da vspera de Ano-novo e, se Nate queria falar com ela, ela
precisava tomar pelo menos um drinque antes.
Kati e Isabel estavam paradas no bar esperando pelos cosmos que tinham pedido.
- Oi Blair  arrulharam elas em unssono.
- Voc ainda est bronzeada  observou Isabel, cutucando aborrecida o prprio brao
plido.
As duas usavam longos pretos, exatamente iguais aos que Blair e Serena vestiram no baile
Black-and-White.
- Serena falou que voc estava trabalhando na proposta para Yale  disse Kati, sugando seu
cosmo.  A gente ainda tem um ms inteiro antes de mandar nossas propostas, sabe como .
Blair encarou o bartender por levar tanto tempo para atender ao pedido dela.
- Eu s quero que saia perfeito.
- Tenho certeza de que vai sair  garantiu uma voz conhecida atrs dela.
Blair girou e encontrou Nate  seu protagonista  parado na frente dela, usando o suter de
cashmere verde com gola em V que ela lhe dera na Pscoa. Antes de embrulh-lo e dar a
ele, ela costurara um coraozinho de ouro por dentro de uma das mangas para que Nate
sempre estivesse com o corao dela na manga. Ela se perguntou se o corao ainda estava
ali.
Kati e Isabel deixaram-nos a ss, escapulindo para um grupo de meninas que comeavam a
cochichar.
- Eu soube que ela perdeu a coisa para o Miles em St. Barts  disse Tina Ford.
- Foi por isso que ela voltou antes  acrescentou Rain Hoffstetter.  Pra tomar a plula do
dia seguinte que pegou no ginecologista.
- Algum viu o Flow?  perguntou Kati.
- Serena prometeu pra gente que ele ia vir  gemeu Isabel.
Nicki Burton sacudiu a cabea astutamente.
- Ouvi dizer que o Flow rompeu com Serena porque ele quer ficar limpo e ela  uma
drogada total.

- E a, onde est sua menininha de jardim-de-infncia?  perguntou Blair, puxando um
Merit Ultra Light da bolsa e esperando que Nate acendesse para ela.
Nate riu. Era um comeo. Pelo menos ela estava falando com ele.
- Ns terminamos  disse ele simplesmente.
Desde quando?
O bartender finalmente passou por ali no minsculo biquni de croch, e Nate bateu a mo
no bar.
- Ketel One com tnica e um Jack com Coca e muito gelo  disse ele, pedindo para os dois.
Blair adorava como Nate j sabia exatamente o que ela queria sem que ela tivesse de dizer
nada, mas ela fingiu no perceber, fumando seu cigarro e observando os danarinos
roando a bunda uns nos outros.
- E a, como foi de Natal?  perguntou Nate, passando a ela cuidadosamente a vodca com
tnica.
Ele no era o mximo em entabular uma conversa.
Blair tomou um grande gole e depois deu um trago longo no cigarro.
- Uma merda.
Nate entendeu que ela no queria conversa.
- Deixe para l  disse ele.  S faltam seis meses para a formatura.
Eles se olharam com uma cara de pavor.
- Seis meses  repetiu Blair, tomando outro gole grande.
-  tempo demais  disse Nate, concluindo o pensamento dela.
Blair quase arriscou um sorriso. Essa era outra coisa que ela adorava em Nate. Ele sempre
sabia exatamente o que ela estava pensando.
-  uma loucura  prosseguiu Nate, estimulado pela sugesto de um sorriso nela.  No ano
que vem, a essa altura, vamos estar com outra galera que vamos conhecer na faculdade.
Gente que nem sabemos que existe.
Blair mordeu a cereja do coquetel, vendo Serena bater a bunda com dois homens de cabelo
escuro de uns vinte anos que usavam trajes de marinheiro combinando e pareciam gmeos.
- Mal posso esperar  declarou ela.  Depois que for para Yale, nunca mais vou voltar.
Nate sorriu. Ele adorava como Blair sempre achava que ia para Yale.
- Vou ter de ir l visitar voc, ento.
A vodca estava subindo  cabea de Blair. Ela podia ver que Nate tentava falar com ela
como se nada tivesse acontecido, como se ele no a tivesse trocado por uma pr-escolar e
passado o ltimo ms evitando-a totalmente. Era meio irritante, mas era meio maravilhoso
tambm, como a parte em seu roteiro em que Audrey percebeu que Colin tinha agido com
ela da mesma forma horrorosa com que ela agira com ele e, por isso mesmo, ela decidiu
am-lo ainda mais. Blair suspirou fundo e terminou o drinque. Tinha se esquecido de como
eram os olhos de Nate.
Charlie Dern foi na direo deles e cumprimentou Nate, batendo as palmas.
- Ei, bem-vindo de volta, cara. Eu vi a sua bunda naquele Web site. Mandou bem!
Mas que senso de oportunidade.
- Valeu, cara  respondeu Nate, tentando ficar frio.  Te vejo depois  acrescentou ele,
dando a entender a Charlie que ele no queria discutir o assunto.
Charlie saiu e Blair ps outro cigarro na boca.
- O que ele quis dizer, mandou bem em qu?
Nate abriu o Zippo e acendeu o cigarro dela. Se Blair no tinha ouvido falar dele e Jennifer
naquele site que todo mundo comentava, ele definitivamente queria que as coisas
continuassem daquele jeito.
- Nada no  respondeu ele.
Uma mecha de cabelo castanho-areia caiu na testa dele e Blair a afastou para Nate,
permitindo-se sorrir para ele enquanto ele retribua o sorriso.
Quase como nos velhos tempos.
Quase.
a encontra uma distrao

Pouco depois das dez, o meio-irmo sumido de Blair, Aaron, saiu do elevador e entrou no
loft em uma nuvem de fumaa de cigarro natural, usando uma de suas camisas LEGALIZE
HEMP e parecendo surpreendentemente plido para quem passou uma semana em St.
Barts.
Em seguida seus olhos varreram a multido de bebedores, fumantes e danarinos suados e
caram em Blair e Nate conversando ao lado do bar, os olhos grudados na cara um do outro.
O corao de Aaron bateu nas paredes do peito. Blair parecia uma pessoa completamente
diferente da Blair em St. Barts. Ela estava reluzente.
Ele queria ir at l para se desculpar e tentar explicar o comportamento idiota na vila, mas
depois achou melhor no fazer isso. Era uma festa, e todos deviam se divertir. Ele ia
esperar at amanh, se Blair no estivesse com muita ressaca.
Na pista, Serena viu as trancinhas meio desarrumadas de Aaron e danou na direo dele, o
cabelo com faixas cor-de-rosa balanando e os dedos pintados de prata brilhando. Ela atirou
os braos no pescoo dele e apertou a bochecha corada na orelha de Aaron.
- Estou to feliz que tenha vindo!  disse ela, aparentando estar mesmo feliz.
- Eu tambm  gruniu Aaron, achando que talvez tambm estivesse sendo sincero.
- Cad o Miles? Ele no veio com voc?
Aaron sacudiu a cabea.
- Ele ainda est em St. Barts. Ele meio que conheceu algum l.
Serena riu.
- Ah, conheceu, ?
Aaron ps as mos nos bolsos da cala verde-oliva e olhou para Blair e Nate novamente.
Serena acompanhou o olhar dele. Por que Aaron sempre olhava para Blair com aquele jeito
to triste?
-  timo ver os dois juntos de novo, n?  soltou ela sem flego, esperando que ele
concordasse.
Aaron se obrigou a assentir. Blair no era dele, e ela parecia feliz.
-   disse ele.   sim.
Serena deu o brao a ele, levando-o para a pista.
- Venha  gritou ela -, vamos danar!
Ela cheirava a sndalo e patchouli, e descala ela ficava exatamente da mesma altura de
Aaron. Uau, percebeu Aaron enquanto Serena erguia os braos dourados e geis sobre a
cabea e dava um pequeno giro, os cabelos voando em todas as direes. Ela  mesmo
linda.
Como se todo mundo em todo o mundo j no tivesse percebido isso.
Ele podia estar meio plido quando chegou, mas algum estava prestes a ter um Ano-novo
muito feliz.
s mesmo em nova york

Vanessa no gostava da idia de beijar um monte de bbados de que no gostava muito e
gritar "Feliz Ano-novo". Era meio que o pesadelo dela. Ento, em vez de ir  festa de
Serena, ela pegou o equipamento de filmagem, vestiu montes de roupas e tomou o metr
para o Central Park. Todo mundo que era antenado estaria na festa de Serena, ento por que
no ver o que iam fazer as pessoas que no eram antenadas? S fazia sete graus negativos
l fora e a temperatura estava caindo. No podia conseguir nada mais desajustado do que a
corrida anual da meia-noite no parque congelado. Era o desfecho perfeito para o filme
sobre Nova York.
Ela comeou a filmar enquanto as pessoas se preparavam para a corrida na entrada do
parque, perto da represa, na 89 Leste. Tinha comeado a nevar, ento era um desafio
manter a lente limpa e a iluminao correta, mas o parque estava incrivelmente puro e
bonito em sua fina capa de neve recm-cada, e todos os corredores estavam em total
frenesi. Isto ia ser ainda melhor do que a cabea de boneca no caminho de lixo.
- Voc corre todo ano, ou  a primeira vez?  perguntou Vanessa a um homem emaciado
usando apenas bermuda de brim e tnis de basquete sem meias. Ela deu um zoom em seu
peito magrelo e encovado, procurando por assaduras de frio, mas o que mais a assustou 
que no viu nenhuma.
- Primeira vez?  exclamou o homem, puxando o cabelo grisalho pegajoso em um rabo-de-
cavalo e sorrindo para ela com os dentes manchados de tabaco.  Eu pareo virgem pra
voc?
Grosso.
Vanessa ficou feliz de seu rosto estar escondido pela cmera.
- T legal  disse ela, recuando.  Boa sorte.
Ela voltou para uma mulher que devia ter uns setenta anos usando um casaco de mink,
sapatos Chanel e orelhas de mink, levando um poodle padro branco que tambm tinha um
casaco de mink.
- Oi, e quem  esse aqui?  cantarolou Vanessa, abaixando-se para afagar o cachorro.
- Ns adoramos correr na neve.  A mulher sorriu alegremente, os lbios enrugados com
uma grossa camada de batom rosa-alaranjado. Os cabelos brancos estavam puxados para
cima num coque e as bochechas estavam grossas de ruge laranja.  Todos os meus filhos
esto crescidos e meu marido est nos cassinos de Nice, ento Angel e eu viemos aqui para
nos divertir.
- Eu tambm  disse Vanessa, embora obviamente ela no tivesse filhos, nem marido, nem
cachorro. Ela sorriu para a mulher como se conspirasse com ela.   estimulante, no ?
A mulher estava tirando alguma coisa da bolsa Herms Kelly verde, e Vanessa deu um
zoom no que pde ver: botinhas vermelhas de borracha.
- Assim ele no fica com bolas de neve nas patas  explicou ela, agachando-se para fechar
as botinhas com Velcro nas patas do poodle.
- E elas tm muito estilo  completou Vanessa.
Agora ela sabia o que as pessoas queriam dizer quando falavam "S mesmo em Nova
York." S mesmo em Nova York voc encontraria uma mulher e seu poodle com casacos
de mink combinando, em uma corrida  meia-noite com aquele esquisito de bermuda. E
agora Vanessa tinha um ttulo para seu filme: S mesmo em Nova York. Era brilhante,
mesmo que ela dissesse isso a si mesma.
De botas, Angel trotou em crculo, mostrando-as.
- Bom garoto!  disse Vanessa, seguindo-o de perto com a cmera.
Ela ficou to encantada com o tema que no percebeu que seu heri, Ken Mogul, andava
por ali e se sentou em um banco do parque para observar.

Dan procurou por Vanessa por horas. Primeiro foi ao apartamento dela, que teria sido o
lugar mais bvio para encontr-la, mas, depois de tocar a campainha da portaria umas 14
vezes e gritar nas janelas, ele finalmente desistiu. Ento ele foi para o Five and Dime, o bar
de Williamsburg onde a banda de Ruby, a SugarDaddy, tocava. Ruby estava ocupada
ensaiando com a banda, mas disse a Dan que Vanessa tinha falado alguma coisa sobre
filmar gente maluca em algum parque  meia-noite.
Que animador. Como se cada parque da cidade no estivesse cheio de malucos.
Primeiro Dan procurou no Madison Square Park, onde Vanessa tinha filmado a cena de
Guerra e paz. Mas, a no ser por algumas pessoas que passeavam com os cachorros e um
homem que dormia em um banco com um saco de papel na cabea, o parque estava
tranqilo. Depois ele tentou o Washington Square Park, que estava cheio de skatistas
hipsters e alunos da Universidade de Nova York acendendo bombinhas ilegais. Por fim ele
voltou ao centro e foi para o Central Park, vagando sem rumo e xingando Vanessa por no
acreditar em celulares. Ele contornou a represa, observando os flocos de neve que
flutuavam por ali e se chocavam, perguntando-se para onde tinham ido os patos. Depois ele
percebeu uma multido reunida perto da entrada do parque na 89. E, abrindo caminho pela
multido, conversando com pessoas enquanto as olhava atravs de sua cmera de vdeo,
estava uma garota plida de sobretudo preto, um gorro de malha preto e botas de combate
pretas.
Dan seguiu pelos degraus de pedra que levavam  represa e se sentou em um banco de
parque perto de um cara com uns trinta anos, cabelo ruivo curto e pele sardenta que usavam
uma cara jaqueta de esqui cinza-escura com capuz de pele. O cara estava sentado sobre as
mos nuas e parecia estar observando intensamente Vanessa.
- Est vendo como ela chega por trs das pessoas antes de se mostrar e falar com elas? 
perguntou o cara a Dan, apontando para Vanessa.   como se ela quisesse saber o que nem
elas sabem sobre si mesmas.
Dan assentiu. Quem diabos era esse cara, afinal?
- E eu adoro o modo como ela se mistura com o fundo s vezes, ficando to quieta,
deixando que as pessoas faam o que estiverem fazendo. Ela  bonita.
Dan se virou e encarou o sujeito. Queria dar um murro nele.
O cara ergueu a mo.
- Oi, sou Ken Mogul, cineasta  disse ele.  Voc tambm faz cinema?
Dan sacudiu a cabea brevemente.
- No  o hlito dele flutuou para o cu em lufadas frias e brancas.  Sou poeta.
Os dois viram Vanessa se agachar para que o poodle com casaco de mink farejasse a lente
da cmera. Dan se inclinou para a frente. Ela estava to encantadora por trs da cmera e
to  vontade com o que fazia que era difcil acreditar que usasse o material de forma
inadequada. Talvez Jenny estivesse certa em no culpar Vanessa, concluiu ele. Talvez ela
no tenha tido nada a ver com aquele link. De algum modo o trabalho dela cara nas mos
erradas.
- J publicou alguma coisa?  perguntou Ken Mogul.
- Ainda no  Dan sorriu para si mesmo.  Mas um poema meu vai sair na New Yorker no
ms que vem  acrescentou ele com orgulho.
o que ela quer no  o que ela tem

Eram quase 11 da noite quando Jenny chegou  festa de Serena. Seu simptico taxista tinha
ficado preso no trnsito da Times Square  que todo mundo sabe que  um lugar que se
deve evitar no Ano-novo porque fica apinhado de turistas bbados e  um completo
pesadelo. Ento Jenny saiu e foi  p. Ela se sentia meio madura e cool, sozinha na rua 
noite, a caminho de uma festa onde finalmente veria de novo o namorado, o amor de sua
vida.
Quando saiu do elevador e entrou no loft, Jenny desabotoou o casaco e o entregou  garota
na entrada. Os peitos estupendos inflaram no top preto e dourado com gola em V
projetando-se pela sala.
Oi, oi!
Vrios homens na festa imediatamente reconheceram a baixinha de cabelos crespos do link
na Web que fora uma fofoca to quente nas frias. Pararam o que estavam fazendo e
comearam a aplaudir.
- Ei, venha c e me mostre o seu fio dental!  gritou bbado um cara qualquer que usava
uma cartola preta fora de moda.
- Quer entrar no meu casaco?  gritou outro.
Jenny congelou na soleira da porta, agarrada  bolsa, sentindo-se muito como Clara no
Quebra-nozes quando  cercada pela gangue de camundongos do mal. seus olhos
vasculharam a sala procurando desesperadamente por Nate.
Onde, oh, onde estava o prncipe Quebra-nozes dela?
Do outro lado da sala, perto do bar, um garoto com cabelos dourados ondulados e uma
garota de longos cabelos castanhos que caam pelas costas conversavam com o rosto to
prximo que bem que podiam estar se beijando. Eles se olhavam exatamente como Jenny
sempre quis ser olhada, como se esquecessem de que estavam numa festa cheia de gente,
distrados demais pelo amor.
Os rapazes ainda estavam aplaudindo e uivando para Jenny quando o garoto de cabelos
dourados e a garota de cabelos castanhos viraram-se para olhar.
Oi, oi de novo!
E, nesse instante, Jenny entendeu.
Nate nunca foi apaixonado por ela, porque ele nunca deixou de amar Blair. E porque ele
tinha mentido e fingido am-la, ele no era nem mesmo um bom namorado, como Vanessa
e Dan disseram. Nate no era o prncipe Quebra-nozes. Era s outro camundongo podre.
- Nate  arfou Jenny, a voz presa na garganta. Ela cambaleou para o bar onde estavam Nate
e Blair, arrancou o pingente turquesa do pescoo e o atirou nele com a maior fora que
pde.
- Jennifer, desculpe...  Nate comeou a gaguejar, mas seus olhos no pareciam lamentar
nada e Jenny no estava interessada. Blair a encarava, mas isso tambm no a incomodava.
- V se foder  sussurou ela enquanto lgrimas quentes comeavam a rolar por seu rosto.
Depois ela se virou para procurar o banheiro, onde poderia jogar uma gua fria na cara e
sair da festa com alguma dignidade.

Nate se abaixou e enfiou o pingente turquesa no bolso. Parecia cansado e desajeitado. Blair
colocou outro cigarro entre os lbios e riscou um fsforo, tentando acend-lo. Continuou
tentando sem sorte nenhuma e finalmente deixou cair o fsforo com um suspiro
exasperado.
Nate abriu o Zippo dele e o estendeu a ela, mas Blair o ignorou.
- Qual  o problema?  perguntou ele, embora tivesse certeza absoluta da resposta.
Blair estreitou os olhos para ele, o cigarro apagado ainda pendurado na boca. Ele no era
seu protagonista. Ele j era. E tinham tantos astros promissores ali  pra que precisava
dele?
- Voc  outro motivo para eu estar ansiosa para entrar na faculdade.
- Eu s quero acender seu cigarro  respondeu Nate sem muita convico.
- Tudo bem  Nate acendeu o cigarro e Blair inalou profundamente. Depois soprou uma
torrente de fumaa na cara dele.  Mas agora voc pode se foder.
Nate franziu a testa e fechou o Zippo, extinguindo a chama. Blair sempre exagerava. Perto
deles, as pessoas comearam a entoar, "Dez! Nove! Oito!"
- Blair?  Nate deu um passo  frente. S o que tinham de fazer era se beijar e fazer as
pazes, e tudo voltaria ao normal de novo. Como nos velhos tempos.
Mas Blair partiu, largando o cigarro nos ps de Nate, o rabo-de-cavalo castanho balanando
entre as omoplatas enquanto ia para as portas de correr envidraadas que levavam ao deque.
Era quase meia-noite e tinha outra coisa melhor para fazer do que beijar outro man.

s ganha uma serenata

Serena tinha danado tanto que se sentia como se tivesse corrido uma maratona. A boca
estava seca, as pernas doam e os braos pendiam frouxamente do lado. Algum tinha
cuspido bebida em seu cabelo, mas ela no ligou. Tinha uma bunda bonitinha se sacudindo
bem perto da dela, e a bunda usava uma cala verde-oliva e pertencia a uma gracinha de
trancinhas curtas e escuras.
- Sete! Seis! Cinco!
Aaron pegou a mo de Serena.
- Vamos l pra fora!  gritou ele, puxando-a pela sala para as portas de vidro.
- Serena!  gritou uma voz, detendo-os no meio do caminho.
Serena se virou, os olhos azuis arregalados de descrena. Era Flow, saindo do elevador,
usando um casaco de camura caramelo e segurando o estojo da guitarra. Havia crculos em
volta de seus olhos e o cabelo preto crespo estava meio achatado do lado por causa da longa
viagem de avio de Los Angeles, mas ele ainda estava lindo. As garotas na festa pararam e
encararam, e o mesmo fez a maioria dos garotos.
- Oi  Serena deu um sorriso rpido a ele.
Flow respirou Serena como se fosse uma lufada de ar fresco. Com o top, o short curto e os
ps descalos, ela parecia uma deusa de seus sonhos mais loucos. Ele se ajoelhou e abriu o
estojo da guitarra.
- Escrevi uma msica para voc quando estava vindo para c.
Serena largou a mo de Aaron e cruzou os braos. No queria ser grosseira, mas at onde
Flow iria antes de desistir e ir para casa?
Ao lado dela, Aaron enfiou as mos nos bolsos. Ele no se importava de ouvir o que Flow
ia tocar. Nem ningum mais no salo.
- Chamei de My Kandy Girl  murmurou Flow baixinho. Ele passou a guitarra pelo ombro,
tocou alguns acordes e depois fechou bem os olhos enquanto comeava a cantar.

Voc roubou meu corao, agora eu pago a multa
Voc me esvaziou, me deixou louco e seco
Meu amor  como chocolate, derrete na sua mo
Se provasse dele, voc entenderia

Eca. Mas, lembre-se, ele tinha aquela cara.
Provavelmente era a pior msica que ele tinha composto, mas os convidados da festa ainda
enxameavam em volta de Flow, hipnotizados pela msica e pela beleza dele. Todas as
garotas esperavam que ele as notasse e improvisasse uma msica para elas ali, e todos os
caras pensavam que, se sassem com Flow, certamente iam se dar bem esta noite.
Serena ficou tentada a atirar um dlar no estojo da guitarra de Flow, mas ela provavelmente
j o havia magoado  no tinha de insult-lo ainda por cima.
- Vamos  sussurrou ela a Aaron, voltando  multido e pegando a mo dele.  Vamos l
para fora.

Blair no ficou surpresa quando Chuck Bass a encontrou parada no deque, comendo
azeitonas furiosamente, fumando, engolindo Veuve Clicquot e congelando a bunda. Faltava
pouco para a meia-noite e, conhecendo Chuck, ele procurava por algum para fazer um
boquete nele enquanto os fogos disparavam.
- Feliz Ano-novo, Blair  ele foi direto para ela e lhe deu um beijo nos lbios. Tinha gosto
de azeitona, mas ele pareceu no se importar.
Blair se afastou e cuspiu no cho.
-  melhor que seja.
Chuck ps o brao em volta dela e deslizou lentamente a mo pelas costas de Blair at
chegar  bunda.
- Sabe qual  a melhor maneira de entrar no Ano-novo?
Ela se afastou e apontou pelas portas de vidro para Kati e Isabel, perto de uma mesinha, de
mos dadas e fazendo a contagem regressiva.
- Aquelas duas sempre foram totalmente apaixonadas por voc  declarou Blair, tentando
manter a cara sria.  Se quer "entrar no ano-novo" com algum, por que no pede a elas?
Chuck riu para ela.
-  mesmo?
Ela assentiu.
- V em frente, eu...  Mas, antes que conseguisse terminar a frase, Chuck tinha
mergulhado para dentro e agarrava as duas meninas num abrao.
- Quatro! Trs! Dois!
v e d tm seu prprio espetculo

s 11:45, os corredores tinham comeado o lento percurso pelo parque. Vanessa correu ao
lado deles com a cmera de vdeo, tentando capturar a mistura de determinao, dor e
exaltao no rosto deles. Estavam ao ar livre, correndo e fazia um frio de congelar! Era o
fim de um ano e o comeo de outro  talvez o comeo de uma nova era!
Embora eles corressem to lentamente que ela podia acompanh-los com facilidade,
Vanessa tinha deixado a bolsa da cmera na neve l atrs e suas botas de combate estavam
lhe dando calos, ento ela decidiu voltar  linha de largada, imaginando que os pegaria na
chegada.
Dan e Ken Mogul ainda estavam esperando por ela no banco.
- Fui indicado para algumas coisas  dizia Ken.  Mas jamais ganhei nada. Talvez trabalhar
com Vanessa mude isso.  Ele estava monologando desde que Dan se sentara ao lado dele.
Dan no se importou. Seu bloco estava aberto no colo e ele olhava fixamente para o halo de
luz na neve produzido por um poste, procurando pelas palavras exatas para descrever o
modo como os flocos de neve passavam pela luz, to lentamente que no pareciam estar
caindo, mas flutuando.
De repente Vanessa apareceu no halo de luz, as bochechas vermelhas de correr e os
enormes olhos castanhos brilhando. Ela sorriu com a viso ridcula de Dan e um cara mais
velho com uma parca de esqui sentados juntos em um banco, com um centmetro de neve
fresca nos ombros. Os olhos castanhos e comoventes de Dan olharam para ela de sob o
gorro branco. Ele no parecia irritado. Meu Deus, ela estava feliz por v-lo.
- H quanto tempo est sentado a?
O cara com a parca de esqui se levantou.
- O bastante para ver que voc definitivamente  a prxima grande sensao do cinema.
Vanessa riu novamente. Esse cara estava falando srio?
Ele se aproximou e entregou-lhe um carto. Ken Mogul, cineasta, era o que dizia.
- Estou indo ao Brasil para filmar umas crianas prostitutas no Rio  explicou Ken.  Mas
espero que voc me ligue para que a gente possa fazer alguma coisa. Eu realmente podia
usar voc.
Vanessa foi at a bolsa e guardou a cmera. Sempre admirou o trabalho de Ken Mogul, mas
no tinha certeza se queria ser "usada" por algum diretor, independentemente de sua fama.
Ela queria fazer filmes sozinha.
- Vai me ligar?  insistiu Ken.
- Com licena  ela ouviu Dan dizer baixinho atrs deles.
Ken se virou.
- Esse cara estava esperando para falar com voc quase tanto tempo quanto eu. Quem 
voc afinal, cara?
Dan se levantou, deixando o bloco cair na neve. Ele foi at Vanessa, pegou-a e passou os
braos em volta dela.
- O namorado dela  disse ele a Ken Mogul por sobre o ombro. E depois ele a beijou com a
mxima intensidade que pde, com medo de que, se no fosse humilde o bastante, ela no o
levasse a srio. Ele era o namorado dela, pelo amor de Deus! E ele estava zangado com ela,
orgulhoso dela e orgulhoso de si mesmo por beija-la e terminar essa zanga de uma vez por
todas.
Vanessa o beijou com a mesma intensidade. Que se fodesse Ken Mogul, o cineasta. O filme
que estava fazendo era muito mais legal do que qualquer filme que ele tinha feito. Alm
disso, ela no queria falar de carreira agora, de qualquer forma. Estava ocupada demais
beijando Dan, seu namorado.
Enquanto eles se beijavam, os fogos comearam a iluminar o cu. Era meio que um clich
que podia estragar um filme ou um poema, mas era bem melhor que um filme e bem
melhor que um poema. Era a realidade.

j despreza um famoso astro do rock

Na ltima nota da msica, Flow abriu os olhos e viu que Serena tinha ido embora. O
relgio bateu a meia-noite e todos comearam a se abraar, a se beijar e a atirar para o alto
os chapus de papel da festa, ignorando-o completamente, o que era a primeirssima vez
que isso acontecia na vida dele.
Algumas pessoas atiraram notas de cem dlares no estojo de sua guitarra s para sacane-
lo. Ele as pegou e as jogou no cho antes de guardar a guitarra e fechar o estojo com um
baque. Depois, deu meia-volta para pegar o elevador assim que as portas estavam se
fechando, prendendo o estojo nas portas at que elas se abrissem novamente.
Uma garota baixinha de cabelos crespos com um peito extraordinariamente grande estava
apoiada na parede de trs do elevador.
- Oi  Flow deu seu famoso sorriso de tmido enquanto entrava.
A garota no disse nada. Parecia que tinha andado chorando.
- Vai para o centro?  perguntou Flow.  Meu carro est esperando l fora. Eu posso te
pagar uma bebida, ou algo assim.
Jenny no tirava os olhos do cho. Flow, Nate, eram todos iguais. S porque ele era famoso
e gostoso no queria dizer que ela devia conversar com ele, no ?
No, certamente no .
As portas do elevador se abriram.
- Fui  respondeu ela.
Ela passou pelas portas giratrias do prdio e chegou  calada para chamar um txi. Era
Ano-novo em Nova York e toda a cidade era uma festa s, mas Jenny estava indo para
casa, e seguiria o conselho do pai pelo menos uma vez na vida, aninhar-se na cama com um
bom livro.


Assim que Serena e Aaron foram para fora, os fogos explodiram no cu em volta deles.
Estava congelando e s havia algumas pessoas no deque. Todos os outros estavam dentro
do loft, despejando champanha na cabea da galera e rebolando a bunda enquanto o DJ
mandava a msica ainda mais alto do que antes.
Enquanto olhava a paisagem psicodlica, Serena teve aquela sensao novamente  a
sensao que adorava -, quando no tinha certeza do que ia acontecer, mas sabia que seria
uma coisa boa. Talvez a melhor at agora.
- Olhe  ela apontou enquanto as fagulhas azuis de enormes fogos de artifcio comearam a
zunir no cu e depois explodiram em minifogos sobre o East River.
Aaron acendeu um cigarro natural. S estava de camiseta, mas no sentia frio.
- Antigamente eu no gostava dos fogos  disse ele, soprando a fumaa no ar.  Eu achava
que eram barulhentos, ruins para o ambiente e um desperdcio de dinheiro.
- Mas agora gosta, n?  perguntou Serena, virando-se para olh-lo. Ela pegara emprestado
um casaco de pele de ovelha de algum em uma cadeira, mas os ps ainda estavam
descalos, e ela e Aaron eram mesmo da mesma altura.
Aaron assentiu.
- Eu adoro.
- Eu tambm  sussurrou Serena. Todo o corpo tremia e ela no tinha certeza se era do frio
ou porque eles estavam prestes a se beijar.
Aaron pegou a mo dela.
- Est bem aquecida?
- Estou.
Seus lbios vermelho-escuros se curvaram nos cantos.
- S vamos beijar quando os fogos acabarem, ta legal?
- Ta  disse Serena, surpresa. E no havia nada que ela gostasse mais do que ser
surpreendida. Na Times Square, um novo crescendo de fogos tinha acabado de comear. 
Mas acho que talvez eu no consiga esperar.
Agora que o beija-flor tinha encontrado uma flor em que queria grudar por algum tempo, s
o que ele ia fazer era pousar.
- Por que no beija agora? Voc pode beijar outra pessoa mais tarde  disse uma menina
atrs deles.
Era Blair, parada a pouca distncia embrulhada no casaco azul-celeste Marc Jacobs, mas
ainda tremendo de frio.
- Feliz Ano-novo  ela se aproximou de Aaron e o beijou no rosto.
Aaron a abraou. Um abrao normal, legal, de irmo.
- Feliz Ano-novo, irmzinha.
Blair se afastou dele para abraar Serena.
- Feliz Ano-novo!  gritaram as duas, apertando o rosto no cabelo da outra. Era loucura
pensar que elas queriam se matar na maior parte do ano. Agora uma no sabia o que fazer
sem a outra.
- Tudo bem  Blair se afastou.  Agora vocs podem se beijar.
Deixando-os decidir se iam em frente e se beijavam logo ou no, ela foi para o fim do
deque e olhou para o rio Hudson e para o porto. Observou os fogos explodirem sobre a
Esttua da Liberdade e sumirem na profunda gua escura.
A penltima cena de seu roteiro terminava com um beijo. Agora s o que restava escrever
era a ltima cena, o fim.
No ia realmente terminar, concluiu ela agora. No com algum tipo de finalidade. As
melhores histrias nunca terminavam. Talvez ela s cortasse para a manh seguinte.
Audrey teria uma conversinha engraada com o cara da delicatessen onde ela comprou um
caf. Depois ela riria sozinha, tomaria um gole do caf e sairia para a rua, deixando todo
mundo conjeturando.

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Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

Tudo bem, ento eu definitivamente realizei meu desejo de ter um ano-novo transformador.
Acho que quase todo mundo que foi quela festa loucamente maravilhosa tambm. Quer
dizer, quantos de vocs realmente acreditavam que Flow apareceria? Pior para ele, a festa
ficou ainda melhor depois que ele foi embora.

Seu e-mail

P: Oi, GG,
Ouvi dizer que toda a festa foi paga com o dinheiro das drogas de S. Eu no fui, mas como
ela teria conseguido aquele DJ?
- underworld

R: Caro underworld,
S tem dinheiro suficiente para no precisar da grana das drogas para dar uma festa de
arrasar. Alm disso, se no estava l, por que est falando disso?
- GG

P: Cara GG,
Acho que dancei com voc no Ano-novo. Voc  loura, de cabelo comprido e tem um
corpo?
- CliffS

R: Oi CliffS,
Talvez.  s o que eu vou dizer.
- GG

Flagra

Amanhecer do primeiro dia do ano: C dormindo com os braos em volta de K e I em um
sof no lobby do Tribeca Star Hotel. Imagino que no tenham ido para a sute da famlia.
N dando tragos no cachimbo com os amigos no Union Square Park. No h uma maneira
melhor de terminar a noite do jeito que a gente comeou. V e D de mos dadas na Strand.
S aqueles dois para virar o ano numa livraria. S e A tomando o caf da manh no Florent,
parecendo cansados mas felizes. B comprando uma enorme caneca de caf em uma deli da
Madison Avenue antes de correr para seu prdio. E J queimando calcinhas numa lixeira de
metal na West End Avenue enquanto tentava aprender a fumar sozinha. Agora que ela
estressou de vez, deve estar escolada.

ALGUMAS PERGUNTAS INSISTENTES

Ser que B vai perder a coisa? E, se perder, com quem?
Ser que N vai se redimir, mesmo que a gente v adorar que no se redima?

S vai sossegar e grudar em A por mais de um dia?

D estar pronto para transar com V, agora que  um poeta publicado?

J vai encontrar o verdadeiro amor?

Ser que algum de ns vai superar a ressaca a tempo de terminar as propostas para as
universidades?

E, mais importante, quem de ns vai entrar, afinal?

No que eu esteja muito preocupada. No semestre que vem eu estarei numa festa depois da
outra, e estou planejando curtir sozinha.

At mais.

Pra voc que me ama,
gossip girl


                                           FIM



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